Ná Ozzetti e Zé Miguel Wisnik se apresentam Auditório Ibirapuera

Ná Ozzetti e Zé Miguel Wisnik recebem convidados para celebrar "Ná e Zé".
Por: Redação | Comunicar erro

Repertório trará canções do álbum “Ná e Zé”, lançado em 2015 em celebração aos 30 anos de parceria da dupla

Depois de lançarem o álbum “Ná e Zé“, em 2015, em celebração aos 30 anos de parceria desde o seu primeiro encontro, Ná Ozzetti e Zé Miguel Winsnik abrem o palco, pela primeira vez, para convidados especiais. Os cantores se apresentam no Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer, na noite de 10 de março, domingo, às 19h, e convidam dois artistas, grandes parceiros da dupla: Jussara Silveira (cantora convidada dos discos “São Paulo Rio” e “Pérolas aos poucos”, de Zé Miguel Wisnik) e Luiz Tatit (parceiro constante de Ná Ozzetti, bem como de Wisnik). Será a primeira vez que os quatro artistas se reúnem num espetáculo.

Crédito: Gal OppidoNá Ozzetti e Zé Miguel Wisnik recebem convidados para celebrar “Ná e Zé”.

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Há mais de 30 anos, Ná ozzetti cantou pela primeira vez uma composição de Zé Miguel. De lá pra cá, a cantora interpretou várias canções do parceiro, algumas dialogando com poesias. Com Ná Ozzetti na voz, Zé Miguel Wisnik no piano e voz, Luiz Tatit (voz e violão) e Jussara Silveira (voz), o espetáculo do dia 10 de março, no Auditório Ibirapuera, trará algumas dessas faixas, como “Sim, Sei Bem”, que se relaciona com poema de Fernando Pessoa; “Mortal Loucura”, sobre um poema de Gregório de Matos; e “Noturno do Mangue”, sobre poema de Oswald de Andrade.

Faz um pouco mais de 30 anos que Ná cantou pela primeira vez composições do Zé. Ele se casava em dia de Iemanjá e a cerimônia começava ao som de “Louvar”, música que encerra este álbum. Pouco depois, Zé compõe a comovente “Tudo Vezes Dois” para o show Princesa Encantada que reuniu Ná Ozzetti e Suzana Salles, duas vozes identificadas com os movimentos musicais paulistanos da década de 1980. Não demorou muito, Ná lança seu disco-solo inaugural com nada menos que 4 canções de Zé Miguel Wisnik, entre as quais as belíssimas “A Olhos Nus” e “Orfeu” que, felizmente, renascem neste álbum.

Há uma particularidade no repertório que ouvimos aqui. Com exceção das últimas canções citadas e de duas mais recentes, as demais são quase segredos de baú. São pérolas do final do século passado que aos poucos respondem a uma espécie de desafio lírico e emocional: como converter poesia em letra, fazendo vibrar aqui e agora, e para todos, a paixão que permanecia em silêncio na mente e no coração do poeta e de seus leitores? Wisnik a fisga com seu poder melódico. Acha sempre a curva ideal para dizer palavras e frases acostumadas com a introspecção. Faz virar letras – e, portanto, sensíveis canções – os poemas de Fernando Pessoa (“Sim, Sei Bem”), Oswald de Andrade (“Noturno no Mangue”), Cacaso (“Louvar”) e Paulo Leminski (“Gardênias e Hortênsias”). E a experiência prossegue nas criações ombro a ombro com poetas como o próprio Leminski (“Subir Mais” e “Sinais de Haikais”) e outros, em plena atividade, como Alice Ruiz (“Sinal de Batom”), Marina Wisnik (“Miragem”) e Paulo Neves (“Alegre Cigarra”, “Som e Fúria” e “A Noite”). Aliás, é deste último o pensamento que Wisnik gosta de evocar: “a poesia é um chamado, a música uma chama”. Vindo de Paulo Neves, creio que música é o termo genérico para dizer canção.

Ao lado do caráter afirmativo das composições aqui reunidas, da opção pelo “sim” num mundo cheio de incertezas, há um fio melódico condutor de doce tristeza de faixa para faixa que precisa de um canto sóbrio que se sirva dessa dor sem cair em pura melancolia. É o que faz Ná Ozzetti, nossa cantora maior, com sua assinatura vocal inconfundível e com o cuidado de sempre. Dá para entender, então, por que tantas canções significativas não encontraram espaço em discos anteriores. Simples, Zé esperava Ná para a gravação definitiva de suas, agora, novas pérolas.

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Autor: Por: Redação