Sesc promove passeio em pontos de São Paulo que marcaram repressão

Por: Redação | Comunicar erro

No último sábado, dia 27, o Viagem Livre foi convidado para um passeio por um dos roteiros constantes no portfólio de Turismo Social do Sesc Consolação: Caminhos da Resistência – Memórias da Política Paulistana. O roteiro visita pontos e espaços de São Paulo que marcaram a repressão polícia no Brasil durante a ditadura militar.

Ao todo, o passeio visita quatro marcos no centro da capital: Rua Maria Antônia, na Vila Buarque, o espaço do antigo Presídio Tiradentes, na Avenida Tiradentes, A Casa do Povo, no bairro do Bom Retiro e o Memorial da Resistência, na Luz.

O encontro partiu do Sesc Consolação às 9h30 da manhã e terminou às 15h no mesmo local. O passeio foi acompanhado pela historiadora Angela Filino, especialista no tema, a turismólga Adenair Vaz, credenciada pelo Ministério do Turismo e os artistas do grupo Canto Poético, o ator Marco Garbellini e o músico William Vasconcelos.

A cada local visitado, a historiada contextualiza o período que corresponde ao período ditatorial e, ao final, Garbellini e Vasconcelos recitam um poema e cantam músicas da época.

Roteiro

Rua Maria Antônia

No dia 3 de outubro de 1968 se tornou o palco de um grande confronto entre os estudantes da Faculdade de Filosofia da USP, na época ligados à União Nacional dos Estudantes, e alunos da Universidade Presbiteriana Mackenzie, integrantes do Comando da Caça aos Comunistas (CCC).

Homenagem do espaço cultural Centro Universitário Maria Antônia/ Foto: Talitha Adde

O confronto teve como características a luta física, ideológica e geográfica, resultando na morte do estudante José Carlos Guimarães, de 20 anos.

Desenvolvido à USP em 1993, o antigo prédio passou a abriga o espaço cultural Centro Universitário Maria Antônia, que é dedicado a discussões e a novas experiências em cultura, arte e direitos humanos.

Antigo Presidido Tiradentes

O antigo espaço que hoje é ocupado por uma agência do Banco do Brasil e o Teatro Franco Zampari, da TV Cultura, abrigou presos políticos na Era Vargas e no Regime Militar.

Foi inaugurado em 1852 e desativado e demolido em 1972, após as obras do metro Tiradentes abalarem a estrutura do prédio.

Arco de Pedra do Presídio Tiradentes/ Foto: Talitha Adde

Agora, a única memória que foi conservada do local é o portal do presídio, em forma de arco de pedra, tombado em 1985 pelo Governo devido ao seu interesse histórico. Dentre os presos famosos que lá passaram está o escritor Monteiro Lobato, a atual presidente Dilma Rousseff e a jornalista Rose Nogueira.

A Casa do Povo

A Casa do Povo, nome de guerra do Instituto Cultural Israelita, foi criada por imigrantes judeus progressistas e das várias correntes de esquerda que se estabeleceram no Bom Retiro a partir da Primeira Guerra.

O auge do centro foram às décadas de 160-1970 e a decadência, os anos 1980. Agora com 61 anos, há quatro, ex-alunos da escola Scholem Aleichem, a escola da Casa do Povo, voltou iniciou um projeto de revitalização.

Porta da sala do jardim infantil na escola Scholem Aleichem, Casa do Povo/ Foto: Talitha Adde

Entre as décadas de 60 e 70, o Instituto Cultural Israelita Brasileiro, mais conhecido como Casa do Povo, funcionava como palco de múltiplas atividades. Uma de suas atrações era o Taib, teatro com 400 lugares que virou um foco de contestação à ditadura ao abrigar peças de Oduvaldo Viana e Augusto Boal.

Memorial da Resistência de São Paulo

O Memoria da Resistência de São Paulo é uma instituição dedicada à preservação das memórias da resistência e da repressão política durante o Brasil Republicano, de 1889 aos dias atuais.

O prédio ocupa parte da carceragem do antigo prédio do Departamento Estadual de Ordem Política Social de São Paulo – Deops/SP.

Cela reconstruida do antigo Deops/SP/ Foto: Talitha Adde

O conjunto prisional, composto pelas quatro celas remanescente, pelo corredor principal e pelo corredor para banho de sol, testemunhou muitas atrocidades, torturas e humilhação assim como diferentes atitudes de coragem e resistência. Hoje, configura o espaço principal do Memorial.

A primeira cela mostra os trabalhos do processo de implantação do Memoria da Resistência de São Paulo; a segunda cela presta uma homenagem aos milhares de preso, desaparecidos e mortos em decorrência de ações do Deops/Sp; na terceira é apresentada uma reconstituição, segundo lembranças dos ex-presos políticos. A quarta cela oferece uma solidariedade aos encarcerados do local. Os visitantes podem conferir os depoimentos de alguns presos sobreviventes do local.

Você pode conferir toda a programação do Sesc aqui. Os preços variam conforme o programa.

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