É própria para banho? Ranking revela as praias mais buscadas pelos brasileiros

Litoral de SP concentra 7 das 10 praias que mais geram dúvida quanto ao nível de sujeira

02/02/2026 13:33

No verão, o litoral volta a concentrar grande fluxo de turistas em busca de lazer. Em parte das praias brasileiras, porém, a balneabilidade varia ao longo do ano, o que exige atenção prévia às informações sobre a qualidade da água.

O tema tem gerado dúvidas recorrentes entre visitantes e moradores, sobretudo em relação a quais trechos estão próprios para banho.

Praia do Lázaro, em Ubatuba, no litoral norte de SP, está entre as mais buscadas
Praia do Lázaro, em Ubatuba, no litoral norte de SP, está entre as mais buscadas - Uwe-Bergwitz/iStock

Esse interesse aparece também nas buscas na internet. Levantamento da Descarbonize Soluções, empresa voltada a energia solar e sustentabilidade, aponta que as pesquisas pela expressão “quais praias estão impróprias para banho?” cresceram 243% no último ano.

A análise considerou dados de buscas online e identificou os locais que mais despertam questionamentos dos brasileiros quando o assunto é a qualidade da água do mar.

É própria para banho?

Entre as mais buscadas, o litoral do estado do Rio de Janeiro se destaca com 6 das 10 praias mais pesquisadas, além de concentrar o top 3 do ranking. De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), o estado monitora 291 pontos em 197 praias.

A praia do Flamengo, que ocupa a primeira posição, atualmente apresenta um cenário heterogêneo: possui dois trechos monitorados, sendo um próprio e outro impróprio para banho, conforme dados dos INEA.

Na sequência, aparecem a praia de Botafogo, classificada como impróprio, e Icaraí, em Niterói, onde três das quatro regiões estão avaliadas como inadequadas. O ranking também inclui praias de Alagoas, Fortaleza, Florianópolis e São Paulo, mostrando que a preocupação se espalha por diferentes regiões do país.

Abaixo, é possível conferir o ranking completo com as dez praias que mais geram dúvida sobre terem o mar próprio para banho.

Praias limpas: por que isso importa?

O verão marca o período de alta temporada no litoral e, como consequência, também o aumento do lixo deixado nas praias. Embora nem todos os banhistas descartem resíduos de forma inadequada, muitos não se preocupam com o destino dos resíduos.

O cenário brasileiro é especialmente preocupante: segundo o relatório “Fragmentos da Destruição”, da Oceana, organização focada na conservação dos oceanos, o país despeja cerca de 1,3 milhão de toneladas de plástico nos mares todos os anos. O volume coloca o Brasil como o maior poluidor marinho da América Latina e entre os dez maiores do mundo.

Nesse contexto, a busca por informações sobre praias consideradas mais limpas cresce no ambiente digital. Nesse cenário, a região Sudeste concentra o maior volume de pesquisas, com destaque para o litoral paulista, que ocupa 7 das 10 posições no ranking.

Perequê-Açu, em São Paulo, lidera o ranking, seguida por Itacuruçá, no litoral fluminense (4.290), e Itanhaém, também em São Paulo (4.220). As demais praias estão localizadas no estado do Rio de Janeiro.

“Mais do que uma questão estética, o descarte incorreto de resíduos além de comprometer a qualidade da água e afetar a saúde pública, desequilibra o ecossistema e coloca em risco a segurança dos banhistas. Além disso, o descuido com as praias tem o poder de afastar turistas, o que pode impactar na economia de algumas cidades litorâneas”, diz Milena Andrade, gerente de marketing da Descarbonize Soluções.

Por que as praias ficam impróprias para banho?

O interesse em entender o problema também cresceu: nos últimos 12 meses, as buscas pela pergunta “por que as praias ficam impróprias para banho?” aumentaram em 21%, o que demonstra um desejo dos brasileiros em compreender os fatores que comprometem a balneabilidade da água.

Segundo os critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), na resolução número 274/2000, as praias são classificadas em duas categorias: “própria” e “imprópria”. Essa classificação é feita de acordo com a concentração de bactérias fecais observada em análises feitas em cinco semanas consecutivas ou quando a última coleta ultrapassa o dobro dos valores permitidos. A coleta segue um padrão nacional: é semanal e realizada sempre no mesmo ponto, para garantir comparabilidade.

Quando os níveis dessas bactérias excedem os limites estabelecidos, a praia é considerada imprópria para banho, pois a presença desses microrganismos está associada ao despejo de esgoto doméstico sem tratamento, resíduos urbanos e águas contaminadas, que podem representar riscos à saúde dos banhistas, como infecções gastrointestinais, dermatológicas e respiratórias.

Além disso, uma praia também pode ser classificada como imprópria em outras situações como: a presença de óleo devido a derramamentos de petróleo, a ocorrência de maré vermelha, floração de algas potencialmente tóxicas ou surtos de doenças transmitidas pela água.

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) orienta aos banhistas para evitar o banho de mar nas primeiras 24 horas após chuvas intensas, especialmente em áreas próximas à saída de canais ou galerias de águas pluviais.

Metodologia da pesquisa

Os dados utilizados na pesquisa foram levantados a partir da identificação das buscas no Google para os termos relacionados à “praia limpa”, “praia imprópria para banho” e “praia própria para banho”.

As buscas online correspondem ao período de novembro de 2024 a dezembro de 2025, sendo os dados mais recentes disponibilizados pelas plataformas do Google no momento em que a pesquisa foi realizada.