4 das 10 rotas de voo com mais turbulência do mundo ficam na América do Sul

O percurso mais turbulento fica entre Mendoza, na Argentina, e Santiago, no Chile

11/01/2026 22:51

Quatro das dez rotas aéreas mais turbulentas do mundo em 2025 estão na América do Sul. É o que revela um levantamento feito pelo site Turbli, que prevê a turbulência em voos e analisa esse tipo de fenômeno em todo o mundo.

Pelo segundo ano consecutivo, o percurso mais turbulento foi registrado entre o Aeroporto Internacional El Plumerillo (MDZ), em Mendoza, na Argentina, ao Aeroporto Internacional Arturo Merino Benítez (SCL), em Santiago, no Chile. A rota tem uma distância de quase 200 quilômetros.

América do Sul e China têm as rotas com mais turbulência do mundo
América do Sul e China têm as rotas com mais turbulência do mundo - murat4art/iStock

Outros trajetos da América do Sul também figuram no levantamento, ocupando a 4ª, 5ª e 7ª posições. Nenhuma rota com passagem pelo Brasil aparece entre as dez mais turbulentas do ranking (veja abaixo).

O levantamento se concentrou em dez mil rotas operadas em 2025 entre os 550 maiores aeroportos do mundo. A maior parte dos percursos mais turbulentos da lista fica próxima a áreas montanhosas, como a Cordilheira dos Andes.

De acordo com o Turbli, é possível que essas essas formações contribuam para a maior ocorrência de turbulências. O site mede a intensidade do fenômeno de acordo com o índice de dissipação de vórtices (EDR), que se baseia na energia dissipada na atmosfera. Assim, os níveis de turbulência são classificados em: leve (de 0 a 20), moderada (de 20 a 40), forte (de 40 a 60), severa (de 60 a 80) e extrema (de 80 a100).

As 10 rotas de voo mais turbulentas do mundo

# Rota Distância (km) Turbulência média (edr)
1 Mendoza (MDZ) – Santiago (SCL) 196 22,983
2 Xining (XNN) – Yinchuan (INC) 433 18.935
3 Chengdu (TFU) – Xining (XNN) 724 18.758
4 Córdoba (COR) – Santiago (SCL) 660 18.643
5 Santa Cruz (VVI) – Santiago (SCL) 1905 18.33
6 Chengdu (TFU) – Lanzhou (LHW) 692 18.322
7 Mendoza (MDZ) – Salta (SLA) 940 18.307
8 Chengdu (CTU) – Yinchuan (INC) 890 18.282
9 Xining (XNN) – Lhasa (LXA) 1312 18.181
10 Denver (DEN) – Jackson (JAC) 653 18.18

Turbulência em voos pode triplicar até 2050

turbulência severa em voos pode se tornar cada vez mais comum nas próximas décadas, impulsionada pelas mudanças climáticas que alteram padrões atmosféricos em todo o planeta.

Pesquisadores alertam que o aquecimento global intensifica correntes de vento em grandes altitudes, especialmente na chamada corrente de jato, responsável por influenciar rotas aéreas internacionais. Esse fenômeno aumenta a probabilidade de instabilidades repentinas durante os voos, mesmo em céus aparentemente tranquilos.

Turbulência em voos pode triplicar até 2050
Turbulência em voos pode triplicar até 2050 - PhotoLife94/iStock

Estudos indicam que a frequência de turbulências severas pode até triplicar, trazendo impactos diretos para passageiros e companhias aéreas. O desconforto e os riscos de ferimentos em situações inesperadas tornam-se mais presentes, exigindo maior atenção às medidas de segurança.

O setor aéreo também terá que lidar com custos adicionais e ajustes operacionais, já que rotas poderão precisar ser revistas para minimizar os efeitos das correntes instáveis.

De acordo com a CNN Brasil, nos Estados Unidos, os custos associados a lesões de passageiros e tripulantes, atrasos de voos e danos às aeronaves chegam a US$ 500 milhões por ano, o equivalente a mais de R$ 2,5 bilhões, segundo dados do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica.

Mudanças climáticas X turbulência em voos

Para especialistas, o cenário reforça a necessidade de compreender que as mudanças climáticas não afetam apenas ecossistemas e cidades, mas também atividades cotidianas como o transporte aéreo.

O desafio, agora, é preparar passageiros e empresas para um futuro em que voar pode se tornar uma experiência ainda mais imprevisível.

Manter o cinto de segurança afivelado durante todo o tempo em que estiver sentado é uma recomendação simples, mas fundamental para garantir a segurança dos passageiros em caso de turbulência.

Especialistas em aviação ressaltam que, mesmo quando o voo parece tranquilo, as chamadas “turbulências de céu claro” podem surgir de forma inesperada e causar movimentos bruscos da aeronave. Nesses momentos, quem não está com o cinto preso corre maior risco de sofrer lesões.

A reportagem da CNN Brasil destaca ainda que, entre 2009 e 2018, a tripulação de voo não teve aviso prévio em cerca de 28% dos acidentes relacionados à turbulência.

Essa prática preventiva é considerada a medida mais eficaz para reduzir acidentes a bordo e, por isso, é constantemente reforçada pelas companhias aéreas e autoridades de aviação civil.