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Por dentro das comunidades quilombolas do Recôncavo Baiano

Por Stephanie Kim Abe, da Garupa 

Salvador, a capital baiana, guarda muito da nossa herança cultural africana. Mas, para mergulhar de cabeça nesse mundo de tradições, vale investir no passeio até as comunidades quilombolas do Recôncavo Baiano que fazem parte do Núcleo de Turismo Étnico Rota da Liberdade.

Nas comunidades de Dendê e Kaonge, por exemplo, dá pra passar uma manhã ou uma tarde: os visitantes conhecem o terreiro de umbanda, aprendem sobre o processo de fabricação do azeite de dendê, da farinha e do xarope com ervas medicinais, assistem a uma apresentação de dança afro e compram produtos artesanato. No final, uma palestra explica um pouco mais sobre a economia solidária que sustenta as comunidades e a história da formação do quilombo e da conquista do território.

Em São Francisco do Paraguaçu, além do roteiro histórico, que passa pelo Convento de Santo Antonio e pela Igreja Matriz de Santiago do Iguape, há também visitas ao cultivo de ostras e ao manguezal.  Dependendo da maré, dá até pra chegar de barco à comunidade, pelo rio Paraguaçu.

Já o roteiro Trilha Griô passa por quatro comunidades: Kalemba, Kaonge, Dendê e Engenho da Ponte. São cerca de quatro quilômetros de caminhada leve, embalada pela Esmola Cantada, um ritual religioso típico dos festejos de São Roque, padroeiro de Engenho da Ponte. Uma das atrações é o Pé do Velho, local onde os escravos faziam seus rituais.

Todos os passeios podem incluir um almoço tradicional, com pratos como moqueca de ostra e de peixe, sururu (marisco típico da região), caruru (cozido de quiabo), vatapá, feijoada e pirão acompanhado de galinha caipira.

Uma opção mais “radical” é hospedar-se em uma das quatro casas da comunidade Kaonge, capacitadas para receber os visitantes pelo projeto Cama & Café da Secretaria de Turismo da Bahia. É a melhor maneira de viver o dia a dia local: sobra tempo pra conversar com os moradores, frequentar as reuniões do Conselho Quilombola ou participar do encontro das marisqueiras, por exemplo.

Saiba mais

O Núcleo de Turismo Étnico Rota da Liberdade, criado em 2005 através do projeto Cultura Viva, do governo federal, foi impulsionado pelas parcerias com o Sebrae e o Grupo Votorantim. Ele é comandado por 20 jovens de quatro das 14 comunidades participantes –todos fizeram cursos de primeiros socorros, condução de trilha, geografia e história das comunidades.

A organização, sem fins lucrativos, pratica a economia solidária e trabalha a favor da cidadania quilombola e da sustentabilidade das comunidades participantes. O azeite usado nas refeições é da Dona Maria, a farinha é de Seu José, o mel é de Engenho da Ponte, o artesanato é de São Francisco do Paraguaçu –e assim o dinheiro que vem do turismo circula por todos os envolvidos no projeto. 

Os três roteiros da Rota da Liberdade acontecem de segunda a sábado –é preciso reservá-los com pelo menos 48 horas de antecedência, para que as comunidades se preparem para a recepção. Não há número mínimo de visitantes, e os passeios são adaptados de acordo com os desejos do grupo. 

Todas as comunidades ficam no município de Cachoeira (a 1h30 de Salvador), na região do Recôncavo Baiano, com acesso fácil de carro ou ônibus. A organização não oferece traslado. Para fazer uma reserva, entre em contato pelo e-mail rotadaliberdade.turismo@cecvi.org.br ou pelos telefones (71) 99607-1452 ou (71) 99108-4768.

* A Garupa é o primeiro portal de crowdfunding do Brasil criado para financiar iniciativas de turismo sustentável: viagens que protegem a natureza, melhoram a qualidade de vida e a economia de destinos incríveis, de norte a sul do país.

O crowdfunding é uma vaquinha on-line. Pela plataforma da Garupa, você conhece projetos inspiradores, que precisam de dinheiro para sair do papel. E pode doar qualquer valor pra eles. Em troca, ganha recompensas relacionadas àquela experiência turística sustentável que está ajudando – pode ser uma receita típica, uma peça de artesanato ou até uma viagem até o lugar.

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