Brasileiras ganham guia para viajar sozinhas; 4 em cada 10 já fizeram viagem solo
Publicação reúne dados e orientações para incentivar experiências com mais segurança e autonomia
Um levantamento inédito do MTur (Ministério do Turismo) revela que quatro em cada dez brasileiras já viajaram sozinhas e 31,4% realizam esse tipo de viagem com frequência. Nesse cenário, o país aparece como principal destino: entre as 41,8% que já tiveram a experiência de viajar solo, 35,9% escolheram fazê-lo exclusivamente dentro do país, enquanto apenas 4,6% nunca viajaram sozinhas em território nacional.
Os dados fazem parte do Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, lançado nesta quinta-feira (5). A publicação reúne informações, orientações e relatos para incentivar um turismo mais seguro e inclusivo e integra a agenda de turismo responsável do governo federal.

Com 72 páginas, o material foi elaborado a partir de uma pesquisa realizada entre agosto e setembro do ano passado com 2.712 mulheres de todas as regiões do país. O estudo investigou motivações, receios e estratégias adotadas pelas viajantes e também considerou diferentes perfis, como mães que viajam com filhos, mulheres maduras, profissionais em deslocamento a trabalho e adeptas de segmentos como ecoturismo, bem-estar e gastronomia.
Perfil da viajante solo brasileira
A faixa etária predominante entre as viajantes solo é de 35 a 44 anos (34,6%), seguida por mulheres de 45 a 54 anos (22,1%) e de 25 a 34 anos (21,7%). A maioria tem renda entre três e dez salários mínimos e 67,7% não possuem filhos. Entre as mães com crianças menores, 58,5% afirmaram sentir segurança ao viajar com eles.
Embora o lazer seja o principal motivo das viagens (72,6%), fatores ligados à autonomia têm peso relevante: 65,1% apontam a busca por independência e liberdade como principal motivação. Autoconhecimento, trabalho e visitas a familiares também aparecem entre as razões mais citadas.
A elaboração do guia contou com a participação de 17 especialistas nas áreas de turismo e gênero, além da parceria com a Unesco e da jornalista Anelise Zanoni. Segundo ela, a “publicação busca ampliar o debate sobre segurança e mobilidade feminina no turismo, reunindo dados e experiências de viajantes”.
O documento também dialoga com iniciativas como o Protocolo Não é Não, reforçando a importância de ações integradas entre poder público e setor turístico para garantir ambientes mais seguros para mulheres em deslocamento.