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Vídeo de prevenção de violência sexual para bebês ensina sobre corpo, desfralde e partes íntimas

Por: Camila Hungria

Dados das denúncias feitas ao Disque-Denúncia Nacional, divulgados no último dia 18 de maio, Dia Nacional de Enfrentamento ao abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, indicam que mais de 17,5 mil crianças e adolescentes podem ter sido vítimas de violência sexual no Brasil em 2015. E piora: de acordo com o Ministério da Saúde, a violência sexual em crianças de 0 a 9 anos de idade é o segundo maior tipo de violência nessa faixa etária. Mas entre todos, um dado é ainda mais preocupante: das notificações de 2011, 22% se referiram a crianças abaixo de 1 ano. Fica a pergunta, como proteger crianças tão pequenas dessa violência?

Caroline Acari, presidente do Instituto Cores, alerta para a importância de educar e conversar com as crianças desde seus primeiros anos de vida. “Você sabia que crianças que têm educação sexual na família e na escola estão menos vulneráveis à violência sexual? Portando, falar sobre o corpo sem tabus, ensiná-las a nomear as partes íntimas, instruí-las sobre quem pode tocá-las para realizar a higiene e cuidados de saúde, é uma forma de protegê-las dos abusos. A criança pequena, mesmo antes de desenvolver a linguagem, já tem curiosidade sobre seu corpo”.

Nesse sentido, o Instituto, que atua no campo da educação e prevenção de violência sexual, desenvolve uma série de materiais educativos, como o premiado livro Pipo e Fifi, que, além do Brasil, já chegou a países como Inglaterra, Portugal, Espanha e Cabo Verde.

O mais recente é um material inédito, voltado a bebês pequenos, que aborda essa temática e ensina sobre o corpo, desfralde e partes íntimas, com o objetivo de ajudar a criança a reconhecer quem são os adultos que podem ter acesso a elas durante a higiene e cuidados básicos.

“O vídeo é um material que volta a atenção para a primeira infância e valoriza o potencial do diálogo e do olhar atento do adulto cuidador da criança. Esse projeto ousado está sendo muito bem recebido por organismos de garantia dos direitos das crianças “, afirma Caroline.

Oito indícios de que uma criança pode estar sendo vítima de violência sexual

“A faixa etária é atingida e ainda mais vulnerável, já que os sinais e comportamentos que podem sinalizar abuso sexual nos bebês são ainda mais difíceis de reconhecer. Em bebês, a atenção deve ser redobrada. Os momentos de troca de fralda e banho são boas oportunidades para sempre reforçar para a crianças o que são partes íntimas e quem pode tocar a criança para realizar higiene e cuidados”, alerta Caroline.

A seguir, confira oito dicas da especialista de indícios de abuso para observar na criança e ficar atento:

  • Chora com frequência mesmo que outras causas físicas já tenham sido descartadas;
  • Demonstra medo repentino de um local, pessoa específica ou gênero (assim como características físicas específicas: homens com barba, mulheres de cabelo longo, mulheres mais velhas: esses são apenas exemplos);
  • Passa a chorar no banho, quando tocada nas partes íntimas. Também demonstra medo de tirar a roupa e coloca a mão no genital para se proteger;
  • Passa a ter pesadelos e interrupções no padrão do sono;
  • Mostra desespero ao se separar dos pais ou se separar outras pessoas com as quais se sente bem e protegida;
  • Para de progredir no desenvolvimento típico e passa a ter dificuldades na fala, engatinhar, andar e outras atividades da faixa etária;
  • Apresenta sinais externos de abuso físico como contusões, queimaduras, olho roxo, corte, arranhões e mordidas adultas. É normal para crianças machucarem os joelhos, a canela, o cotovelo e a testa ao interagir com o ambiente físico – mas contusões são mais suspeitas se aparecerem em lugares incomuns, como no rosto, cabeça, peito, braços, costas ou na genitália;
  • Tem dor, coceira, irritação, sangramento na genitália ou em áreas próximas, masturbação compulsiva, dificuldade de andar ou sentar e infecções persistentes no trato urinário.

Leia também: Entidades lançam carta aberta contra retrocesso nos direitos das crianças

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