Experiências na natureza podem custar menos que viagens tradicionais

Pacotes em destinos de natureza combinam menor custo, imersão local e maior distribuição de renda nas comunidades

31/03/2026 18:09

Viajar para áreas naturais, com hospedagem simples e contato direto com comunidades locais, deixou de ser uma alternativa restrita a nichos. Dados recentes indicam que o ecoturismo tem avançado como opção competitiva em preço frente a roteiros tradicionais, como resorts e destinos urbanos consolidados.

Segundo o 10º Relatório de Viagens e Sustentabilidade da Booking.com, 98% dos viajantes brasileiros afirmam que pretendem adotar práticas mais sustentáveis em suas próximas viagens. A tendência acompanha mudanças no perfil do consumidor, que passa a considerar impacto ambiental e social como parte do planejamento.

Levantamentos da PlanetaEXO, plataforma dedicada ao ecoturismo responsável, indicam que experiências completas em destinos naturais podem custar menos do que pacotes tradicionais. Um roteiro de três dias na Amazônia, com hospedagem, alimentação e atividades guiadas, é oferecido a partir de R$ 3.095 por pessoa.

Outras rotas conhecidas também apresentam valores similares ou inferiores. A travessia do Vale do Pati, na Chapada Diamantina, e percursos nos Lençóis Maranhenses variam entre R$ 2.100 e R$ 3.200, com duração de três a cinco dias. Já expedições no Jalapão, com seis dias de viagem, partem de R$ 5.085.

Os valores costumam incluir transporte interno, alimentação e guias locais, o que reduz gastos adicionais durante a viagem.

Por que destino de ecoturismo pode ser mais barato

O custo mais baixo está relacionado à estrutura dessas viagens. Diferentemente de grandes redes hoteleiras, o ecoturismo opera com cadeias mais curtas de serviços. Isso reduz intermediários e despesas operacionais.

Outro fator é o modelo de distribuição de renda. Plataformas como a PlanetaEXO informam que até 80% do valor pago pelos viajantes permanece nas comunidades locais. Isso diminui o chamado “vazamento econômico”, comum no turismo de massa, em que parte significativa da receita é direcionada a grandes empresas fora do destino.

“O turista descobriu que o valor da viagem está na experiência direta com o território”, afirma Lucas Ribeiro, fundador da empresa.

Mudança no perfil do viajante

A busca por destinos menos saturados também influencia o custo. Locais com menor fluxo turístico tendem a apresentar preços mais estáveis, sem a pressão inflacionária observada em destinos populares. Além disso, o interesse por experiências com menor impacto ambiental impulsiona o crescimento dos chamados destinos regenerativos, que priorizam conservação e envolvimento comunitário.

Vale do Pati, na Chapada Diamantina, na Bahia
Vale do Pati, na Chapada Diamantina, na Bahia - Divulgação/PlanetaEXO

Nos roteiros de ecoturismo, o padrão é oferecer pacotes fechados. Isso inclui hospedagem em pousadas familiares ou estruturas integradas ao ambiente, alimentação local e atividades guiadas, como trilhas, travessias e visitas culturais.

Esse formato permite maior previsibilidade de gastos, ao contrário de viagens tradicionais, em que alimentação, transporte e passeios costumam ser pagos separadamente.

Quando vale a pena

O ecoturismo tende a ser mais vantajoso para viagens de média duração, entre três e seis dias, principalmente para quem busca reduzir custos variáveis e evitar destinos com alta demanda.

A escolha depende do perfil do viajante. Quem prioriza infraestrutura padronizada pode não encontrar o mesmo nível de serviços de um resort. Já quem busca contato com a natureza e menor custo total encontra nesses roteiros uma alternativa viável.

O crescimento da demanda por viagens sustentáveis indica uma mudança estrutural no setor. Operadores têm ampliado a oferta de roteiros e diversificado destinos, o que contribui para maior competitividade de preços.

Para o viajante, o resultado é um leque mais amplo de opções, em que custo e impacto passam a ser considerados de forma conjunta no planejamento da viagem.