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Um roteiro para conhecer as belezas quase intocáveis do Pará

Por: Redação | Comunicar erro

O Pará é um Estado enorme. Grande parte dessa terrinha incrível é praticamente inacessível para viajantes por ser área florestal ou de reserva ambiental/indígena, mas existem muitas belezas ainda não tão conhecidas por lá!

É importante lembrar dos problemas relacionados à luta de territórios que acontecem na região: desmatamento, desrespeito aos povos tradicionais e conflito com grandes latifundiários são apenas uma palinha do que eles enfrentam por lá.

Pôr do sol na Ilha do Amor, em Alter do Chão

Não sou nenhuma especialista no assunto, mas por ter visto mais de perto a Amazônia e ter me conectado a tantos paraenses incríveis, consegui sentir um pouco mais aquilo que eu só escutava falar. Não cheguei a viver essa luta durante a viagem, mas a proximidade com certeza abriu um pouco mais meus olhos (e meu coração) para todas essas questões.

São problemas muito diferentes daqueles vividos nas grandes metrópoles, mas interligados de alguma forma.

Transportes

Avião – Têm algumas dicas que podem te ajudar a fazer os deslocamentos de uma forma melhor pela região:

Floresta nacional dos Tapajós, em Alter do Chão

Belém é um bom ponto de partida para quem quiser fazer esse roteiro (ou Manaus), com aeroportos internacionais nessas cidades. Dali é tranquilo achar bons preços pra fazer os trechos internos. De Belém para Santarém, por exemplo, que é a melhor cidade-base para quem quer ir até Alter do Chão, eu paguei R$ 220 na passagem (Gol) com alguma antecedência.

Tem gente que acha que escala sempre sai mais barato, mas não necessariamente. Dica pra vida, inclusive!

Ônibus – Já para os deslocamentos relativamente próximos a Belém ou para as capitais vizinhas, como São Luiz e Fortaleza, podem ser feitos de ônibus. Basta ter paciência para rodar os muitos km de estrada e para as mil paradas feitas no caminho.

Dizem que a rodovia Brasília-Belém também tem ótimas condições, mas o deslocamento entre as duas capitais leva 48h!

Tronco da Samaúma, na trilha na Floresta Nacional dos Tapajós

O mesmo não dá pra falar da TransAmazônica (BR-230), que vara o Estado do Pará adentro e chega até o Amazonas. Sério, evitem pegá-la. Uns amigos nossos ficaram 10 horas totalmente parados por causa de um ônibus atolado. E isso é bem mais comum do que pode parecer!

Barcos – Diria que o transporte por barco é um dos principais da região. Por ter grandes bacias hidrográficas, com rios que cortam grande parte do estado, os barcos de linha são um meio de locomoção bem comum.

Redes no barco Santarém-Belém

Eu, por exemplo, fiz o trecho Santarém-Belém de barco. Durou dois dias. De Manaus para Santarém a viagem também demora 2 dias, totalizando 4 para quem vai direto até Belém. No sentido contrário (Belém-Manaus) demora quase o dobro, porque vai contra a corrente do rio Amazonas. O trecho custa, em média, R$ 200. As saídas não são diárias, é preciso se informar no porto.

A experiência no barco de linha foi intensa, cheia de paradas ao longo do caminho e com muitas redes amontoadas perto da sua. Eu estava ali de passagem, mas é muito louco imaginar que milhares de pessoas ficam dias no barco até chegar aos seus destinos. O ponto positivo é que sempre conhecemos pessoas incríveis no deslocamento e tem um espaço de bar, embalado ao som de muito brega e pitadas de sertanejo.

Eu em cima de uma raiz na Ilha de Marajó

Viajando sozinha

É aquela velha história: temos que estar sempre com os olhos atentos. O Norte do Brasil tem, sim, aquele machismo enraizado e bem “bruto”. O índice de estupro é alto, principalmente em cidades do interior. A lenda do boto, inclusive, é uma forma de justificar os estupros que acontecem nesses lugares menores. Segundo a lenda, o boto se transforma em homem durante a noite, sempre vestido de branco e usando um chapéu, seduz as mulheres, as engravida e depois some para sempre. Assim, em lugares que as mulheres sofrem abusos ou são mães solteiras, costumam dizer que “o filho é do boto”.

Pelos lugares que passei (mais turísticos) não tive grandes problemas. Mesmo assim, vale ter as precauções de praxe, ouvir sua intuição e respeitar os seus limites.

Quando ir

Praia na Ilha de Marajó

As estações de inverno e verão no Pará são invertidas. Na verdade, é que eles chamam de inverno a estação chuvosa (dezembro-abril) e verão a estação com menos chuvas (maio-novembro).

Eu fui em dezembro-janeiro de 2017/2018 e, apesar de chover quase todo dia, o sol também dava as caras logo depois do temporal. A partir de maio já começa o solzão com um calor pior que janeiro, mas também é a época que os rios estão cheios.

Pequeno roteiro para conhecer por lá

Belém

O que fazer

-Ver-o-peso para comprinhas e comer comida local
-Complexo feliz lusitânia para conhecer um pouco da história da cidade e do círio de Nazaré
-Mangal das Garças
-Lambateria para dançar muito às quintas-feiras
-Ver o açaí sendo descarregado às 5 da manhã
-Provar todas as comidas típicas da culinária  (MARAVILHOSA) do Pará: pato no tucupi, maniçoba, tacacá, peixe frito com açaí,…

Tacacá, comida típica que comi no ver-o-peso

Algodoal

Para chegar, é só pegar um ônibus na rodoviária de Belém até Marudá (saídas diárias) e, chegando lá, andar até o porto e pegar um barquinho para atravessar até a ilha.

O que fazer
-Praia da princesa para passar o dia relaxando
-Caminhada ou passeio até Fortalezinha (outro lado da ilha, vale dormir uma noite por lá pra curtir o carimbó dos Filhos de Maiandeua).

Santarém/Alter do Chão

Para chegar precisa ir de avião, barco ou ônibus. Eu fui de avião e voltei de barco!

O que fazer

-Floresta Nacional dos Tapajós: dormir na comunidade Jamaraquá por uma noite e fazer a caminhada até a samaúma com o Seu Bata

Praia da princesa, em Algodoal

-Passar um dia na ilha do Amor e lago verde
-Subir até o mirante do morro da piroca pra ver o pôr do sol
-Passeio Ponta do Cururu + lago negro + ponta de pedras
-Praia de pindobal
-Se tiver mais tempo por Alter, vale esticar o passeio até o Rio Arapiuns e dormir em alguma comunidade ribeirinha por lá

Ilha de Marajó

Para chegar lá, tem que ir até o porto perto da estação das docas em Belém e pegar um catamarã (3h de viagem) ou uma lancha rápida (metade do tempo). Os horários são bem limitados e costumam variar, então é melhor se informar no porto.

Eu passei só 3 dias nesse cantinho incrível, então não fiz passeios por lá. Simplesmente fiquei na praia do Pesqueiro (tem um camping por lá) que é uma vila de pescadores e a praia mais linda da região.

No meio do rio Amazonas durante viagem de barco

As cidades base para explorar a Ilha são Salvaterra e Soure, mas eu recomendaria passar pelo menos uma noite na praia do Pesqueiro e fazer o passeio pelo mangue com o Seu Catita, pescador de lá.

Por que eu amei o Pará?

Poderia fazer uma lista quase interminável de motivos, mas com certeza o que eu mais me apaixonei foram pelas pessoas. Sério, essa viagem não teria sido 1/3 do que ela foi se eu não tivesse cruzado com tanta gente incrível. Os lugares que visitei foram, basicamente, recomendações. As comidas que experimentei também. Mas os momentos que vivi tiveram um tempero especial por causa das boas companhias e das risadas compartilhadas.

Mercado Ver-o-peso, em Belém

Os paraenses, especialmente, são muito receptivos. É essa a palavra. Eles te acolhem de braços abertos pra você conhecer essa terrinha e querer sempre voltar. Se vocês olharem com meio sorriso no rosto pra pessoa do lado, ela já vai querer virar sua amiga. Sério, se permitam ir e se apaixonar por esse lugar.

Meu nome é Natasha Lauletta e sou mochileira. Não importa se for sozinha ou acompanhada, gosto de jogar meu corpo no mundo. Escrevo junto com a Manuela no blog Nana Te Leva (www.nanateleva.com.br) | Instagram| Facebook.

Vídeo: 7 curiosidade para você virar um expert em Amazônia

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