Como a Disney cria seus shows ao vivo nos parques

Diretor criativo Tom Vazzana explica como roteiro, tecnologia e testes dão origem aos shows ao vivo da Disney

08/03/2026 01:54

Os shows ao vivo fazem parte da programação diária dos parques da Disney. Desfiles, musicais e apresentações com personagens são criados por equipes que reúnem roteiristas, engenheiros, diretores e coreógrafos. O objetivo é transformar histórias icônicas do cinema em experiências presenciais para o público.

Grande parte desse trabalho é conduzida pela equipe de Tom Vazzana, diretor de desenvolvimento criativo do Walt Disney Imagineering, divisão responsável por conceber atrações, áreas temáticas e experiências nos parques da companhia.

Tom Vazzana, iretor de desenvolvimento criativo do Walt Disney Imagineering
Tom Vazzana, iretor de desenvolvimento criativo do Walt Disney Imagineering - Márcio Diniz/Catraca Livre

 

É o grupo de Tom que define qual história será contada, quais personagens participam e qual será o formato da apresentação. A partir desse conceito inicial, o projeto passa por diferentes áreas até chegar ao palco.

A Catraca Livre esteva na última quarta-feira, 4, no escritório da Disney na zona sul de São Paulo para uma conversa com Tom, que falou sobre sua carreira, processo de criação e futuras atrações, como Bluey e Bingo, que estreia no segundo semestre  no Disney’s Animal Kingdom, em Orlando.

A história orienta o projeto

O ponto de partida para qualquer show é a narrativa, explica Tom, que já foi ator da Broadway no início de carreira. A equipe criativa define a estrutura da apresentação, os momentos musicais e a participação dos personagens. O objetivo é adaptar histórias do cinema para um formato que funcione diante do público.

Tom explica como a Disney cria os shows ao vivo dos parques
Tom explica como a Disney cria os shows ao vivo dos parques - Márcio Diniz/Catraca Livre

Segundo Tom Vazzana, a tecnologia é incorporada aos espetáculos apenas depois que a história está definida. “Não usamos tecnologia para substituir a história. Primeiro vem o storytelling”, afirmou o diretor ao comentar como são planejadas as apresentações nos parques.

A partir do roteiro, diferentes áreas passam a trabalhar juntas no desenvolvimento do espetáculo. Coreógrafos, diretores musicais e designers definem como os personagens aparecem em cena e como o público acompanha a narrativa.

Tecnologia e engenharia no palco

Depois da etapa criativa, o projeto passa a envolver engenheiros e especialistas em efeitos especiais. Sistemas de iluminação, projeção digital, automação de cenários e equipamentos robóticos podem ser incorporados às apresentações.

Essas tecnologias ajudam a criar mudanças rápidas de cenário, movimentos coreografados e efeitos visuais durante o espetáculo. Em alguns casos, projeções digitais transformam o palco em diferentes ambientes ao longo da história.

Depois da fase de desenvolvimento técnico, os espetáculos entram em um período de ensaios. Atores, dançarinos e operadores treinam as sequências coreográficas e os momentos de interação com efeitos especiais.

Os ensaios incluem testes de segurança, ajustes de iluminação e sincronização entre música, movimentos e cenários. Em alguns casos, apresentações de teste são realizadas antes da estreia oficial para avaliar o funcionamento do espetáculo.

Esse processo pode levar meses até que o show seja incorporado à programação regular do parque.

Encontro com os personagens

Para Tom Vazzana, o momento mais importante da visita nem sempre estão ligados às atrações mais complexas. Interações simples entre visitantes e personagens continuam sendo um dos pontos centrais da experiência.

Apesar de a tecnologia estar cada vez mais presente nos parques, o diretor diz que é esse momento de interação entre os familiares e nos encontros com os personagens que faz a diferença. “Quando uma criança encontra um personagem e cria uma conexão que vai além do que eu consigo explicar, eu choro”, disse.

Segundo ele, essas reações ajudam a orientar decisões criativas na produção de novos espetáculos e experiências.

Novo desfile noturno Disney Starlight

Entre os projetos recentes da Disney Live Entertainment, Tom destacou o desfile “Disney Starlight: Dream the Night Away”, apresentado no parque Magic Kingdom, na Flórida. O espetáculo estreou oficialmente em 20 de julho de 2025 e marcou o retorno de uma parada noturna regular ao parque após quase uma década.

O projeto também seguiu a dinâmica de trabalho baseada em colaboração entre diferentes equipes criativas. Segundo Tom Vazzana, o desenvolvimento começou com um direcionamento geral para os times responsáveis pelo espetáculo.

“Eu coloco equipes juntas. Digo: quero um desfile noturno. Precisa ter luzes, precisa ter relevância, precisa ter uma grande trilha sonora. E então digo: vão.”

Após os primeiros dias de trabalho, as ideias são apresentadas e passam por um processo de refinamento. O diretor criativo afirmou que essa etapa envolve selecionar conceitos e organizar as propostas desenvolvidas pelas equipes.

“Após dois dias intensos de trabalho, as ideias são refinadas. Essa é a beleza do meu trabalho. Eu posso curar.” Segundo ele, o objetivo é manter todos os profissionais envolvidos no processo criativo, mesmo quando algumas propostas não avançam dentro de um projeto específico.

“Eu não acredito em jogar ideias fora. Eu acredito em realocar pessoas para outras equipes. Todo mundo traz valor.”

Diversidade e inclusão nos espetáculos

Outro tema presente no desenvolvimento dos shows é a ampliação da inclusão nas experiências oferecidas ao público. Segundo Tom Vazzana, a equipe de entretenimento dos parques tem discutido formas de tornar os espetáculos acessíveis para mais visitantes.

O diretor reconhece que parte das produções atuais ainda não atende plenamente a todos os públicos. “Defendemos a diversidade em nossos shows. Defendemos múltiplos idiomas em nossos espetáculos. E ainda temos um longo caminho pela frente”, afirmou.

Entre as iniciativas em discussão está a criação de apresentações com estímulos sensoriais reduzidos. A proposta é oferecer versões mais tranquilas de algumas experiências para visitantes que podem ter dificuldade com sons intensos ou ambientes muito estimulantes.

“Neste momento, estou tentando promover, junto com nosso vice-presidente David Duffy, shows que sejam menos sensoriais para alguns jovens que precisam de uma experiência um pouco mais tranquila. Nossos shows costumam ser muito barulhentos. Queremos ajudar. Queremos incluir todo mundo”, disse.