Passagens sobem com a guerra; cinco formas de economizar

Especialista ensina como economizar com antecedência, flexibilidade de datas e pacotes fechados

06/04/2026 13:29

O bolso do viajante brasileiro vai sentir o peso da instabilidade geopolítica. Com a escalada do conflito no Oriente Médio, o preço do petróleo ultrapassou US$ 100 o barril, o que pressionou o querosene de aviação (QAV) — e as passagens aéreas devem seguir o mesmo caminho. Especialistas estimam alta de até 20% nas tarifas nos próximos meses.

O combustível representa entre 30% e 45% das despesas operacionais das companhias aéreas. No início do mês, a Petrobras aplicou reajuste superior a 50% no QAV, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional.

Guerra no Oriente Médio e alta do querosene podem elevar passagens em até 20%
Guerra no Oriente Médio e alta do querosene podem elevar passagens em até 20% - Jacob Wackerhausen/iStock

O impacto já é sentido globalmente. Segundo estudo da Organização Mundial do Turismo (OMT), o setor perdeu cerca de US$ 600 milhões por dia em decorrência do cenário geopolítico. Em mercados internacionais, os reajustes nas tarifas já estão em curso. No Brasil, a tendência é de alta progressiva.

“Em momentos de instabilidade global, o consumidor sente isso no preço das companhias aéreas, mas ainda existem formas inteligentes de economizar. Quem deixa para comprar em cima da hora tende a pagar muito mais caro”, afirma Marco Lisboa, CEO e fundador da 3,2,1 GO!.

Dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) indicam que o combustível, que antes representava cerca de 30% das despesas, agora responde por aproximadamente 45% do total. “Somado ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março, o combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas”, afirmou a entidade em nota.

Compre antes, pague menos

A primeira recomendação dos especialistas é direta: antecipar a compra das passagens. Em períodos de crise, as tarifas variam com rapidez e os preços mais baixos tendem a desaparecer antes do previsto. Planejar a viagem com mais tempo é, hoje, uma das formas mais eficazes de conter os gastos.

Ao iniciar o planejamento, vale também verificar os benefícios disponíveis no cartão de crédito ou em programas de pontos. Muitas dessas plataformas oferecem gratuidade em salas VIP, seguro viagem ou pontuação suficiente para cobrir um trecho de passagem, locação de carro ou hospedagem — recursos que podem fazer diferença no orçamento final.

A flexibilidade de datas e horários é outro fator que ajuda a reduzir custos. Voos em dias menos concorridos, como terças e quartas-feiras, costumam sair mais baratos do que os de fim de semana. Horários alternativos, fora dos picos de demanda, também contribuem para tarifas menores.

“Ser flexível hoje é uma das maiores vantagens do viajante. Pequenas mudanças na data podem gerar economias significativas”, diz Lisboa.

Tecnologia e agentes a favor do viajante

Para quem tem tempo disponível, monitorar preços com ferramentas de alerta e comparação é uma estratégia eficaz. Promoções pontuais ainda surgem mesmo em cenários de alta, e quem acompanha o mercado de perto consegue aproveitá-las.

Para quem não tem essa disponibilidade, recorrer a um agente de viagens pode ser a saída mais vantajosa. Além de monitorar tarifas de todas as companhias, esses profissionais acompanham valores de hospedagem, ingressos para atrações e fazem uma curadoria que economiza tanto tempo quanto dinheiro.

“Essa pessoa fica responsável por monitorar preços de passagens de todas as companhias aéreas, valores de hospedagem, ingressos para parques e atrações turísticas, e faz toda uma curadoria que ajuda a economizar tempo e dinheiro”, explica o CEO da 3,2,1 GO!.

Avaliar aeroportos alternativos próximos ao destino final é outra opção pouco explorada pelos viajantes. Em alguns casos, desembarcar em uma cidade vizinha e completar o trajeto por terra sai mais barato do que voar direto para o destino pretendido.

Pacotes podem diluir custos

Com a alta das passagens, fechar pacotes que combinam hospedagem, ingressos e transporte passou a ser uma alternativa mais atraente. A lógica é simples: ao negociar tudo junto, é possível obter condições melhores e ter mais previsibilidade no valor total da viagem.

“Hoje, mais do que nunca, o viajante precisa ter um olhar como um todo e avaliar todas as possibilidades. Às vezes, um pacote fechado pode sair mais vantajoso do que comprar tudo separado”, diz Lisboa.

A expectativa do mercado é de que a instabilidade geopolítica continue pressionando o setor aéreo e o turismo ao longo de 2026. Nesse cenário, a orientação dos especialistas converge para um único ponto: agir rápido e com planejamento.