Verão registra 660 tentativas de fraude digital por dia no setor de turismo
Uso indevido de nomes de marcas em anúncios falsos concentra 97% das golpes digitais no setor de turismo.
O verão, período de maior efervescência para o turismo brasileiro, consolidou-se também como a temporada de caça para o crime cibernético. A combinação entre a alta demanda por lazer e a disposição do consumidor em investir em férias criou o cenário ideal para uma explosão de golpes online, com golpistas clonando identidades de empresas consolidadas para atrair vítimas.
De acordo com dados inéditos da Branddi, consultoria especializada em proteção de marcas, o volume de golpes digitais atingiu patamares críticos entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. No período, foram identificadas 59.593 ocorrências de uso indevido de marcas ligadas ao setor de viagens, o que representa uma média impressionante de 660 tentativas de golpe por dia.

O levantamento monitorou quatro gigantes do segmento, cujas operações abrangem desde a venda de passagens aéreas e pacotes de resorts até assistência para intercâmbio. A estratégia dos fraudadores é sofisticada. Eles utilizam a força reputacional de marcas estabelecidas para criar ofertas irresistíveis no ambiente digital, capturando dados e pagamentos de viajantes desatentos.
Para especialistas do setor, o volume de ocorrências acende um alerta sobre a segurança do e-commerce no turismo. A tática de aproveitar a sazonalidade reforça a necessidade de as empresas investirem em tecnologias de monitoramento contínuo para derrubar sites e perfis falsos antes que o dano ao consumidor, e à imagem da marca, seja irreversível.
Golpistas usam marcas conhecidas de viagem
A exploração indevida de marcas no ambiente digital encontrou no setor de viagens um terreno fértil. De acordo com o monitoramento da Branddi, quase a totalidade das ocorrências registradas, 97%, está relacionada ao brand bidding. A prática ocorre quando terceiros, como concorrentes desleais ou golpistas, compram palavras-chave associadas ao nome de uma empresa original em anúncios patrocinados de buscadores. O objetivo é interceptar o consumidor no momento da busca, direcionando-o para sites não oficiais que simulam serviços legítimos para capturar dados financeiros.

Para Diego Daminelli, CEO da Branddi, o fenômeno é impulsionado pela sazonalidade. Ele explica que períodos como o verão e as férias escolares inflam o volume de buscas por passagens e hospedagens, criando brechas para que o nome de marcas conhecidas seja usado como isca em páginas fraudulentas.
A empolgação do consumidor com o período de descanso também é apontada como um fator de risco, uma vez que o relaxamento nos cuidados básicos facilita a efetivação do golpe.
Daminelli destaca que sinais de alerta, como preços excessivamente abaixo do mercado, anúncios sem avaliações de usuários e solicitações de pagamento fora das plataformas oficiais, devem ser vistos com extrema desconfiança pelo viajante. O impacto da prática transcende o prejuízo individual do passageiro. Para as empresas do setor, o uso indevido de seus nomes resulta em perda direta de tráfego nos canais oficiais, danos à reputação e prejuízos financeiros severos.
O levantamento da Branddi foi realizado entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, com base na análise de quatro grandes marcas que operam em diferentes frentes do turismo nacional.