Vale do Maipo, no Chile, se firma como referência em cabernet sauvignon

Um terroir andino que molda vinhos e projeta o Vale do Maipo no cenário internacional

02/04/2026 17:14

A tradição vitivinícola de Alto Jahuel, no Vale do Maipo, no Chile, remonta ao século 16, quando os primeiros vinhedos foram implantados na região. A partir do século 19, a introdução de variedades europeias, sobretudo francesas, redefiniu o perfil da produção local e marcou um ponto de inflexão para o vinho chileno.

Ao longo das décadas, produtores passaram a interpretar com maior precisão as condições do território, consolidando Alto Jahuel como uma das principais origens da Cabernet Sauvignon no Chile. O resultado é uma produção associada a vinhos estruturados, com identidade definida e reconhecimento internacional, que ajudou a posicionar o Vale do Maipo como referência global para a variedade.

Área interna do Hotel Casa Real, que fica na Viña Santa Rita
Área interna do Hotel Casa Real, que fica na Viña Santa Rita - Márcio Diniz/Catraca Livre

A proximidade com a Cordilheira dos Andes garante amplitude térmica relevante, com dias ensolarados e noites frias. Esse contraste favorece o amadurecimento gradual das uvas e a պահպանção do frescor.

Os solos também influenciam o perfil dos vinhos. Predominam formações aluviais e pedregosas, com boa drenagem, enquanto áreas de encosta apresentam solos coluviais e exposições distintas, o que permite variações no ritmo de maturação e na expressão da uva.

O clima mediterrâneo, com baixa incidência de chuvas no período de maturação, contribui para a sanidade das uvas e para a concentração aromática.

Reconhecimento internacional do Vale do Maipo

Um marco na projeção internacional do Vale do Maipo ocorreu em 1987, quando o Medalla Real Cabernet Sauvignon 1984 conquistou medalha de ouro na Olimpíada de Vinhos de Paris, organizada pela revista Gault-Millau.

A premiação colocou o Chile no radar internacional em meio a rótulos da França, Espanha e Estados Unidos.

“A Cabernet Sauvignon não tem apenas uma faceta; é uma variedade versátil, com múltiplas expressões”, afirma Sebastián Labbé, enólogo da Viña Santa Rita.

Rótulos para conhecer

Entre os vinhos que expressam o perfil de Alto Jahuel, alguns rótulos se destacam:

Carmen Delanz Cabernet 2023 — da Viña Carmen, apresenta perfil focado em fruta vermelha, com notas de cereja e framboesa, além de caráter floral. Foi eleito o melhor vinho super premium do Chile no Guia Mesa de Cata La CAV 2025, com 97 pontos.

Carmen Gold 2022 — também da Viña Carmen, reúne notas de cassis, pimenta e frutas escuras. Recebeu 93 pontos do crítico James Suckling e foi destacado em rankings internacionais.

A proximidade com a Cordilheira dos Andes garante amplitude térmica relevante
A proximidade com a Cordilheira dos Andes garante amplitude térmica relevante - Igor Alecsander/iStock

Triple C 2021 — da Viña Santa Rita, combina Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Carménère. O rótulo recebeu 92 pontos do Wine Advocate, ligado a Robert Parker, e notas superiores a 94 pontos de outros críticos.

Floresta Cabernet Sauvignon 2023 — também da Santa Rita, traz notas de frutas maduras, cedro e grafite, com estrutura e persistência. O vinho alcançou até 96 pontos no guia Descorchados 2025 e avaliações elevadas em competições internacionais.

Origem como diferencial

A consolidação de Alto Jahuel como origem relevante está associada à combinação entre condições naturais e continuidade produtiva. A região mantém um padrão consistente na produção de Cabernet Sauvignon, com foco em equilíbrio entre estrutura, frescor e capacidade de envelhecimento.

Esse conjunto de fatores sustenta a presença do Vale do Maipo entre as principais regiões produtoras da variedade no cenário global.