Malta entra no mapa do Caminho de Santiago
Arquipélago ganha rota oficial de peregrinação que liga Rabat a Valletta e se conecta ao trajeto europeu rumo à Galícia
Desde de janeiro de 2023, o Caminho de Santiago, uma das rotas de peregrinação mais famosas do mundo, tem mais um ponto oficial de partida: o arquipélago de Malta. A inclusão do país cria um trajeto que passa por Sicília, Sardenha e Barcelona até se conectar aos caminhos já existentes no continente e finalizar em Santiago de Compostela.
Com isto, o Caminho de Santiago passa a ter 3.600 km, considerando os trechos marítimos e terrestres.

Batizada de Caminho Maltês, o percurso tem aproximadamente 35 km de extensão. Começa na Gruta de São Paulo, em Rabat, segue para Żejtun, o Forte de Santo Ângelo, em Birgu, e finalmente atravessa o porto até Valletta, onde os peregrinos pegam a balsa para a Sicília.
Uma placa indicando a Galícia, na Espanha, foi colocada perto da entrada do Forte de Santo Ângelo, sinalizando-o como a última parada local ao longo do Caminho Maltês antes de partir para território italiano.
Caminho Maltês
A importância religiosa do Caminho Maltês se destaca por vários pontos como a Gruta de São Paulo, onde se inicia a peregrinação, em Rabat, local histórico onde a tradição cristã afirma que o apóstolo Paulo teria se refugiado e pregado durante três meses após naufrágio ocorrido em 60 d.C., sendo um local de grande devoção e peregrinação.

O Forte de Santo Ângelo foi escolhido como etapa final por sua relação com os Cavaleiros de São João e com as rotas marítimas históricas do Mediterrâneo. O edifício fica de frente para Valletta e integra o conjunto das chamadas Três Cidades —Birgu, Senglea e Cospicua— área fortificada do século 16 com presença de igrejas e antigos itinerários de devoção.
A criação do trajeto não altera as rotas tradicionais do Caminho de Santiago, mas amplia as opções de partida. Peregrinos que iniciam em Malta passam a integrar o fluxo internacional ao chegar à Sicília, seguindo depois por Sardenha e Barcelona até entrar nos caminhos terrestres rumo ao norte da Espanha.

Na prática, o trecho maltês funciona como etapa inicial simbólica e logística, conectando o deslocamento marítimo às rotas já consolidadas no continente.
Uso turístico e religioso
A estruturação do percurso inclui sinalização, credencial de peregrino e pontos de referência religiosa. A proposta combina caminhada local, travessias por mar e integração com o sistema europeu de rotas jacobeias.
Com a oficialização, Malta passa a figurar na lista de territórios reconhecidos como origem possível da peregrinação, ao lado de países como Portugal, França e Itália.