Lugares do Brasil que deram vida a obras marcantes da literatura
Destinos brasileiros transformam livros consagrados em experiências de viagem imersivas
Caminhar por ruas descritas em um romance, atravessar paisagens que inspiraram poetas ou visitar cenários eternizados pela ficção está entre as experiências que mais aproximam leitura e viagem. Cada vez mais, leitores transformam livros em pontos de partida para explorar destinos que dialogam com suas obras favoritas, buscando uma conexão mais profunda, sensorial e afetiva com os lugares visitados.
Atenta a esse movimento, a NomadRoots se destaca ao unir turismo e literatura em propostas de viagem que vão além do roteiro tradicional. A produtora, especializada em viagens com conhecimento, organiza experiências personalizadas e itinerários em pequenos grupos para destinos que serviram de inspiração a grandes obras.

Entre os percursos já realizados estão Salvador, Paraíba, Pantanal, Amazônia e o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, onde paisagem, memória e narrativa se entrelaçam em uma experiência imersiva para os viajantes.
“Trata-se de uma vivência transformadora. Os livros ganham novas camadas quando visitamos os lugares que os inspiraram. A leitura se mistura ao olhar e à experiência, aprofundando a compreensão das obras”, diz Paola Gulin, sócia-fundadora da NomadRoots.

Do sertão mineiro ao coração da Amazônia, passando pela capital paranaense e pelo litoral baiano, o Brasil reúne cenários que assumem papel tão protagonista quanto os personagens da literatura nacional. A seguir, alguns destinos que marcaram obras emblemáticas da produção literária brasileira.
Curitiba (PR)
Conhecido como Vampiro de Curitiba, Dalton Trevisan é um dos mais importantes escritores do Brasil, tendo a capital paranaense como cenário de suas histórias. Falecido em 2024, colecionou prêmios como Jabuti, Camões, Machado de Assis e muito mais, consolidando sua escrita singular.

“Novelas Nada Exemplares”, “Cemitério de Elefantes”, “O Vampiro de Curitiba” e a “A Polaquinha” são parte de seu acervo e traduzem uma Curitiba gélida, peculiar e muitas vezes, provinciana.
Alguns dos locais que aparecem em seus livros incluem a Rua Ubaldino do Amaral, o bairro Alto da Glória, o centro de Curitiba e a Boca Maldita, ponto turístico que todo viajante precisa conhecer. A casa onde Trevisan morou, na esquina da Ubaldino do Amaral com a Amintas de Barros, se tornou um ponto turístico não oficial, com fãs visitando o local.
Pantanal
Localizado entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o Pantanal é repleto de histórias que fazem parte do imaginário do brasileiro, presente em novelas, livros e outras obras artísticas. O poeta cuiabano Manoel de Barros, um dos expoentes da região, foi a inspiração da NomadRoots para um roteiro.

O tour Manoel de Barros em o “Livro de Pré-Coisas: Roteiro para uma Excursão Poética no Pantanal” e seus poemas e textos autobiográficos, como “Memórias Inventadas”, têm o Pantanal como pano de fundo, destacando as belezas e as particularidades de quem habita a região.
Amazônia
Um dos maiores escritores vivos do Brasil é Milton Assi Hatoum, com relatos contemporâneos da história. Seus livros venderam mais de 400 mil exemplares no Brasil e foram traduzidos em dezessete países, como a Itália, os Estados Unidos, a França e a Espanha.

A Amazônia sempre está presente, em romances como “Relato de um Certo Oriente”, “Dois Irmãos”, “Cinzas do Norte” e “Órfãos do Eldorado”. A destruição da região é outra constante, relatada em poemas como “O Fim que Se Aproxima”.
Salvador (BA)
O baiano Jorge Amado é um dos autores mais traduzidos do Brasil, além de deter o título de escritor com o maior número de adaptações para o cinema, teatro e televisão. Um dos marcos da teledramaturgia brasileira, “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, leva sua assinatura, além de outros clássicos, como “Tieta”, “Gabriela Cravo e Canela”, entre outros.

Várias obras de Jorge Amado se passam em Salvador, incluindo “Mar Morto”, “Jubiabá”, “Bahia de Todos os Santos” e “O País do Carnaval”. Suas obras retratam o dia a dia da cidade, explorando a cultura e história.
Vale do Urucuia (MG)
A obra “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa, é emblemática, um marco da literatura nacional e lusófona. A história se passa no sertão do norte e noroeste de Minas Gerais, mais especificamente na região do Vale do Urucuia. O livro também inclui partes de Goiás e Bahia, envolvendo as nascentes do rio Urucuia e áreas próximas ao Rio São Francisco.

O livro é um romance experimental modernista e sua primeira capa teve a assinatura do também consagrado artista Poty Lazarotto. A história versa sobre o jagunço Riobaldo, também conhecido como Tatarana ou Urutu-Branco, revelando o sertão.
Em maio de 2002, o Clube do Livro da Noruega, entidade que congrega editores noruegueses, incluiu Grande Sertão: Veredas em sua lista dos cem melhores livros de todos os tempos —único brasileiro entre 100 escritores de 54 países.

Na divisa de Minas Gerais com a Bahia foi criado o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), uma homenagem a Guimarães Rosa, que revela aos viajantes um pouco do universo do autor.
Porto Alegre (RS)
Érico Veríssimo tornou por meio da sua escrita simples e direta um dos autores mais populares do Brasil. É dele os clássicos “Olhai os Lírios do Campo”, “Noite” e o “O Tempo e o Vento”, que inclusive foi transportado para a televisão. O Rio Grande do Sul é a sua paixão e Porto Alegre é o cenário de algumas de suas histórias.

Em “Noite”, parques, igrejas e o Centro da capital gaúcha são narrados e despertam no leitor a vontade de conhecer de perto estes locais. Para quem desejar sentir um pouco de Porto Alegre, “Noite” virou filme e a sob direção de Gilberto Loureiro, tendo Paulo Cesar Pereio, Otávio Augusto e Nelson Dantas nos papéis principais, recebeu os prêmios de melhor filme, melhor ator (Pereio), melhor ator coadjuvante (Otávio Augusto) e Prêmio Especial do Juri, no Festival de Gramado.
Paraíba e Pernambuco
Um dos maiores intelectuais brasileiros é Ariano Suassuna, autor da emblemática obra “O Auto da Compadecida”, que virou filme e série, além dos consagrados “‘Romance d’A Pedra do Reino” e o “Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta”. Foi um importante divulgador da cultura nordestina e já representou o Brasil no Prêmio Nobel de Literatura.

No Recife, sua cidade natal, a Zona Norte está presente em suas obras, assim como o bairro do Poço da Panela, onde ele residia na Rua do Chacon. O sertão é outro elemento vibrante, com menções a São José do Belmonte (PE), com a Pedra do Reino (Pedra Bonita), e as paraibanas Taperoá (PB) e Sousa (PB), onde Suassuna passou sua infância.