Navios deixam Golfo Pérsico após quase 50 dias ‘presos’ por conta da guerra
Cinco embarcações aproveitaram a janela do cessar-fogo para cruzar o Estreito de Ormuz
Aproveitando o cessar-fogo na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, cinco navios de cruzeiro que estavam retidos em portos do Golfo Pérsico há quase 50 dias iniciaram sua saída da região nesta sexta-feira, 17, cruzando o Estreito de Ormuz em direção ao Oceano Índico.
Irã e EUA anunciaram que a via estratégica estaria completamente aberta ao tráfego comercial durante o período de trégua. A movimentação em massa marca o primeiro trânsito de navios de cruzeiros (sem passageiros) pelo estreito desde o início do conflito, no final de fevereiro.

O Celestyal Discovery, embarcação de bandeira maltesa com capacidade para 1.360 passageiros operada pela Celestyal Cruises, com sede na Grécia, foi o primeiro navio de cruzeiro a deixar o Porto Rashid, em Dubai, às 11h36 do horário local, tornando-se assim o primeiro a cruzar o estreito desde o início da crise.
Horas após a travessia do Celestyal Discovery, e depois que Donald Trump e o governo iraniano confirmaram a abertura do estreito, outros navios também zarparam do Porto Rashid. O MSC Euribia, da MSC Cruzeiros, precisou primeiro abastecer antes de partir na manhã deste sábado. O Mein Schiff 5, operado pela parceria entre o TUI Group e o Royal Caribbean Group, saiu de Doha com destino a Omã, seguido pelo seu navio irmão, o Mein Schiff 4.
Ao todo, cinco navios conseguiram cruzar o estreito antes que o Irã o fechasse novamente a rota em resposta à decisão do governo americano de manter o bloqueio a embarcações com destino a portos iranianos. Segundo o aplicativo MarineTraffic, todos os cinco navios completaram a travessia e seguem com o reposicionamento.
Uma janela de oportunidade para os navios de cruzeiros
O Celestyal Discovery deixou Dubai após permanecer atracado por aproximadamente 47 dias, tendo chegado ao emirado por volta de 1º de março. Sua passagem representa uma etapa relevante, já que as embarcações estavam efetivamente retidas desde que o Estreito de Ormuz se tornou uma zona de alto risco para o tráfego comercial no final de fevereiro.
Pelo estreito transitava, antes do conflito, cerca de um quinto de toda a oferta mundial de petróleo bruto e gás natural liquefeito. O fechamento da via afetou tanto o setor de cruzeiros quanto o transporte de energia global, com impacto direto sobre os preços no mercado internacional.
O Celestyal Journey, navio irmão do Discovery, encerrou uma permanência de 49 dias em Doha e também partiu em direção ao estreito. Já os navios Mein Schiff 4 e Mein Schiff 5, do TUI Cruises, e o MSC Euribia navegaram juntos pelo lado sul do estreito, mantendo-se em águas omanenses.
Nenhuma das embarcações estava transportando passageiros durante a travessia. Todos os navios seguiam em operação de reposicionamento, com tripulação a bordo, mas sem turistas.
Tensão durante a passagem
O comandante de um dos navios de cruzeiro reportou ao UKMTO (UK Maritime Trade Operations, operação britânica de monitoramento marítimo) ter visto um “splash” próximo à embarcação, a aproximadamente três milhas náuticas a leste de Omã. Não ficou claro se foi um míssil ou drone disparado, mas o episódio ocorreu após o órgão receber relatos de que um navio porta-contêineres havia sido atingido no estreito e de que lanchas do IRGC (Guarda Revolucionária Iraniana) atiraram contra um petroleiro.
O Irã havia declarado brevemente o estreito “completamente aberto” aos navios comerciais durante o cessar-fogo, mas rapidamente reverteu a decisão, reimpos controles rígidos e efetivamente fechou a passagem novamente em meio às tensões com os EUA.
O cessar-fogo em vigor tem prazo de expiração para 22 de abril, mas o presidente norte-americano Donald Trump sinalizou disposição para prorrogá-lo diante do avanço nas negociações.
O sexto navio retido na região, o Aroya Manara, permaneceu ancorado em Dammam, na Arábia Saudita, e não acompanhou o movimento de saída dos demais. O navio já se encontra em águas nacionais e o governo saudita participa das negociações do cessar-fogo, o que torna a permanência da embarcação uma medida de precaução.
MSC Euribia retoma temporada europeia
Em nota enviada à Catraca Livre, a MSC Cruzeiros confirmou que o MSC Euribia, após cruzar o estreito, está a caminho de retomar sua temporada no norte da Europa. Com a saída antecipada em relação ao que havia sido previsto nos últimos dias, a companhia informou que o navio fará embarques em 16 de maio, em Kiel, na Alemanha, e em 17 de maio, em Copenhague, na Dinamarca, conforme programado originalmente, com todas as viagens subsequentes também mantidas.
A MSC Cruzeiros já anunciou que vai reposicionar seus navios para a próxima temporada de inverno fora do Golfo Pérsico e do Oriente Médio, sinalizando uma mudança estrutural nos itinerários da empresa para a região.
“O MSC Euribia está a caminho de retomar sua temporada no Norte da Europa e, como o navio agora poderá retornar mais cedo do que o previsto anteriormente, a MSC Cruzeiros confirma que o cruzeiro com embarque no dia 16 de maio, em Kiel, e 17 de maio, em Copenhague, será realizado conforme originalmente programado, com todas as viagens subsequentes ocorrendo conforme previsto”, diz a nota.