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Espanha: roteiro essencial para winelovers

Dicas de vinícolas, restaurantes e passeios nas regiões de Ribera del Duero e Rioja

Por: Andreia Berthault

A Espanha é um verdadeiro paraíso para winelovers. Sua produção de vinhos está espalhada pelos quatro cantos do país, com uma diversidade ímpar. Porém, duas regiões se destacam como as grandes estrelas: Ribeira del Duero e Rioja.

A região de Ribera del Duero, casa dos famosos produtores Vega Sicília e Dominio de Pingus, cresceu exponencialmente desde seu reconhecimento como Denominação de Origem em 1982 e, hoje, é mundialmente reconhecida pelos seus vinhos tintos encorpados feitos da uva Tempranillo (também chamada de Tinto Fino ou Tinta del Pais).

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Crédito: Andreia Berthault Fachada da bodega Ysios, em Rioja Alavesa (Espanha), aos pés da Serra Cantabria

Além dos vinhos espetaculares, Ribera é cortada por lindas paisagens e possui uma gastronomia de dar água na boca.  É de deixar qualquer “wine mochileiro” perdidamente apaixonado.

A principal cidade da região se chama Valladolid. No entanto, é a cidade de Peñafiel ––a 2 horas de carro de Madri-– que costuma abrigar os amantes de vinho de plantão, devido à sua maior proximidade com os principais pontos de interesse.

Crédito: DivulgaçãoO Hotel Pesquera AF, que organiza as famosas noites de “Vinhos e Tapas” 

O Hotel Pesquera AF é um dos queridinhos para hospedagem, não só pela localização e serviço, mas também pela importância histórica da bodega de mesmo nome. Seu fundador, Alejandro Fernandez, foi fundamental para o reconhecimento de Ribera del Duero como Denominação de Origem, uma vez que foi o sucesso internacional do vinho tinto Pesquera, nos anos 1980, que atraiu grandes investimentos para a área.

As famosas noites de “Vinhos e Tapas” na enoteca do Hotel Pesquera AF, às sextas e sábados, são perfeitas para conhecer tais vinhos que fizeram história.

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Crédito: Andreia Berthault Fachada da Abadia Retuerta

Cada bodega tem sua história e seus encantos, mas nem todas aceitam visitas. As principais (e imperdíveis) bodegas abertas ao público são Abadía Retuerta, Aalto, Emilio Moro e Arzuaga*.  Todas exigem agendamento prévio e seus horários de funcionamento variam dependendo da época do ano.

A visita na Abadia Retuerta é uma aventura. Após passear pelos vinhedos em um Jeep 4×4, você é surpreendido pelas artes e arquitetura da casa principal e, na sequência, pela tecnologia aplicada nos processos de elaboração dos vinhos. O passeio termina com uma degustação de vinhos maravilhosos. Separe 2 horas para essa atividade.

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Crédito: Andreia Berthault A Bodegas Aalto tem arquitetura moderna e grandiosa

Desde a porta de entrada da Bodegas Aalto é possível perceber o projeto ambicioso que é desenvolvido no local, com arquitetura moderna e grandiosa. A visita guiada é breve e o grande destaque é a degustação dos dois principais rótulos da bodega, ambos magníficos. Reserve 1 hora e meia para esse passeio.

A bodega Emilio Moro tem o melhor wine bar da região, perfeito para passar algumas horas aproveitando vinhos excepcionais e vendo a vida passar. Enquanto a Arzuaga conta com o melhor restaurante, o estrelado Michelin Taller Arzuaga. O menu harmonizado é uma verdadeira experiência dos sentidos. Reserve 3 horas da sua noite para aproveitar cada garfada. Mas cuidado: a reserva do restaurante deve ser feita com bastante antecedência.

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Crédito: Andreia Berthault Fachada do restaurante, estrelado Michelin Taller, na Bodega Arzuaga

Por mais estranho que possa parecer, não é só de bodegas que vive o turismo de Ribera del Duero. Lá você também pode encontrar atividades culturais que vão adicionar um quê especial à viagem.

Uma delas é o Castillo de Peñafiel, que conta com uma vista inigualável da cidade, um museu dedicado exclusivamente ao vinho e um tour guiado pelas suas instalações, que termina com uma degustação de vinhos. Um passeio delicioso e completo que leva em média 3 horas.

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Crédito: Andreia Berthault A bodega Emilio Moro tem o melhor wine bar da região

Se for visitar o Castillo pela manhã, aproveite para almoçar no restaurante Asados Mauro, ao pé do Castelo. O cordeiro na brasa é fora de série.

Crédito: Andreia Berthault O imponente castelo de Peñafiel, na na província de Valladolid

Outra atividade cultural imperdível é a fascinante cidade de Aranda de Duero, que fica a 30 minutos de carro de Peñafiel e merece um dia todo só para ela. Seu maior diferencial é o fato de ser permeada por túneis e adegas subterrâneas dos séculos 13 a 18, que podem ser visitados e proporcionam uma verdadeira viagem no tempo.

Crédito: Andreia Berthault Os túneis e adegas subterrâneas em Aranda de Duero

Ainda em Aranda, vale a pena conhecer a linda igreja de Santa Maria de estilo gótico isabelino, almoçar no restaurante El Lagar de Isilla e fazer compras na loja de vinhos Don Carlos, que conta com um cofre secreto de vinhos especiais e entrada para as tais adegas subterrâneas.

Crédito: Andreia Berthault A linda igreja de Santa Maria, em Aranda de Duero

Outra opção interessante de passeio é pegar 1 hora de estrada até a cidade de Rueda para passar o dia e conhecer seus deliciosos vinhos brancos feitos da uva Verdejo. Se puder, aproveite para visitar a Bodega José Pariente. Além dos seus vinhos colecionarem prêmios internacionais, é uma bodega 100% comandada por mulheres.

Crédito: Andreia Berthault Fachada da bodega José Pariente, uma das mais famosas da Espanha

A 2 horas e meia de carro de Peñafiel está a cidade de Logroño, a principal cidade da região vinícola mais famosa da Espanha, a espetacular Rioja, casa de alguns dos produtores mais famosos do mundo, como Marqués de Riscal, Marqués de Murrieta, López de Heredia, dentre outros.

A região de Rioja despontou sua produção de vinhos no final do século 19, quando, por causa da destruição dos vinhedos franceses pela praga filoxera, os mercadores se deslocaram para a Espanha em busca de vinhos. Não é à toa que as primeiras bodegas de Rioja foram fundadas perto de uma estação de trem (no chamado Barrio de la Estación), pois, assim que os vinhos ficavam prontos, eram diretamente despachados para venda**.

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Com o tempo, Rioja se expandiu e modernizou. Atualmente é muito bem estruturada, especialmente em termos turísticos. O contraste entre modernidade com a paisagem bucólica repleta de vinhedos é impressionante.

Tal como em Ribera del Duero, a principal uva tinta de Rioja é a Tempranillo. Só que, em geral, os vinhos de Rioja tendem a ser mais delicados do que os potentes vinhos de Ribera.

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As cidades de Logroño, Laguardia e Haro possuem muitas opções de hospedagem, nos mais variados estilos e preços. Mas os winelovers de carteirinha costumam se hospedar na pequena cidade de Elciego, onde estão os queridinhos Hotel Viura e Hotel Marquês de Riscal. Tenha em mente que Elciego é para quem quer sossego e luxo – para aqueles que buscam mais agito, melhor ficar nas outras cidades.

Crédito: Andreia Berthault O estilo Hotel Marquês de Riscal, na cidade de Elciego

Independentemente da cidade na qual você decida se hospedar, reserve pelo menos uma noite para conhecer a famosa Calle Laurel, rua gastronômica em Logroño. Você vai se sentir um local. A sugestão é jantar no restaurante Kabanova e conhecer o Wine Fandango.

As principais (e imperdíveis) bodegas abertas ao público são Castillo de Cuzcurrita, Baigorri, Luis Cañas, Vivanco, Remírez de Ganuza, Marqués de Riscal, Marqués de Murrieta, Izadi, Ysios e La Rioja Alta[3]. Todas exigem agendamento prévio para visitas e seus horários de funcionamento também variam dependendo da época do ano.

Crédito: Andreia Berthault Espaço aberto da bodega Castillo de Cuzcurrita, em Logroño

A visita no Castillo de Cuzcurrita é surpreendente. O castelo é uma construção do século 14, cercado por muros e lindos jardins. O passeio pelos vinhedos mais altos –-onde uvas brancas Viura são cultivadas– rende uma das vistas mais belas de Rioja. A bodega ainda é repleta de obras de arte, dentre elas, um Andy Warhol original. Como é de se esperar, o passeio termina com a degustação de dois vinhos fantásticos. Separe 3 horas na sua agenda para aproveitar esse passeio.

Crédito: Andreia Berthault Degustação na bodega Baigorri

A bodega Baigorri teve sua arquitetura pensada nos mínimos detalhes para a produção de vinhos. A bodega possui sete andares, sendo que –exceto pela entrada de vidro– todos são subterrâneos. O grande destaque da visita é o almoço com degustação de vinhos. A qualidade da gastronomia e do atendimento é digna de 5 estrelas. Reserve 2 horas para ter essa experiência gastronômica.

Crédito: Andreia Berthault A bodega Luis Cañas tem vinhos com preços bem acessíveis 

A bodega Luis Cañas transparece uma essência familiar. Além dos ótimos vinhos a preços muito interessantes, a visita também impressionou por proporcionar a experiência única de provar o mesmo vinho envelhecido em barricas de diferentes carvalhos (americano e francês). Excelente exercício para apurar o paladar. Serão necessárias 2 horas para essa atividade.

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Crédito: Andreia Berthault  Marquês de Murrieta é uma das bodegas que oferecem visitas guiadas

A Vivanco é uma verdadeira imersão na cultura do vinho. Além da visita à bodega, também é possível visitar um museu de 3 andares exclusivamente dedicado à bebida, almoçar no restaurante com vista para os vinhedos e passear na loja com wine bar. Os preços dos vinhos e do restaurante são um ótimo custo-benefício. Para a visita completa, reserve 4 horas. Para museu e almoço, 3 horas são suficientes.

As bodegas Remirez de Ganuza, Marquês de Riscal, Marquês de Murrieta, Izadi, Ysios e La Rioja Alta também oferecem visitas guiadas, mas o ponto forte delas é o wine bar. São bem estruturados e não exigem reserva prévia.

Crédito: Andreia Berthault  Degustação de vinhos na bodega Izadi, em Rioja Alavesa

Outras considerações quanto a essas bodegas são: a Remírez de Ganuza é a mais intimista; a Marqués de Riscal é um clássico da arquitetura; a Marquês de Murrieta oferece a melhor degustação premium; a Izadi possui os melhores vinhos de preço médio; a Ysios entrega a mais bela vista da Sierra Cantábria (cadeias montanhosas ao Norte de Rioja) e a La Rioja Alta tem wine bar com maior variedade de rótulos em taça (incluindo safras antigas).

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Crédito: Andreia Berthault Loja da bodega Marquês de Murrieta

A volta de Logroño a Madrid tem duração de 4 horas de carro ou 1 hora de avião pelo voo direto operado pela Iberia.

Após essa viagem repleta de cultura, paisagens e vinhos, o problema é querer voltar para casa. Quem voltou, foi por juízo!

Roteiro simplificado

Dia 1 – Check-in no hotel em Peñafiel. Visita À Abadia Retuerta. Jantar em Taller Arzuaga.

Dia 2 – Visita ao Castillo de Peñafiel. Almoço no Asados Mauro. Degustação de vinho no wine bar Emilio Moro. Jantar de “Tapas e Vinos” no Pesquera.

Dia 3 – Check-out do hotel de Peñafiel após café da manhã. Visita à Aalto ainda pela manhã. Passar o resto do dia em Aranda de Duero ou Rueda.

Dia 4 – Visita ao Castillo Cuzcurrita. Almoço no wine bar La Rioja Alta. Degustação no wine bar da Izadi.  Check-in no hotel em Logroño. Jantar no Kabanova.

Dia 5 – Visita com almoço na Vivanco. Degustação no wine bar da Ysios. Jantar no wine bar do Hotel Marqués de Riscal.

Dia 6 – Visita à Luis Cañas. Almoço na Baigorri. Degustação no wine bar da Remírez de Ganuza. Jantar no Wine Fandango.

Dia 7 – Check-out do hotel. Almoço de aperitivos e vinhos no wine bar da Marqués de Murrieta.

*Vega Sicília, Dominio de Pingus e Hacienda Monastério não aceitam visitas turísticas e, por isso, não foram incluídas nesta seleção.
**Para conferir a história completa da região, acesse www.riojawine.com.

Formada em Direito pela PUC-SP e Masters in Business Economics pela FGV, Andreia Berthault estuda no renomado “WSET – Level 4 Diploma in Wines”, além de ser certificada “WSET Level 3”, “Napa Valley Wine Expert”, sommelière profissional pela Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo (ABS-SP) e fundadora da Red Submarine, escola digital de vinhos.
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