No último sábado de setembro de 2014, Silvia Strass e Pablo de Sousa se casaram. O evento passaria despercebido em meio aos tantos outros casamentos que a cidade realiza diariamente não fossem alguns detalhes. O “Casaval”, mistura de casamento com carnaval, aconteceu em uma praça, com direito à banda, estandarte, serpentinas e tudo mais.

Quem teve a ideia de transformar o casamento em festa de rua foi o próprio casal, que participa há anos das festividades carnavalescas nas ruas do bairro da Vila Madalena, onde tocam, junto com um grupo de amigos, o Bloco Bastardo. Eles contaram com a ajuda de amigos para organizar e produzir a festa, que teve banheiros químicos e mutirão de limpeza no trajeto do cortejo, que saiu da Praça Horácio Sabino e estacionou na Praça das Corujas.

A festa rendeu até um vídeo.

Os noivos contaram ao Catraca Livre como foi o evento. Confira.

A ideia surgiu de onde? Da experiência de vocês com o carnaval de rua?

Silvia e Pablo: Na verdade, quando a gente resolveu se casar, ficamos um pouco agoniados com a idéia padrão e os gastos de um casamento "formal”. A solução surgiu de elementos muito importantes pra nós. Primeiro: A festa em si, queríamos que fosse mais livre e não engessada em um formato, tanto em termos de grana como de liberdade, prezando pelo não-convencional. Segundo: A ocupação consciente da rua, que é de todos. E a vontade de celebrar nosso casamento no espaço, a rua, onde ficamos juntos pela primeira vez.

Silvia: Eu trabalho com casamentos criativos e comecei a pensar em um formato que fizesse mais sentido pra gente. Um dia, me deu um click: A primeira vez que ficamos foi em uma festa de rua, participamos de um bloco de carnaval de rua que esperamos ansiosamente o ano inteiro. Por que não fazer o casamento na rua também? Tinha tudo a ver.

Pablo: A fórmula inicial partiu da Sil, que é designer e cenógrafa, e também trabalha com casamentos, e uniu nossas vontades e possibilidades, somos do carnaval e dos eventos de rua tem tempo, fundamos junto com um bando de gente o Bloco Bastardo. Ou seja, tesão e expertise não nos faltavam. E no nosso caso fomos afinando os detalhes e chegando no que queríamos.

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foto: Emiliano Capozoli

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foto: Chico Ferreira

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Em quanto tempo vocês planejaram o evento? Teve algo que não conseguiram fazer ou que foi difícil de conseguir?

S: O tempo de planejamento foi também o tempo de produção: uns seis meses, tomamos a decisão do formato em março, e começou a montagem e envio dos convites, impressos em balões e cheios de confete, passando pela contratação dos serviços, como guincho pro carrinho de som (que aconteceu 3 dias antes da festa). Enfim, começamos e fomos afinando até o dia em si. O processo foi bem colaborativo, tivemos amigos muito queridos, talentosos e dispostos, que trabalharam na produção, decoração, comida, bebida, fotografia e vídeo, música (ex:a estrutura de som veio do Bloco Bastardo). O mais difícil foi prever o clima, a gente temia que chovesse no dia (oque não aconteceu). Mas tomamos a decisão de que iríamos na chuva mesmo, se preciso fosse. Mas fiz uma promessa pra Santa Clara, pra garantir.

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Quantas pessoas vocês convidaram para o casamento? Teve gente que estava passando na rua e ficou para a festa?

S e P: Convidamos umas 400 pessoas. A maioria de SP, onde moramos faz tempo, mas teve convite pra muitos lados: Paraná e Santa Catarina (de onde somos e temos família), Mato Grosso, Portugal, França. Teve até gente que veio de Los Angeles e de Recife para o casamento…
Na Praça Horácio Sabino, vimos que tinha gente (moradores/frequentadores da praça) assistindo a cerimônia junto com nossos amigos e família. E no cortejo teve gente que veio fotografar, outras acompanharam e celebraram com a gente.

S: Foi demais ver que teve gente, com curiosidade, que foi ver o bloco passar, e se emocionavam quando descobriam que era um casamento! Achei isso muito bonito!

Para vocês, qual foi a diferença entre ocupar o espaço público com o Carnaval, que é uma celebração tão coletiva, e ocupá-lo com um casamento, que é, pelo menos na maioria dos casos, uma celebração íntima.

S: Ocupar as ruas tem algo de revolucionário, tanto no carnaval, como no nosso casamento. Acho que a forma como nos casamos tem algo de libertário, de sair do padrão, e mostra que é possível celebrar de outras maneiras e fazer do jeito que queres. Por que afinal: o amor é simples, não é?

P: Não vemos muita diferença entre uma coisa e outra, na verdade ambas são celebrações: uma de música e farra, outra de amor e união. Mas ambas são celebrações de vida, da alegria em si. Tem um dito que circula por quem faz festas assim, em espaços públicos: As ruas são feitas pra dançar. Logo, façamos.

 

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Jornalista, amante da comunicação.

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