Por que e como não ser transfóbico

A Assembléia Legislativa de São Paulo presenciou nesta semana um inaceitável discurso de ódio.

Erica Malunguinho é a primeira parlamentar transexual a ocupar uma cadeira na casa, e o que chama atenção em sua resposta ao discurso transfóbico do deputado estadual Douglas Garcia (PSL), do mesmo partido do presidente Jair Bolsonaro, é sobre como discursos de ódio como este causam violência e morte para a população transgênero.

Para entender isso, primeiro é preciso saber que o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo, segundo dados da ONG Transgender Europe. Na pesquisa, foram registradas 167 mortes de transexuais entre 1º de outubro de 2017 e 30 de setembro de 2018.

Outra associação europeia, a Transrespect, destaca em um levantamento realizado em 72 países, que de 2.600 assassinatos de transgêneros registrados nos últimos 10 anos, o Brasil seria responsável por 40% do total de mortes.  Isso teria impacto direto na expectativa de vida dessa população no Brasil, que seria de 35 anos, menos da metade da média nacional, que é de 75 anos.

Para a ONG Transgender Europe, o estigma e a discriminação contra pessoas transexuais e não-binárias também dificultam o acesso deste grupo a direitos básicos, incluindo aí a exclusão do mercado de trabalho.  Segundo o Relatório da Violência Homofóbica no Brasil, publicado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a transfobia faz com que esse grupo “acabe tendo como única opção de sobrevivência a prostituição”.

Esse dado é reforçado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), que em uma estimativa aponte que 90% das pessoas trans recorrem a essa profissão ao menos em algum momento da vida.

É resultado direto desta discriminação atrocidades como a que ocorreu em Campinas neste ano, quando um jovem de 20 anos matou e arrancou o coração da transexual Quelly da Silva, de 35 anos.

Como forma de combater o estigma e a discriminação de pessoas transgêneros, a Catraca Livre criou um guia para não ser transfóbico, que pode ser acessado aqui.

Isso não impede que você também denuncie quando este tipo de violência ocorrer, como a deputada estadual Erica Malunguinho que irá abrir um processo de representação contra o deputado Douglas Garcia,  por quebra de decoro parlamentar.

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