Cidade no Ártico sueco entra no radar para ver a aurora boreal
Cidade no norte da Suécia combina baixa poluição luminosa, cultura Sámi e estrutura turística para quem quer observar o fenômeno
O interesse pela aurora boreal voltou a crescer com a aproximação de um novo pico de atividade solar previsto para 2026. Agências de viagem registram aumento na procura por roteiros no norte da Europa, especialmente nesta época do ano, quando as noites são mais longas e favorecem a observação do fenômeno.
Ao lado de destinos já consolidados, como Noruega, Finlândia e Islândia, viajantes começam a considerar cidades menos óbvias no Ártico. A busca por menor poluição luminosa, acesso facilitado a áreas remotas e experiências ligadas à cultura local tem influenciado a escolha do destino.

No extremo norte da Suécia, a pequena Kiruna surge como alternativa. Localizada acima do Círculo Polar Ártico, a cidade reúne condições climáticas favoráveis, infraestrutura turística estruturada e proximidade com áreas de baixa interferência de luz artificial.
Ainda fora do circuito mais popular entre brasileiros, Kiruna funciona como ponto de partida para itinerários que combinam observação da aurora, atividades na neve e contato com a cultura do povo Sámi, que habita a região há séculos.
Estrutura e condições naturais para ver a aurora boreal
A cidade abriga a Esrange Space Center, um dos principais centros europeus de pesquisa espacial. A base foi instalada na região por causa da estabilidade climática, da localização estratégica para estudos atmosféricos e da baixa poluição luminosa — fatores que também beneficiam quem viaja para observar a aurora boreal.

“Saber quando ir e para onde ir é determinante na busca pela aurora. Kiruna oferece céu limpo, estrutura de apoio e acesso a áreas remotas”, afirma Roberta Perez, CEO da Nordic Ways, empresa especializada em turismo no Ártico com escritório na cidade.
Operadores locais organizam saídas noturnas para pontos afastados do centro urbano, onde as condições de visibilidade tendem a ser mais favoráveis. A recomendação é programar a viagem entre o fim do outono e o início da primavera europeia, período em que as noites são mais extensas.
Cultura e experiências no inverno
A relação de Kiruna com o céu não se limita ao turismo astronômico. Para os Sámi, povo originário da região, a aurora integra narrativas e tradições transmitidas ao longo de gerações. Parte dos roteiros inclui visitas a criadores de renas e atividades conduzidas por guias locais.

A chegada à cidade costuma incluir a experiência da sauna nórdica, prática comum nos países escandinavos, combinada com banhos frios e refeições baseadas em ingredientes regionais, como peixes de água fria e carnes de caça.
Entre as hospedagens mais conhecidas está o Icehotel, em Jukkasjärvi, a cerca de 20 quilômetros de Kiruna. O hotel é reconstruído a cada inverno com blocos de gelo retirados do rio Torne, e parte dos quartos é esculpida por artistas convidados. Há também acomodações convencionais para quem prefere temperaturas internas mais altas.
Do trenó ao quebra-gelo
Durante o dia, as atividades incluem passeios de trenó puxado por huskies, expedições de snowmobile por lagos congelados e florestas cobertas de neve e visitas a áreas naturais próximas. Outra opção é o cruzeiro em navio quebra-gelo no Golfo de Bótnia, experiência que permite caminhar sobre o mar congelado e, com traje térmico apropriado, flutuar nas águas geladas.
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As noites são dedicadas à observação da aurora. Guias monitoram previsões de atividade solar e cobertura de nuvens para definir os deslocamentos. “A aurora é um fenômeno natural, mas também parte da cultura local. Entender o que ela representa para os povos do norte amplia a experiência”, diz Roberta.
Com voos internos a partir de Estocolmo e oferta de hotéis e operadores especializados, Kiruna passa a integrar o mapa de quem planeja ver a aurora boreal em 2026 sem recorrer apenas aos destinos mais conhecidos do Ártico europeu.