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Tabu: tatuagem atrapalha na hora de arrumar emprego?

Grandes, pequenas, espalhafatosas ou discretas: tatuagem ainda é tabu no mercado de trabalho e divide opiniões

Por: André Nicolau

Encarado como um grande tabu no mercado de trabalho, tatuagem ainda é um assunto que divide opiniões, gera estigmas e até preconceitos. Para abordar a questão, o Catraca Livre troca uma ideia com profissionais de diferentes áreas e pede a opinião dos leitores: afinal, ter alguns desenhos rabiscados pelo corpo pode ser um problema na hora de buscar emprego?

Reprodução (Silvana Lages)
Apesar da abertura sobre a questão, o tema ainda divide opiniões e gera preconceitos no mercado de trabalho.

A content management Andressa Schneider, da agência de empregos 99 Jobs, explica que apesar da resistência por parte de algumas empresas, a popularização das tatuagens trouxe um novo olhar para o mercado de trabalho. “A gente nunca recebeu um “veto” de algum contratante quanto à tatuagem – até porque isso seria discriminação. Mas sabemos que existe, principalmente em empresas com o perfil mais conservador”.

Para quem pensa em fazer tatuagem e tem dúvidas, Andressa sugere algumas dicas para que não haja problemas – antes ou depois da contratação. Assim, um pouco de discrição e a diferentes formas roupas também podem ser um grande aliado para quem já tem o corpo desenhado.

– Se a pessoa já foi contratada com a tatuagem, não haverá problemas.

-E se o profissional quer ter tatuagens e acha que a empresa “vai resistir”, vale a pena pensar um pouco – se esse lugar tão inflexível realmente reflete o tipo de ambiente em que se quer trabalhar 

– E se sim, se a tatuagem pode esperar mais um pouco ou ser “repensada” para locais que podem ser facilmente ocultados”.

Já em casos de excessos por parte dos empregadores, Andressa explica que a flexibilidade por parte de ambas as partes pode ser considerado a melhor saída para a situação.

– Ninguém precisa tolerar desrespeito. Agora, acredito que um pedido para ocultar a tatuagem em uma reunião com clientes ou algum outro momento, também pode ser considerado. 

– Não há necessidade de ser inflexível.

Para ilustrar melhor a questão, o Catraca Livre entrevistou a professora Renata Alves, que leciona para alunos de 12 a 18 anos. “Dou aula para alunos que estão entre o 8º ano do Ensino Fundamental II e o 3º ano do Ensino Médio, e a aceitação, particularmente em sala de aula, é tranquila e não costuma ser chocante – no sentido de algum aluno se surpreender pelo seu professor ter uma tatuagem”.

Com a popularização das tatuagens nos últimos anos, Renata crê em uma mudança de pensamento, dentro e fora da sala de aula. “Acho que isso acontece, pois a ideia de marcar o corpo, hoje em dia, embora ainda sofra certo preconceito por alguma parte da sociedade, já está mais disseminada no próprio convívio familiar. É comum considerando que os meus alunos mais novos podem ter pais de 30, 35 anos, que a mãe, ou familiar próximo, já tenha feito uma tatuagem. dessa forma, o que poderia parecer transgressor, hoje é comum e até motivo, muitas vezes, de admiração”.

Por outro lado, a professora avalia que entre preconceito e a aceitação, o que vale mesmo é a qualidade do trabalho realizado no dia a dia, acima de qualquer julgamento.

Renata explica que para decidir seus desenhos, primeiramente, levou em conta as consequências que elas poderiam ter no mercado de trabalho.”Eu tenho duas tattoos, uma bem pequenininha no pé, e outra média, que começa no ombro e termina nas costas. A pequena, eu fiz quando tinha 18 anos, e a média quando tinha 21. Esta última foi feita um mês depois da minha formatura da faculdade, ou seja, eu escolhi um lugar que eu conseguiria esconder facilmente, uma vez que sabia que poderia encontrar algum empecilho, caso a política do colégio onde eu fosse trabalhar não aceitasse professores tatuados. Assim, na minha rotina diária, os desenhos não ficam aparentes, mas quando vou às formaturas ou festas dos colégios, tenho total liberdade para escolher roupas que não cubram as tattoos”.

Em meio ao debate,  o advogado especializado em questões trabalhistas, Thiago Criscuolo, destaca a falta de medidas voltadas ao tema e destaca o projeto de lei 1582 de 2007, lançada pelo vereador Edson Duarte do Partido Verde (BA).

Sua proposta acrescenta dispositivo à Lei nº 9.029, de 1995, a fim de proibir a discriminação de pessoas portadoras de tatuagem e piercing.

Entretanto, a proposta ainda se encontra engavetada, à espera da apreciação do plenário. “A única iniciativa que tenta impedir a discriminação no ambiente do trabalho é esta. Entretanto, a própria constituição prevê a lei 7.716/89 como crime de preconceito ou discriminação racial, auxiliando pessoas que passem por esse tipo de situação”.

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