Trem da Morte volta a operar na fronteira do Brasil com a Bolívia
Rota ferroviária na Bolívia retoma viagens entre Santa Cruz e a fronteira com Corumbá
O trem de passageiros que liga a fronteira do Brasil à Bolivia voltou a operar após seis anos de interrupção. A ligação ferroviária entre Santa Cruz de la Sierra e Puerto Quijarro, na divisa com Corumbá (MS), foi reativada pela concessionária Ferroviaria Oriental S.A.
Conhecido como “Trem da Morte”, o serviço estava suspenso desde 2020 por causa da pandemia de Covid-19. A retomada foi anunciada pela empresa nas redes sociais e marca o retorno do icônico transporte ferroviário de passageiros na região leste boliviana.

O trajeto percorre cerca de 600 quilômetros entre Santa Cruz e a cidade fronteiriça de Puerto Quijarro. A viagem pode durar até 17 horas, dependendo do tipo de serviço e das paradas ao longo do caminho.
Qual o trajeto do “Trem da Morte”
Durante o percurso, o trem faz paradas em cidades do leste boliviano, incluindo San José, Roboré, Chochís, Aguas Calientes, Carmen Rivero Tórrez, Puerto Suárez e Puerto Quijarro.
Segundo a concessionária, a expectativa é que a retomada incentive moradores e viajantes a utilizar o transporte, contribuindo para manter o serviço ativo no longo prazo.
A reativação ocorreu após mobilizações de comitês cívicos da região da Chiquitania. Grupos locais chegaram a bloquear a ferrovia em protesto para exigir o retorno do transporte de passageiros e do chamado ferrobús, que utiliza a mesma malha ferroviária da região.O trem parte de Puerto Quijarro, cidade boliviana que faz fronteira com Corumbá, no Mato Grosso do Sul, a cerca de 428 quilômetros de Campo Grande. A ligação é considerada uma das principais rotas terrestres entre o Brasil e o leste da Bolívia.

As passagens custam entre 220 e 230 bolivianos –aproximadamente de R$ 168 a R$ 176– para o percurso completo, valor que pode variar de acordo com o câmbio.
Origem do nome
Apesar do apelido, o “Trem da Morte” não está relacionado a acidentes ferroviários. O nome surgiu na década de 1950, quando a ferrovia era usada para transportar doentes e vítimas de epidemias na região de Santa Cruz. Com o tempo, a expressão se popularizou entre moradores e viajantes.
Hoje, o trajeto também é utilizado por turistas interessados em cruzar a fronteira e percorrer o interior da Bolívia por ferrovia, alternativa ao transporte rodoviário entre Santa Cruz e a região fronteiriça com o Brasil.