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Volunturismo: veja como é possível viajar com propósito e economizando

Brasileiros embarcam no Turismo Colaborativo, modalidade em que é possível trocar suas habilidades por hospedagem, alimentação e experiências únicas

Por: Aline Moura, do Brasil Hostel News

Viajar para lugres incríveis e trocar alguma habilidade pela sua hospedagem e alimentação. Essa é basicamente um resumo do volunturismo, prática que define o turismo –interno ou externo– que inclui ações de voluntariado.

Falando assim parece até complicado para quem não está familiarizado com o tema, mas o conceito vai muito além de trocar hospedagem por serviços, e tem se tornado uma prática ainda mais comum após a pandemia de covid-19 no mundo.

Crédito: DivulgaçãoNas ações de limpeza de praia, promovidas pela Worldpackers Brasil, voluntários se reúnem para viver uma experiência de impacto local

Também conhecido como Turismo Colaborativo, esse tipo de viagem preza a imersão do turista em experiências de impacto positivo e transformadoras para todos os envolvidos.

Seja uma comunidade ribeirinha local, uma fazenda orgânica ou um meio de hospedagem como um hostel. Apesar de ser uma prática antiga, tomou fôlego nos últimos anos com o aumento do poder aquisitivo dos chamados Millennials e, principalmente, o amadurecimento da Geração Z.

A maior parte das plataformas de conexão entre viajantes e anfitriões foi criada nos últimos 10 anos, diante da demanda latente por viagens focadas na experiência acima de tudo.

Geração Z e a viagem com propósito

Conhecidos como verdadeiros nativos digitais, os nascidos entre meados dos anos 1990 até 2010, já cresceram imersos em tecnologia e talvez por isso a maioria busque causar algum impacto no mundo.

Não à toa é comum ver nos blogs e instagrams de influencers a busca por viagens com propósito.  A Geração Z é atualmente considerada a maior representatividade no mercado consumidor – e não seria diferente no setor turístico.

As últimas pesquisas sobre perfil de viajantes, realizadas antes da Covid-19, já os sinalizavam como a geração que vem ditando as regras de consumo e o impacto no setor.

Expedia Group divulgou um estudo sobre como essa geração está moldando o futuro das viagens e alguns pontos são cruciais para entender como o volunturismo entrou no foco desse público.

Porém, o que mais representa esses jovens é a tendência a consumir apenas o que importa, e se direcionar nesse sentido ao fazer escolhas e compras. Esse “essencialismo” também é apontado como uma tendência do pós-pandemia, já que são vividas crises financeiras em todo o mundo por conta do coronavírus.

É aqui que a viagem com propósito faz todo sentido. O home office sendo aceito como forma natural de trabalho, a queda do emprego formal e o conceito YOLO (You Only Live Once – você só vive uma vez, em tradução livre) fortalecido com o triste cenário mundial, trazem o volunturismo para os holofotes.

Seja em busca de um sabático mais econômico, uma mudança de vida ou para ajudar o outro. Cabe ao mercado entender essa demanda e aproveitar a onda para se encaixar nos desejos do novo público.

Conheça os diferentes tipos de volunturismo

Basicamente existem duas categorias de volunturismo: social ou intercâmbio de trabalho.

O primeiro, é uma forma tradicional de voluntariado e tem como foco projetos ligados a questões sociais, onde o viajante procura ajudar alguma iniciativa que acredita.

Crédito: Arquivo pessoalEric Faria e Riq Lima criaram a plataforma para unir anfitriões e viajantes do mundo em 2014. Arquivo pessoal

Normalmente são intermediados por ONGs e buscam causar algum impacto social, reduzir desigualdades ou promover um mundo sustentável.

Já o work exchange foca na troca de trabalho por hospedagem e tem crescido com a procura dos viajantes que querem gastar pouco, permanecer por mais tempo no destino e aprender novas habilidades.

Diversas plataformas fazem essa conexão entre viajantes e anfitriões. Worldpackers, Workaways, Vivalá, WWOOF são algumas delas.

A Worldpackers foi fundada por dois viajantes brasileiros que perceberam, lá em 2013, a tendência que hoje é sucesso entre os mochileiros.

A plataforma tem oportunidades de volunturismo social ou intercâmbio de trabalho, e criou uma comunidade de pessoas ao redor do mundo focada em transformar viagens em experiências através da colaboração.

Eric Faria, um dos fundadores da plataforma junto com Riq Lima, comentou sobre os meses de incertezas no cenário mundial de viagens.

“Durante a pandemia vários projetos foram paralisados por completo e uma boa parte fechou, mas surgiram novos anfitriões e já tivemos uma recuperação de 75% no número de cadastrados”, conta Eric.

Atualmente, a Worldpackers conta com 8 mil anfitriões cadastrados e mais de 2.8 milhões de viajantes participando da rede. No último ano o site teve um aumento de 72% nos acessos, em comparação com 2019.

Para Eric, isso já é uma reação à mudança de cenário mundial.

“A pandemia fez com que as pessoas valorizem mais o contato com outras pessoas e com o meio ambiente. Acredito que veremos cada vez mais pessoas utilizando a Worldpackers para viajar, desenvolver novas habilidades e acumular experiências.”

Projeto de lei propõe a regularização do volunturismo no Brasil

Com o crescimento da procura por esse tipo de turismo no Brasil, já tramita em caráter conclusivo, na Câmara dos Deputados, um projeto de lei que visa regulamentar a prática, dando segurança jurídica para anfitriões e viajantes.

O Projeto de Lei 2994/20, apresentado pelos deputados Paulo Ganime (Novo-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP), visa alterar a Lei Geral do Turismo e definir regras mínimas para situações em que o viajante com formação em determinada área possa utilizar esse conhecimento em troca de hospedagens no Brasil. Além disso, a PL traz a obrigação dos contratantes de firmar parcerias com entidades ou associações beneficentes locais, para destinar 20% do tempo total da experiência a essas entidades.

Segundo informações da Agência Câmara de Notícias, o texto também exime o vínculo empregatício na prática do turismo colaborativo.

“A relação colaborativa entre viajantes e empresários não se destina apenas a economizar dinheiro. Há vantagens para o empresário, mas também para o destino turístico, que poderá receber uma categoria de turista que, normalmente, não seria capaz de viajar. Para o viajante, há a chance de experimentar outras culturas, de praticar novos idiomas e de conhecer lugares e pessoas”, diz a justificativa que acompanha o projeto.

Hostels e o turismo colaborativo

A hostelaria brasileira já percebeu as inúmeras possibilidades e aderiu faz tempo a essa forma de viajar.  Os empreendedores garantem que a participação desse tipo de viajante no dia a dia do negócio é altamente enriquecedora, seja para a experiência do hóspede comum como para o próprio anfitrião. O Vinícius Fiore, do Green Haven Hostel, em Ubatuba, reforça a importância desse tipo de experiência para as duas partes.

Crédito: DivulgaçãoVinicius Fiore, a direita na foto, é um dos anfitriões brasileiros que mais apostam no volunturismo

“O Turismo Colaborativo é o combustível para um hostel ter vida. Sem os voluntários tudo parece muito certinho e quadrado. Não que não seja bom ter funcionários, mas aquela sensação de ter um viajante atendendo outro viajante na recepção é algo que faz parte da essência de um hostel.”

O Green Haven já recebeu quase 200 voluntários em seis anos de uso da plataforma Worldpackers e muitos deles até se transformaram em equipe fixa da casa.

Com tanta experiência, o hostel é um ótimo termômetro para visualizar o aumento da demanda de viajantes. “Antes tínhamos de três a quatro packers por mês e hoje em dia estamos com uma média de 15 viajantes mensais fazendo parte da equipe.”, explica Vinícius.

Os viajantes que optam por esse tipo de turismo exaltam as vantagens de ser um turista colaborativo, tanto pela economia nos custos como pelas experiências que a modalidade oferece.

“Da forma convencional, com hotel, passagens e alimentação fica inviável viajar por muito tempo. Apenas através do Turismo Colaborativo você consegue estender sua viagem e aproveitar mais de cada lugar”, é o que defende a Vanessa Livi, que já usou esse tipo de turismo para conhecer 5 países e 14 estados brasileiros!

Daniella Guimarães começou a vida de turista colaborativa há 6 meses, está em sua quinta experiência e não tem a intenção de parar tão cedo. “Vai muito além de economizar. Como passo mais tempo em cada cidade, eu moro ali! Experimento a cultura e vivência de cada lugar. Uma experiência única que só se tem passado semanas ou meses”.

O mochileiro Rassany Dias encontrou nessa forma de viagem sua mudança de vida. “Desde os 12 anos eu pensava em uma forma de economizar quando fosse viajar e também que eu pudesse conhecer o maior número de lugares e experiências possível. Hoje viajo a quase um ano, só faltava começar! Economizo no bolso, emito menos poluição e de quebra conheço histórias sensacionais”, comenta ele que em breve vai turbinar sua experiência fazendo os trajetos entre os destinos a bordo de uma bicicleta.

Com viajantes buscando cada vez mais experiências imersivas, o volunturismo oferece a oportunidade de experimentar e aprender sobre modos alternativos de vida. Na sua próxima viagem, experimente viver uma imersão cultural ou aprender uma nova habilidade, você pode se surpreender.

Confira mais dicas no site Brasil Hostel News

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