Como é e quanto custa fazer um cruzeiro pelo Golfo Arábico no MSC Euribia

Roteiro parte de Dubai e inclui paradas em Doha, Bahrein, Abu Dhabi e ilha privativa que é um santuário

22/02/2026 16:50

Engana-se quem pensa que fazer um cruzeiro pelo Golfo Arábico custa uma fortuna. Em comparação com alguns destinos badalados no Brasil, como Fernando de Noronha, a viagem pode sair mais acessível do que muitos brasileiros imaginam.

Associado ao luxo e a altos custos, destinos como Dubai (Emirados Árabes Unidos), Bahrein e Doha (Qatar) começam a entrar no radar de um público mais amplo em busca de novas experiências, especialmente cruzeiristas experientes.

A MSC Cruzeiros oferece pacote completo pelo Golfo Arábico para brasileiros
A MSC Cruzeiros oferece pacote completo pelo Golfo Arábico para brasileiros - Márcio Diniz/Catraca Livre

A mudança tem relação com a oferta de pacotes integrados da MSC Cruzeiros, uma das maiores companhias marítimas do mundo, que passou a oferecer um produto bem acessível e feito sob medida ao bolso dos brasileiros –passagens aéreas de ida e volta, transfers, hospedagem em hotel e cruzeiro em um único produto, com valores mais competitivos do que os tradicionalmente associados à região.

Assim como na América do Sul, a temporada de cruzeiros no Golfo Arábico ocorre de novembro a abril, período de clima mais ameno na região. A Catraca Livre fez o roteiro no final de dezembro e conta abaixo como foi a experiência que tem atraído brasileiros e argentinos.

Antes do embarque no MSC Euribia

Conhecer o Golfo Arábico (também chamado de Pérsico) estava na minha “wish list”. O meu “debut” na região ocorreu uma semana antes do Natal. Para quem me acompanha aqui na Catraca Livre sabe que gosto deste tipo de viagem.

MSC Euribia atracado no porto de Abu Dhabi
MSC Euribia atracado no porto de Abu Dhabi - Márcio Diniz/Catraca Livre

A MSC Cruzeiros oferece duas opções de porto de embarque para brasileiros na região, Dubai e Doha. Em ambos, os voos ocorrem a partir do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, com a Emirates ou a Qatar Airways. Para a próxima temporada, haverá saídas do Rio de Janeiro.

Além do grupo de jornalistas e influenciadores convidados, haviam outros brasileiros que também fariam o cruzeiro a bordo do MSC Euribia. Depois de pouco mais de 14 horas de voo no Airbus A380 da Emirates, desembarcamos no fim da noite em Dubai. De lá, seguimos para o ibis One Central, hotel de categoria três estrelas localizado na área financeira da cidade. A hospedagem está incluída no pacote.

O roteiro pelo Golfo Arábico ocorre no MSC Euribia
O roteiro pelo Golfo Arábico ocorre no MSC Euribia - Márcio Diniz/Catraca Livre

O hotel dispõe de uma pequena loja de conveniência para refeições rápidas. Também é possível pedir delivery por aplicativos como Talabat, Careem, Deliveroo e Noon Food —não há iFood— ou caminhar até um McDonald’s nas proximidades.

No dia seguinte, após o café da manhã, um ônibus fretado buscou os passageiros no hotel e seguiu para o terminal de cruzeiros do Porto Rashid. O nosso grupo partiu para um breve tour pela cidade e embarcamos no fim da tarde.

O processo de check-in foi rápido e organizado. O terminal é moderno e preparado para receber um grande volume de passageiros –MSC Euribia transporta mais de 6.000 pessoas em capacidade máxima–, com amplos espaços de espera e lojas de souvenires e café.

Check-in da MSC no terminal de cruzeiros do Porto Rashid
Check-in da MSC no terminal de cruzeiros do Porto Rashid

Desde o desembarque no aeroporto até o embarque no navio, todo o processo é acompanhado por um representante da MSC Cruzeiros orientando os passageiros. O que facilita a vida do hóspede que não domina o inglês. Além de Dubai, o cruzeiro inclui escalas em Abu Dhabi e na ilha de Sir Bani Yas, nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Doha, no Qatar.

Em cada escala do cruzeiro há oportunidades para excursões ou passeios independentes.

Como é o roteiro da MSC Cruzeiros pelo Golfo Arábico

Dubai: ponto de partida e retorno

O cruzeiro pelo Golfo Arábico parte e termina em Dubai, uma das maiores cidades dos Emirados Árabes Unidos e importante hub da temporada de inverno de cruzeiros no Oriente Médio, que vai de novembro a abril.

Museu do Futuro, uma das paradas do tour por Dubai
Museu do Futuro, uma das paradas do tour por Dubai - Márcio Diniz/Catraca Livre

Dubai combina áreas urbanas com centros comerciais e opções turísticas que incluem passeios pela orla, vistas da impressionante Burj Khalifa e de bairros históricos. Para viajantes vindos do Brasil, a cidade representa o primeiro contato com a região antes do navio partir rumo às demais paradas.

O primeiro dia costuma ser dedicado a saídas organizadas pela própria companhia ou a deslocamentos independentes até os principais pontos da cidade. Entre os passeios recomendados estão visitar o Burj Khalifa, com acesso ao mirante a mais de 450 metros de altura, o Dubai Mall e o Museu do Futuro. Há também passeios panorâmicos que passam pela Marina, Palm Jumeirah e áreas tradicionais próximas ao Creek.

Falarei mais sobre Dubai abaixo, já que fizemos uma pernoite no navio e passeios último dia de cruzeiro.

Doha e seus contrastes arquitetônicos

Ao desembarcar no porto de Doha, capital do Qatar, o visitante já é recebido com uma infraestrutura moderna e surpreendente. O terminal conta com áreas climatizadas, serviços de apoio e até um aquário gigante, que impressiona logo na chegada e dá o tom da experiência: uma cidade preparada para receber turistas com conforto e sofisticação. Essa recepção é apenas o início de uma jornada que revela os contrastes e encantos da capital do Qatar.

A estrutura não é apenas funcional, mas também simbólica, pois mostra como Doha se preparou para ser um destino turístico de alto padrão. O porto conta com serviços de apoio, áreas climatizadas e espaços de lazer, garantindo que o início da excursão seja tão agradável quanto os passeios pela cidade.

Doha é uma cidade que encanta justamente por seus contrastes. Vistos de longe, hoje predominam os arranha-céus modernos que desenham um horizonte futurista. No entanto, sua história revela um passado muito mais simples: quando fundada em 1820, Doha era apenas um pequeno vilarejo na costa do Golfo Pérsico, com economia baseada na pesca e no comércio de pérolas.

Doha encanta justamente por seus contrastes entre o moderno e o passado
Doha encanta justamente por seus contrastes entre o moderno e o passado - Márcio Diniz/Catraca Livre

No início, as construções eram feitas de barro, madeira, pedras e corais. Eram casas pequenas e artesanais, fruto da inventividade de um povo que enfrentava a extrema falta de infraestrutura. Esse cenário contrasta fortemente com a Doha atual, marcada por torres imponentes e projetos arquitetônicos de vanguarda.

Nossa primeira parada em Doha foi no Souq Waqif, mercado tradicional que preserva a atmosfera histórica da cidade. Suas vielas estreitas e movimentadas são repletas de lojas de especiarias, tecidos, perfumes e artesanato local, além de cafés e restaurantes que oferecem pratos típicos. Caminhar pelo Souq é mergulhar na essência cultural árabe, onde o cotidiano ainda guarda traços da Doha antiga.

Em contraste, a excursão também leva ao The Pearl, uma ilha artificial em forma de colar de pérolas, símbolo da sofisticação e do estilo de vida moderno. Com marinas luxuosas em estilo mediterrâneo, boutiques internacionais e restaurantes requintados, vilas e hotéis, o local mostra o lado cosmopolita da cidade e sua vocação para o luxo e a inovação, o que lhe rendeu o apelido de “Riviera Árabe”.

Crystal Walk, rua de 450 metros totalmente climatizada
Crystal Walk, rua de 450 metros totalmente climatizada - Márcio Diniz/Catraca Livre

A ilha é considerado um dos maiores empreendimentos imobiliários do Oriente Médio e abriga uma comunidade de mais de 50 mil residentes, a sua maioria estrangeiros.

Visitamos a recém-aberta Crystal Walk, uma rua de 450 metros totalmente climatizada, localizada na Gewan Island. O visitante caminha pela “floresta” sobre esculturas semelhantes a árvores que oferecem proteção contra a luz solar. O espaço que combina arte, arquitetura e lazer, com cafés, restaurantes e lojas de luxo.

Outro ponto imperdível é o Katara Cultural Village, um espaço dedicado às artes e tradições, que reúne teatros, galerias e restaurantes. Além de ser um polo cultural vibrante,  caminhar pelo local é sentir a atmosfera de um espaço que valoriza o diálogo entre culturas e promove a criatividade em todas as formas.

Katara Cultural Village abriga a primeira rua com ar-condicionado do mundo
Katara Cultural Village abriga a primeira rua com ar-condicionado do mundo - Márcio Diniz/Catraca Livre

Entre as curiosidades, está a primeira rua com ar-condicionado do mundo, construída justamente em Katara. Essa inovação mostra como Doha busca soluções criativas para oferecer conforto em meio ao clima árido da região, tornando a experiência de passear pelo local ainda mais agradável.

Uma das mesquitas do complexo Katara Cultural Village
Uma das mesquitas do complexo Katara Cultural Village - Márcio Diniz/Catraca Livre

Além disso, Katara é conhecido por sua arquitetura charmosa, que mistura elementos tradicionais árabes com design moderno. O anfiteatro ao ar livre, inspirado nos modelos clássicos, é um dos pontos mais fotografados, assim como a mesquita de Katara, decorada com mosaicos coloridos e detalhes refinados.

Também visitamos dois museus. O primeiro deles foi Museu de Arte Islâmica (MIA) é um dos grandes ícones culturais de Doha. Projetado pelo renomado arquiteto I. M. Pei, o edifício foi construído em uma ilha artificial na Corniche, de frente para o mar, justamente para transmitir a ideia de isolamento e contemplação. Sua arquitetura minimalista, marcada por linhas geométricas e volumes claros, foi inspirada em elementos tradicionais islâmicos, como a mesquita de Ibn Tulun, no Cairo.

O museu abriga uma das coleções mais importantes do mundo, com peças que representam mais de 1.400 anos de história e abrangem três continentes. Entre os destaques estão manuscritos raros, cerâmicas, joias e tecidos que revelam a riqueza artística e espiritual da tradição islâmica .

Área externa do Museu Nacional do Qatar
Área externa do Museu Nacional do Qatar - Márcio Diniz/Catraca Livre

Já o Museu Nacional do Qatar, inaugurado em 2019 e assinado pelo arquiteto francês Jean Nouvel, impressiona pela ousadia de sua forma. Inspirado na rosa do deserto, uma formação rochosa típica da região, sua estrutura é composta por discos entrelaçados que criam um efeito monumental e escultural. Mais do que um edifício, o museu é uma obra de arte arquitetônica que simboliza a identidade do país.

No interior, a narrativa conduz o visitante desde as origens do Qatar, passando pela vida tradicional baseada na pesca e no comércio de pérolas, até a transformação em uma nação moderna e rica em recursos energéticos. É uma experiência imersiva que combina história, cultura e tecnologia, tornando-se um dos espaços mais emblemáticos de Doha.

Para quem deseja explorar Doha por conta próprias, a MSC oferece serviços de ônibus que ligam o porto até Souq Waqif. O valor é de € 11 (adulto) e € 9 (crianças). Os ônibus estão disponíveis a cada 30 minutos, em média. O último parte do porto às 13h30 e do mercado às 16h30. O valor é cobrado automaticamente no cruise card.

Vista do skyline de Doha a partir da minha cabine no MSC Euribia
Vista do skyline de Doha a partir da minha cabine no MSC Euribia - Márcio Diniz/Catraca Livre

Bahrein antiga e moderna

O Bahrein é a nossa segunda escala do roteiro. Ao desembarcar na capital Manama, o visitante encontra um país que, apesar de pequeno em território, possui uma história milenar e uma identidade marcada pelo contraste entre tradição e modernidade.

MSC Euribia no porto de Bahrein
MSC Euribia no porto de Bahrein - Márcio Diniz/Catraca Livre

Conhecido como o “Reino dos Dois Mares” –nome que se refere às águas que circundam o arquipélago–, o Bahrein já foi um importante centro da civilização Dilmun, com mais de 5.000 anos de história, e hoje se destaca como uma nação moderna, cosmopolita e vibrante.

Logo no início, o roteiro leva ao imponente Qal’at Al-Bahrain, também conhecido como Forte do Bahrein. Patrimônio Mundial da UNESCO, o sítio arqueológico guarda vestígios da antiga civilização Dilmun, revelando camadas históricas que remontam a mais de 5.000 anos. Caminhar por suas ruínas é como viajar no tempo e compreender a importância estratégica do Bahrein ao longo dos séculos.

Outro ponto essencial é o Museu Nacional do Bahrein, que apresenta de forma organizada e envolvente a história e a cultura do país. Suas exposições incluem desde artefatos arqueológicos até registros da vida cotidiana, permitindo ao visitante compreender como o Bahrein evoluiu de uma sociedade tradicional baseada na pesca e no comércio de pérolas para uma nação moderna e cosmopolita.

A excursão também contempla a visita à Al Fateh Grand Mosque, uma das maiores mesquitas do mundo, capaz de receber até 7.000 fiéis.

@marciolcdiniz

0 "cântico" Daraa chamada à oraçãonas mesquitas échamado Adhan (ou Azan) Ele é recitado em árabe, de forma melodiosa, pelo muezim (almuadem), cinco vezes ao dia, para convocar OS muçulmanos paraasorações obrigatórias (Salat). @alfateh.bh AL-FATEH GRAND MOSQUE, BAHRAIN

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Construída com mármore italiano, madeira da Índia e vitrais da Áustria, a mesquita impressiona pela grandiosidade e pela beleza arquitetônica, além de ser um espaço de espiritualidade que reflete a identidade islâmica do país.

Área moderna da capital Manama
Área moderna da capital Manama - Márcio Diniz/Catraca Livre

Na parte moderna, o passeio segue pela capital Manama, onde arranha-céus reluzentes dividem espaço com mercados tradicionais. É nesse cenário que o visitante percebe o contraste entre o antigo e o novo, com edifícios icônicos como o World Trade Center Bahrain e áreas urbanas vibrantes que mostram o lado cosmopolita da cidade.

E, para os apaixonados por velocidade, não poderia faltar o Circuito Internacional do Bahrein, palco da Fórmula 1 no Oriente Médio. Inaugurado em 2004, o circuito foi projetado pelo arquiteto alemão Hermann Tilke e se tornou o primeiro da região a receber uma corrida oficial da categoria, colocando o Bahrein no mapa mundial do automobilismo.

Área do padock do autódromo de Bahrein
Área do padock do autódromo de Bahrein - Márcio Diniz/Catraca Livre

Com 5,412 km de extensão e 15 curvas, o traçado é considerado desafiador até para os pilotos mais experientes, pois combina trechos técnicos com longas retas que favorecem ultrapassagens. Além disso, o circuito possui diferentes configurações de pista, o que permite a realização de vários tipos de competições, como o World Endurance Championship (WEC) e provas de categorias regionais e internacionais.

Um dos grandes diferenciais é ter sido um dos primeiros circuitos da Fórmula 1 a introduzir corridas noturnas, realizadas sob potentes refletores que criam um espetáculo visual único no deserto. Essa inovação transformou o Grande Prêmio do Bahrein em um dos eventos mais aguardados do calendário da categoria, tanto pelos pilotos quanto pelos fãs.

Interior da sala de controle do Circuito Internacional do Bahrein
Interior da sala de controle do Circuito Internacional do Bahrein - Márcio Diniz/Catraca Livre

O complexo tem capacidade para cerca de 70 mil espectadores e foi construído com um investimento de aproximadamente 150 milhões de dólares, refletindo a ambição do país em se tornar referência mundial no esporte. Além das corridas, o circuito também oferece experiências para visitantes, como passeios guiados, kartódromo e eventos corporativos, tornando-se um espaço multifuncional que vai além das competições. O circuito também abrigado os testes da esquipes que antecedem a abertura da temporada. Outra curiosidade é que a McLaren é a única equipe com base no país.

Dia de navegação, dia de explorar o MSC Euribia

O quarto dia do cruzeiro foi de navegação. Aproveitei para explorar o MSC Euribia, o primeiro com casco temático e o segundo da frota da MSC Cruzeiros a ser movido a GNL, inaugurado em 2023. A embarcação, a terceira da classe Meraviglia-Plus, tem capacidade máxima para 6.334 passageiros, distribuídos em 2.419 cabines, sendo 60 para hóspedes com necessidades especiais ou mobilidade reduzida.

A Galleria Euribia abriga lojas, restaurantes de especialidade, bares e sorveteria
A Galleria Euribia abriga lojas, restaurantes de especialidade, bares e sorveteria - Márcio Diniz/Catraca Livre

Com 331 metros de comprimento e 19 decks, sendo 15 para hóspedes, o navio concentra áreas de lazer, gastronomia e entretenimento em uma estrutura verticalizada, padrão dos cruzeiros contemporâneos de grande porte.

A estrela do navio é a cúpula de LED que cobre uma área de 1.250 m² e se estende por uma promenade interna de 80 metros, conhecida como Galleria Euribia. É ali que se concentram restaurantes de especialidades, lojas (no estilo duty free) e o Jean-Philippe Chocolat & Café.

Interior da minha cabine no MSC Euribia
Interior da minha cabine no MSC Euribia - Márcio Diniz/Catraca Livre

Na parte gastronômica, o MSC Euribia conta com 10 restaurantes, dos quais cinco são de especialidades e exigem pagamento à parte. O principal ponto de alimentação é o Marketplace Buffet, localizado no deck 15. O espaço tem mais de 1.300 lugares distribuídos em cerca de 3.500 m² e funciona por 20 horas diárias, das 6h às 2h.

O bufê concentra as refeições incluídas na tarifa, do café da manhã às opções servidas após a meia-noite. Entre os itens disponíveis estão massas, saladas, pratos quentes e pizzas preparadas continuamente. A mozzarella de búfala é produzida a bordo todos os dias e integra a oferta regular do espaço.

Também é possível tomar café da manhã, almoçar e jantar em um dos cinco restaurantes à la carte –Il Campo, Colorado River, Green Orchid, Aurora Boreale e Aurora Borealis. É só ver o horário e qual deles  está no seu cruise card *cartão de cruzeiro).

Entre os restaurantes de especialidades do MSC Euribia estão o Hola! Tapas Bar, com cardápio assinado pelo chef espanhol Ramón Freixa, que tem uma estrela Michelin; o Le Grill, dedicado à culinária francesa; e o Kaito Teppanyaki & Sushi Bar, com preparações da cozinha japonesa feitas na frente dos passageiros.

O navio também tem 21 bares e lounges, sendo cinco ao ar livre, com uma variedade de especialidades, desde o refinado Champagne Bar até o Sky Lounge, somente para adultos e com uma vista panorâmica do oceano. O meu favorito é Master of the Seas, pub que reúne uma carta com mais de 30 rótulos de cerveja.

Já os apreciadores de vinho, o MSC Euribia abriga o Helios Wine Bar, único do tipo da frota da MSC Cruzeiros. O espaço reúne mais de 96 rótulos e oferece degustações guiadas por sommelier, em sessões de cerca de 40 minutos com quatro vinhos. A atividade tem custo adicional e não faz parte do pacote básico de bebidas.

Para quem não abre mão de um docinho ou café, o MSC Euribia reúne dois pontos dedicados ao tema. O Jean-Philippe Maury Chocolat & Café concentra cerca de 40 variedades de chocolates e biscoitos, enquanto o Crêpes & Gelato oferece 17 sabores de sorvetes e sorbets, além de dez versões de crepes preparados na hora.

Diversão a bordo

Para quem viaja em família, o MSC Euribia mantém áreas infantis com programação dividida em cinco faixas etárias –Baby Club Chicco Eco (0 a 3 anos); Mini Club (3 a 6 anos); Juniors Club (7 a 11 anos); Young Club (12 a 14 anos) e o Teens Lab (12 a 17 anos). As atividades são acompanhadas por monitores da companhia, permitindo que os responsáveis deixem as crianças no espaço durante parte do dia.

Entre as áreas voltadas ao público jovem, o MSC Euribia mantém o Teens Club Extra Space, com mesa de pebolim, jogos eletrônicos, simuladores de última geração, cinema XD imersivo e boliche. O navio também abriga o MSC Foundation Lab, espaço infantil com atividades educativas voltadas a temas ambientais.

O MSC Euribia tem cinco piscinas distribuídas pelos deques. A principal fica na área central e concentra parte das atividades ao ar livre. Além das piscinas externas e dos jacuzzis, o navio abriga a Bamboo Pool, espaço coberto com piscina e hidromassagens aquecidas.

Voltado ao público infantil, o Ocean Cay Aquapark reúne três toboáguas e áreas de recreação com água. O acesso também é permitido a adultos. As descidas podem ser feitas com boias individuais ou duplas e têm percurso curto. O parque funciona como alternativa de lazer durante os períodos de navegação.

O navio tem ainda teatro, cassino, lojas, MSC Aurea Spa, academia, pista esportiva e áreas de convivência distribuídas ao longo dos decks, com programação diária de shows e atividades noturnas.

Abu Dhabi, fé e velocidade

Na escala em Abu Dhabi, todos os passageiros são obrigados a descer do navio e fazer a imigração, mesmo aquelas que desejam permanecer a bordo. O não cumprimento é considerado infração penal e pode resultar em sanções severas ou multa de € 1.000.

Na moderna Abu Dhabi o nosso roteiro começou pela Mesquita Sheikh Zayed, considerada um dos principais marcos do emirado. O complexo, que inclui um pequeno shopping, é conhecido pelas salas de oração revestidas de mármore e pelos grandes lustres.

Área interna da bela Mesquita Sheikh Zayed
Área interna da bela Mesquita Sheikh Zayed - Márcio Diniz/Catraca Livre

O espaço reúne mais de 80 cúpulas e cerca de mil colunas, além de abrigar o que é descrito como o maior tapete feito à mão do mundo, com aproximadamente 5.700 m².

O espaço interno comporta até 40 mil fiéis, número que ultrapassa 100 mil pessoas quando incluídas as áreas externas, passarelas e jardins. A visita costuma ocorrer logo após o desembarque.

A ilha de Yas foi a nossa próxima parada em Abu Dhabi. Além do circuito da F-1, ela abriga o Ferrari World, parque temático coberto dedicado à fabricante italiana.

@marciolcdiniz

Formula Rossa, a montanha-russa mais rápida do mundo. Ela atinge uma velocidade máxima de 240 km/h em apenas 4,9 segundos.  #ferrariworld #abudhabi🇦🇪 #emiradosarabes ♬ som original - Márcio Diniz

A atração mais procurada é a Formula Rossa, montanha-russa que simula a aceleração de um carro de Fórmula 1. O percurso é curto e atinge a velocidade de 240 km/h em apenas 4,9 segundos, exigindo o uso de óculos de proteção fornecidos pelo parque.

ormula Rossa, montanha-russa que simula a aceleração de um carro de Fórmula 1
ormula Rossa, montanha-russa que simula a aceleração de um carro de Fórmula 1 - Márcio Diniz/Catraca Livre

Outra atração de grande movimento é a Flying Aces, com inversões e um dos loops mais altos entre parques indoor. Já a Mission Ferrari combina montanha-russa com trechos de tecnologia multimídia, alternando aceleração e projeções.

Para quem busca experiências menos intensas, o parque oferece simuladores de corrida, pista de kart, exposições de modelos históricos da marca, como  F1-2000 usado por Michael Schumacher, e áreas interativas sobre engenharia automotiva,. Há também atrações voltadas para crianças, com versões reduzidas de carros, carrosséis temáticos e espaços de recreação.

A estrutura inclui praça de alimentação e lojas oficiais, onde é possível adquirir produtos licenciados. O tempo disponível na escala costuma ser suficiente para duas ou três atrações principais, dependendo das filas, e uma rápida refeição.

Sir Bani Yas, um oásis “selvagem”

A escala em Sir Bani Yas funciona como um dia de praia com estrutura montada exclusivamente para os passageiros do cruzeiro. Diferentemente dos portos urbanos do roteiro, o acesso não é feito por terminal convencional. O desembarque ocorre diretamente em uma área dedicada da ilha, preparada para receber os hóspedes com serviços operados pela própria companhia.

A ilha de Sir Bani Yas, nos Emirados Árabes Unidos
A ilha de Sir Bani Yas, nos Emirados Árabes Unidos - Márcio Diniz/Catraca Livre

Na faixa costeira reservada aos cruzeiristas, a programação inclui atividades esportivas, como vôlei de praia, tênis de praia e stand up paddle, além de áreas para banho de mar e descanso em espreguiçadeiras.

A estrutura montada exclusivamente para os passageiros do cruzeiro
A estrutura montada exclusivamente para os passageiros do cruzeiro - Márcio Diniz/Catraca Livre

Há também bares, música e almoço servido em formato de churrasco ao ar livre, com bebidas disponíveis à parte. Crianças contam com espaço próprio e brinquedos infláveis, enquanto o MSC Aurea Spa monta uma estrutura temporária para massagens e tratamentos na praia.

A ilha foi transformada em reserva natural em 1977 pelo xeque Zayed bin Sultan Al Nahyan, que iniciou um projeto de reflorestamento com o plantio de milhões de árvores e a reintrodução de espécies ameaçadas da Península Arábica e da África. O território passou a abrigar mais de 15.000 animais como gazelas, órix e girafas. Sir Bani Yas também serve como ponto de travessia para outras ilhas, como a vizinha Delma.

Os animais ficam numa grande área protegida
Os animais ficam numa grande área protegida - Márcio Diniz/Catraca Livre

O passeio mais procurado é o safári em veículos 4×4, conduzido por guias do parque, que percorre trilhas internas da reserva. A observação da fauna ocorre a partir do carro, com paradas breves para fotos, seguindo regras de preservação ambiental.

O nosso grupo foi passar o dia no Desert Islands Resort & Spa by Anantara, um dos três hotéis  de luxo operados pela rede Minor Hotels.

Entre as atividades oferecidas em Sir Bani Yas, uma das opções é o day use no Desert Islands Resort & Spa by Anantara, localizado em outra área da ilha, fora da faixa de praia dedicada aos cruzeiristas. O empreendimento é um dos três hotéis de luxo da ilha operados pela rede Minor Hotels.

O acesso é feito por meio de excursão organizada, com transporte terrestre a partir do ponto de desembarque. O resort concentra parte da infraestrutura hoteleira de Sir Bani Yas e recebe visitantes que optam por um ambiente mais silencioso, com uso controlado das áreas comuns.

Área da piscina do Desert Islands Resort & Spa by Anantara
Área da piscina do Desert Islands Resort & Spa by Anantara - Márcio Diniz/Catraca Livre

O day use permite utilizar piscina, praia exclusiva, restaurantes e áreas de descanso do hotel durante o período da escala. O modelo é semelhante ao de um resort tradicional, com serviço de alimentação próprio e menor circulação de passageiros em comparação à área montada pela companhia marítima.

Enquanto a estrutura principal da escala concentra grande parte dos passageiros em atividades coletivas, o resort funciona como uma alternativa para quem busca menor movimento e acesso a instalações fixas. A escolha implica deslocamento adicional dentro da ilha, mas amplia o leque de opções além do safári e da praia operada pelo cruzeiro.

Última escala revela Dubai além dos arranha-céus

Dubai não é feita apenas de torres futuristas e shoppings gigantes. Na última parada do cruzeiro da MSC pelo Golfo Arábico, o roteiro revela um lado mais tradicional e cultural da cidade, começando pela chamada Velha Dubai.

Atravessar o Dubai Creek é um dos passeios icônicos em Dubai
Atravessar o Dubai Creek é um dos passeios icônicos em Dubai - Márcio Diniz/Catraca Livre

Nos bairros históricos de Al Fahidi e Deira, o cenário muda completamente: ruas estreitas, construções simples e os souks mais famosos do emirado. É ali que ficam o tradicional Mercado do Ouro, o Mercado das Especiarias e o Mercado de Utensílios, onde vale a pena pechinchar e observar o comércio local em pleno funcionamento.

Outro clássico é atravessar o Dubai Creek a bordo do abra, o barco tradicional de madeira que faz a travessia entre as duas margens por poucos dirhams —uma experiência simples, autêntica e indispensável.

@marciolcdiniz

Derivado da palavra árabe 'abara', que significa 'atravessar', o abra é um sistema de transporte ligado à história de Dubai. Esses barcos de madeira tradicionais transportam pessoas através do Dubai Creek há décadas, oferecendo um vislumbre do passado da cidade. Atualmente, esse icônico sistema de transporte aquático em Dubai está disponível em dois modelos: o tradicional, igual ao do vídeo, e embarcações mais modernas. #dubaicree #dubaiframe #travelforlife #emiradosarabes ♬ som original - Márcio Diniz

Para quem quer mergulhar ainda mais na cultura local, tivemos uma das experiências mais marcantes: um café da manhã no Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum Centre for Cultural Understanding.

O centro oferece uma experiência cultural única, com atividades como refeições tradicionais dos Emirados
O centro oferece uma experiência cultural única, com atividades como refeições tradicionais dos Emirados - Márcio Diniz/Catraca Livre

O programa combina gastronomia típica com uma conversa aberta com moradores, que explicam costumes, religião, vestimentas e curiosidades do dia a dia nos Emirados Árabes. É uma oportunidade rara de conhecer Dubai para além do turismo convencional.

A segunda parte do passeio foi um safári no deserto de Dubai, uma das atividades mais populares para quem visita a cidade. É uma experiência fantástica e uma ótima maneira de apreciar não só a majestade do deserto, mas também a vida selvagem nativa de Dubai.

Parada para contemplar o deserto de Dubai
Parada para contemplar o deserto de Dubai - Márcio Diniz/Catraca Livre

O nosso ponto de encontro foi no Frame Dubai. De lá seguimos num veículo 4×4 por cerca de uma hora de estrada até a entrada do deserto, onde a aventura começa. O passeio pelas dunas é emocionante e em alguns momentos a sensação é de que o carro vai virar.

Depois de muito sacolejo, paramos para contemplar o pôr do sol. Pausa para muitas fotos e contemplação. A experiência segue para um jantar no deserto, que inclui apresentações de danças típicas, como dança do ventre, tanoura (dança folclórica giratória) e espetáculos com fogo, e um bufê de pratos regionais.

Pôr do sol no deserto de Dubai
Pôr do sol no deserto de Dubai - Márcio Diniz/Catraca Livre

Sob um céu estrelado e longe das luzes da cidade, o jantar no deserto se transforma em uma experiência sensorial completa, combinando gastronomia, cultura e paisagens únicas —um encerramento inesquecível para o cruzeiro pelo Golfo Arábico.

Quanto custa o cruzeiro pelo Golfo Arábico?

O pacote completo da MSC Cruzeiros para o Golfo Arábico inclui passagens aéreas de ida e volta saindo do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, para Dubai, em voos da Emirates. Também está prevista uma noite de hospedagem na cidade antes do embarque, além dos traslados entre aeroporto, hotel, porto e o retorno ao aeroporto após o fim da viagem. A parte marítima corresponde a sete noites a bordo do MSC Euribia.

Roteiro do cruzeiro de 7 noites pelo Golfo Arábico
Roteiro do cruzeiro de 7 noites pelo Golfo Arábico - Reprodução

O roteiro parte de Dubai e percorre portos do Golfo, com paradas que normalmente incluem Abu Dhabi, a ilha de Sir Bani Yas e destinos no Catar e no Bahrein, dependendo da data escolhida.

Os preços variam conforme tipo de cabine (interna, sem varada, com varada, suítes ou MSC Yatch Club  e serviços incluídos. Os valores parte de R$ 11.452, por pessoa em cabine interna), ou em até 12 vezes sem juros de R$ 954.33.

O Carrossel Lounge, espeço só para adultos no MSC Euribia
O Carrossel Lounge, espeço só para adultos no MSC Euribia - Márcio Diniz/Catraca Livre

Outra opção é com embarque em Doha, no Qatar. O roteiro contempla passagens aéreas de ida e volta com saída de Guarulhos, em parceria com a Qatar Airways, duas noites de hospedagem no cinco estrela Souq Waqif Boutique Hotels by Tivoli antes do embarque, traslados privativos o cruzeiro de sete noites. Os valores partem de R$ 13.982, por pessoa em cabine interna, ou em até 12 vezes sem juros de R$ 1.165.17.

Membros do MSC Voyagers Club, programa de fidelidade da companhia, recebem alguns mimos durante a viagem
Membros do MSC Voyagers Club, programa de fidelidade da companhia, recebem alguns mimos durante a viagem - Márcio Diniz/Catraca Livre

Os valores costumam ser menores se comprados antecipadamente pelo site ou com agências de viagem. As excursões oferecidas a bordo pela MSC Cruzeiros variam de US$ 60 a US$ 150. Assim como pacote de bebidas e os restaurantes de especialidades, elas também podem ser compradas juntamente com o pacote em reais.

@marciolcdiniz

Até fim de março, o MSC Euribia faz roteiro de sete noites pelo Golfo Árabe, com embarques em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e Doha, no Catar #visitdubai #cruisetok #msccruzeiros #msccruises #arabgolf ♬ som original - Márcio Diniz

Para temporada 2026/2027, os roteiros pelo Golfo Pérsico serão a bordo do MSC World Europa.

Brasileiros não precisam de visto para entrar nos Emirados Árabes Unidos, apenas passaporte válido com no mínimo seis meses antes do prazo de validade. Passageiros que desembarcam em Dubai recebem, gratuitamente, um “sim card” com 10 gb para 24h de uso após ativado.