Conheça o ‘endiabrado’ Carnaval de Jujuy, na Argentina

As fantasias e alegorias são uma só: a do coisa-ruim

À primeira vista as montanhas coloridas de Jujuy sugerem uma provocação mais do que qualquer outra coisa. Algumas receberam nomes que evocam suas cores incomuns para uma montanha como: “A Paleta do Pintor”, “Montanha das Sete Cores”, “Los Colorados” e “El Horconal”.  E é nesse cenário pictórico que pede contemplação e silêncio que o diabo surge energizando os foliões durante o Carnaval dessa província a noroeste da Argentina.

Nada te prepara para o Carnaval de Jujuy
Créditos: Viramundo e Mundovirado
Nada te prepara para o Carnaval de Jujuy

Sempre se pode esperar algo diferente de um lugar. E Jujuy confirma isso não apenas na sua paisagem como também no Carnaval. As fantasias e alegorias são uma só: a do coisa-ruim. O que muda é a quantidade de chifres que variam de um a quatro, e o capricho nos bordados. No meu primeiro encontro com um desses capetas, me lembrei do filme “Totò all’inferno” quando esse artista cômico italiano pergunta ao danado por que ele tinha chifres. Quer saber a resposta? Assista o filme!

A folia se restringe nas Comparsas, como ali são chamados os blocos carnavalescos. Elas percorrem ruas e vielas dos vilarejos com casas construídas em adobe, entre eles Purmamarca, Volcán, Humahuaca, Tumbaya, Tilcara, todos alinhados na Quebrada de Humahuaca, um vale de 150 km de extensão limitado por montanhas coloridas.

O que varia nas máscaras dos diabos é a quantidade de chifres
Créditos: Viramundo e Mundovirado
O que varia nas máscaras dos diabos é a quantidade de chifres

As Comparsas se reúnem também no interior das casas. Ao som da banda musical, todos são convidados a entrarem no cordão carnavalesco que fica giravolteando pelos espaços. Os que assistem gostam de borrifar uma espuma pegajosa* e jogar talco nos foliões. Brincadeira simples da simplicidade da alma jujeña.

As Comparsas são como nossos blocos carnavalescos e muitas vezes a folia é realizada no interior das casas dos jujeños
Créditos: Viramundo e Mundovirado
As Comparsas são como nossos blocos carnavalescos e muitas vezes a folia é realizada no interior das casas dos jujeños

Há viagens que nos deixam presas nelas para sempre. O Carnaval de Jujuy com seus demônios foi uma delas.

Sem dúvida o Carnaval é festa de todos
Créditos: Viramundo e Mundovirado
Sem dúvida o Carnaval é festa de todos

*Cuidado: muitos desses sprays são inflamáveis

Considere quando ir

A paisagem cultural da Quebrada de Huamahuaca é o que distingue Jujuy

Onde ficar

Hotel em San Salvador de Jujuy: Augustus Hotel (www.hotelaugustus.com.ar).

Na Quebrada de Humahuaca, optei por ficar na cidade de Tilcara, no Hotel El Reposo del Diablo, (www.reposodeldiablo.com). Quartos bem decorados, espaçosos ao redor de um bem cuidado jardim.

Onde comer

Em San Salvador de Jujuy, para ter uma experiência gastronômica dos pretos jujeños, a pedida é o chef Eduardo Arraya do Los Nogales, RP4, Villa Jardin de Reys, ou Restaurante Callas.

Em Tilcara, nosso restaurante preferido foi o do hotel Reposo del Diablo. Sua gastronomia privilegia produtos regionais que entram no preparo de empanadas, dulce de cayote, tortilhas al rescoldo, etc

Em Purmamarca, a escolha foi perfeita: o Restaurante Tierra de Colores, rua Libertad s/n. Especialidade em assados de cordeiro, de lhama, e pratos típicos locais a base de quinoa, milho e queijo de cabra.

Outra boa dica em Purmamarca são os petiscos da tradicional cozinha criolla andina servidos na barraquinha de rua da chef Tere Sarmiento

Compras

A sugestão são ponchos, malhas e tapetes coloridos encontrados nas feiras artesanais dos lugarejos, alguns feitos em teares manuais, em geral com bons preços.

Por Heitor e Silvia Reali

Em parceria com Viramundo e Mundovirado

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