Com visto facilitado, China passa a atrair mais brasileiros
Reservas de brasileiros quase dobram após isenção de visto e ampliação da malha aérea no ano passado
A China deixou de ser destino distante e passou a despertar interesse do viajante brasileiro. Dados da plataforma de experiências turísticas Civitatis, indicam que as reservas de brasileiros para o destino cresceram 91% em 2025.
O avanço é atribuído, principalmente, à isenção de visto para estadias de até 30 dias, à oferta de roteiros guiados em português e ao aumento da exposição do país nas redes sociais.

“A China deixou de ser um destino considerado difícil para o brasileiro”, afirma Alexandre Oliveira, country manager da Civitatis no Brasil. Segundo ele, a redução da burocracia e o ganho de previsibilidade —com serviços estruturados, idioma e logística mais clara— tornaram o país uma alternativa mais acessível para quem busca experiências fora do circuito tradicional.
Visto facilitado e novos voos para China
Um dos principais fatores por trás do aumento da demanda foi a flexibilização das regras de entrada. Desde 1º de junho de 2025, brasileiros podem viajar à China sem visto prévio para permanências de até 30 dias. A política, inicialmente temporária, foi estendida até dezembro de 2026.
A medida reduziu custos e simplificou o planejamento das viagens, contribuindo para mudar a percepção do destino. “Quando a burocracia diminui, o país entra com mais facilidade no radar do viajante”, diz Oliveira.

A conectividade aérea também tem papel relevante nesse movimento. Em 2024, a Air China retomou os voos entre o Brasil e Pequim, com escala técnica para abastecimento na Espanha. Atualmente, a companhia opera 13 voos mensais e cerca de 200 mil passageiros transportados em viagens de ida e volta entre os dois países em 2025.
Além disso, em junho do ano passado, a Hainan Airlines firmou um acordo de codeshare com a Air Europa, ampliando a integração de voos a partir de Madri para cidades da América Latina, entre elas São Paulo.
A ampliação das rotas e das parcerias contribuiu para reduzir o tempo de viagem e reforçar a presença da China como destino viável para o turista brasileiro.
Passeios guiados e em português lideram as reservas
Em 2025, os passeios mais reservados por brasileiros na China na Civitatis reforçam a preferência por passeios guiados, tanto em clássicos de Pequim quanto em experiências urbanas em Hong Kong, mas, principalmente, passeios em português.

Dos seis passeios mais reservados por brasileiros na plataforma, três contavam com acompanhamento de guias fluentes no idioma, como a excursão privada na Grande Muralha da China e o tour guiado completo de um dia em Pequim.
“A China é intensa, diferente e cheia de detalhes logísticos. O guia em português reduz a insegurança, ajuda a aproveitar melhor o tempo e deixa a experiência mais fluida, especialmente em atrações muito concorridas e onde é importante entender com profundidade sua história, como a Cidade Proibida e a Grande Muralha”, explica o country manager da Civitatis.
6 passeios mais reservados por brasileiros na China em 2025
- Excursão à Grande Muralha da China de Mutianyu
- Excursão privada a Grande Muralha da China com guia em português
- Top 3 de Pequim em um dia privado, com guia em português
- Ingresso da Disneyland Hong Kong
- Visita guiada pela Cidade Proibida
- Tour privado por Hong Kong com guia em português
Relação Brasil-China fortalece o turismo entre os dois países
O crescimento do interesse dos brasileiros pela China em 2025 acontece em sintonia com um movimento mais amplo de aproximação cultural e diplomática entre os dois países.
Em julho, o Ministério do Turismo do Brasil (MTur) e a Embaixada da China firmaram um acordo para fortalecer a cooperação no setor de turismo, com ações voltadas à promoção de destinos, intercâmbio cultural e campanhas conjuntas.
Um dos marcos dessa parceria foi a oficialização de 2026 como o “Ano da Cultura Brasil-China”, que contará com eventos temáticos nos dois países e esforços para estimular o fluxo turístico bilateral.
Também estão em discussão iniciativas voltadas à criação de rotas turísticas integradas entre países dos BRICS, incluindo Brasil e China, como forma de ampliar o acesso a novos mercados e diversificar os destinos procurados por viajantes.