Carrinho no mercado para crianças: o que a empresa quer com isso?

Por: Camila Hungria
foto: reprodução MILC
Os carrinhos seriam uma estratégia da empresa para educar e fidelizar consumidores desde a infância?

Um carrinho de mercado feito especialmente para uma criança empurrar, com uma bandeirinha nele escrita: “cliente em treinamento #praserfeliz”, o que isso significa?

De acordo com nota divulgada pelo Pão de Açúcar, a empresa em questão, que disponibilizou os carrinhos em suas lojas, o “objetivo desta iniciativa é incluir a criança na rotina familiar do supermercado e ainda oferecer a oportunidade para que os pais insiram assuntos como alimentação saudável, princípios básicos de economia e gastos com as compras da casa, de forma atraente e lúdica”.

Contudo, o Movimento Infância Livre de Consumo traz um importante alerta em relação à isso: cuidado, com essa brincadeira, aparentemente inocente, a empresa pode estar treinando futuros consumidores.

“Mais que um carrinho para acompanhar os responsáveis na tarefa de suprir a casa, a ideia é treiná-los para o consumo colocando o que quiserem no carrinho, principalmente aquilo que o mercado deixa convenientemente à altura dos seus olhos nas gôndolas. Assim, as crianças são treinadas para consumir e, principalmente, fidelizadas à marca da rede. Não precisamos adestrar crianças para o consumo, mas conversar sobre a necessidade de pensarmos sobre esta parte inevitável da vida em nossa sociedade”, diz o post do Infância Livre de Consumismo.

foto: Criança e Consumo
Qualquer forma de publicidade dirigida à crianças é abusiva.

O debate sobre o impacto da publicidade e de estratégias de venda utilizadas por marcas nas crianças divide opiniões. De um lado, famílias defendem que o dever de educar os filhos é uma responsabilidade das famílias, de outro, famílias que entendem e acreditam que, embora o dever de educar os filhos seja das respectivas famílias, as diferentes formas de publicidade dirigida às crianças, como estratégias adotada pela rede de super-mercados, causam um impacto negativo muito grande nas crianças, que, muitas vezes, está além do alcance da família.

Ao blog Maternar, as cofundadoras do Movimento Infância Livre do Consumismo, Mariana Sá e Vanessa Anacleto, disseram que “o trabalho do publicitário é afetar a emoção do público sem passar pelo racional: é por isso que consumimos tantos produtos que não suprem necessidades reais, nem mesmo trazem conforto e alegria. Produtos desnecessários”.

Sobre, especificamente o caso do mercado, elas afirmam que “as redes de supermercado descobriram que o carrinho pode ser muito útil para distrair as crianças favorecendo que os pais façam uma compra maior que a lista planejada, uma vez que podem passar mais tempo em paz no estabelecimento”. “E o tempo extra significa maior possibilidade de compra por impulso. Os pais podem ser influenciados a comprar itens por impulso para agradar e recompensar os filhos pelo bom comportamento durante as compras e sofrer nag fatctor em relação aos itens que não comprariam normalmente (quando as crianças insistem ou até mesmo fazem birra, no caso das menores, querendo algo).”

Com informações de Blog Maternar.

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