9 pessoas que ajudam a transformar o mundo

O Catraca Livre selecionou exemplos de empreendedores sociais que buscam mudar a realidade do Brasil

Por: Redação Comunicar erro

O conceito de “empreender” vai muito além de criar um negócio inovador. Cada vez mais pessoas têm mostrado que é possível, sim, pensar em empreendimentos que tenham o compromisso de promover o impacto social e o desenvolvimento da sociedade.

Mas onde surgiu o empreendedorismo social? Com a mesma base do empreendedorismo tradicional, o conceito nasceu nos Estados Unidos na década de 1980 com Bill Drayton, fundador da Ashoka, com o objetivo de aliar as características de inovação à necessidade de suprir as desigualdades do mundo.

Instituição Casa do Zezinho, em São Paulo

O empreendedorismo social tem uma proposta simples: usar técnicas de gestão, criatividade, sustentabilidade, entre outras, para maximizar o capital social de uma comunidade, bairro, cidade ou país.

No Brasil, são vários exemplos de empreendedores sociais que têm, com seus projetos, ajudado a gerar melhorias na sociedade. O Catraca Livre selecionou nove pessoas que são exemplo nesse tipo de ação. Confira na lista abaixo:

  • 1) José Dias – Cepfs (PB)

José Dias Campos nasceu no sertão da Paraíba e, durante a infância, chegou a passar fome e sede. Ele começou a trabalhar aos oito anos de idade e, ainda na adolescência, perdeu o pai. Após viver uma série de dificuldades financeiras para estudar, conseguiu se formar em economia.

Em 1985, Campos criou o Centro de Educação Popular e Formação Social (Cepfs) – Transformando o Sertão, onde é coordenador-executivo, para mudar a vida de outras pessoas. A ONG trabalha na promoção de soluções para o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar em 10 municípios e 116 comunidades da Paraíba.

O objetivo da organização é melhorar a qualidade de vida de comunidades da região, com foco na captação e no manejo de água de chuva tanto para o consumo humano quanto para a produção de alimentos saudáveis.

A psicopedagoga Dagmar Rivieri, chamada carinhosamente de Tia Dag, iniciou seu trabalho com educação nos anos 70, em uma experiência voltada para crianças com traumas circunstanciais. Ela recebia filhas de refugiados políticos de zonas de conflito e de ditaduras na América Latina em bairros da zona sul da cidade de São Paulo.

À época, expunha essas crianças àquelas que viviam um trauma permanente: o da miséria e da exclusão social em lugares até então pouco falados, como a Favela do Fede, no Morro da Lua, na zona Sul de São Paulo.

Discípula de Paulo Freire e com experiência em atender meninos e meninas em situações extremas, Tia Dag decidiu transformar a vida de muitos outros. Em 1994, fundou a “Casa do Zezinho”, organização social sem fins lucrativos no extremo sul da cidade, local também conhecido como Triângulo da Morte, na Subprefeitura do Campo Limpo.

A ONG foi criada para ser um espaço de desenvolvimento das potencialidades humanas e de atuação para crianças, jovens e idosos de famílias de baixa renda. Hoje, atende anualmente cerca de 900 “Zezinhos” de ambos os gêneros, com idade a partir de seis anos, oferecendo educação complementar, arte, cultura e oficinas introdutórias ao mercado de trabalho.

O Dr. Fábio Bibancos é cirurgião-dentista graduado pela UNESP (Universidade Estadual Paulista), especialista em Odontopediatria e Ortodontia e Mestre em Saúde Coletiva. Em 1995, ele escreveu seu primeiro livro, “Um sorriso feliz para seu filho”, com foco na prevenção de problemas odontológicos. No período de lançamento, foi convidado a realizar palestras em escolas particulares e, depois, na rede pública.

Nos colégios públicos, Bibancos tomou conhecimento da saúde bucal das crianças e adolescentes, situação em que a prevenção já não adiantava mais. Então, ele decidiu unir 15 colegas e, juntos, passaram a atender gratuitamente alguns casos em seus consultórios. Assim surgiu a ideia que hoje se tornou a maior rede de voluntariado especializado do mundo: o “Dentista do Bem”.

Em 2002, com o aumento do número de profissionais, a ONG “Turma do Bem” foi oficializada e recebeu a certificação do Ministério da Justiça como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Desde então, a instituição oferece tratamento odontológico gratuito a crianças e adolescentes (de 11 a 17 anos) de baixa renda em São Paulo.

Graças a sua atuação nos últimos anos, o dentista foi eleito “Empreendedor Social 2006” pela Schwab Foundation (ligada ao Fórum Econômico Mundial de Davos) e é um Fellow Ashoka (uma rede de empreendedores sociais presente em 65 países) desde 2007.

A ONG Turma do Bem foi fundada pelo Dr. Fábio Bibancos
  • 4) Sérgio Petrilli – GRAACC (SP)

Um dos principais oncologistas pediátricos do Brasil, o médico Antonio Sergio Petrilli formou-se em 1970 na Unicamp e, durante duas décadas, se dedicou ao departamento de oncologia pediátrica do Hospital A.C. Camargo.

Após fazer uma especialização em Nova York, ele mobilizou médicos voluntários e parceiros para lançar, em 1991, o GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), o maior centro de tratamento gratuito para o câncer infantil na cidade de São Paulo.

A instituição é baseada em um modelo de gestão que envolve a academia, a iniciativa privada e a sociedade em geral. Hoje, o GRAACC tem cerca de 3 mil crianças atendidas anualmente, entre sessões de quimioterapia, consultas, procedimentos ambulatoriais, cirurgias, transplantes de medula óssea e outros. Além de diagnosticar e tratar o câncer infantil, o grupo atua no desenvolvimento do ensino e pesquisa sobre o tema.

Formado em Engenharia da Produção pela Escola Politécnica da USP, Helio Mattar obteve os títulos de Mestre e Ph.D. em Engenharia Industrial pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Durante 22 anos, ele atuou como executivo em empresas nacionais e multinacionais, assim como em seus próprios negócios.

Sua ampla carreira também chegou aos órgãos públicos: foi Secretário de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Além disso, foi um dos idealizadores do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, no qual é hoje Associado Curador.

Em 15 de março de 2001, Dia Mundial do Consumidor, Mattar fundou o Instituto Akatu, uma organização não governamental sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente. Atualmente, o engenheiro é Diretor Presidente da instituição.

As atividades do Akatu tem como foco a mudança de comportamento do consumidor e são realizadas a partir de duas frentes de atuação: educação e comunicação, com o desenvolvimento de campanhas, conteúdos e metodologias, pesquisas e eventos.

Wellington Nogueira formou-se pela “Academia Americana de Teatro Dramático e Musical de Nova York” e trabalhou em algumas das melhores companhias de teatro, cinema e circo do país. Integrou o elenco da Big Apple Circus Clown Care Unit, programa pioneiro em levar palhaços profissionais especialmente treinados para visitar crianças hospitalizadas.

Quando voltou ao Brasil em 1991, Nogueira decidiu fundar um projeto inspirado na iniciativa norte-americana: o Doutores da Alegria, onde é coordenador geral e exerce o papel do palhaço “Dr. Zinho”.

A organização utiliza a arte do palhaço para fazer intervenções junto a crianças, adolescentes e outros públicos em situação de vulnerabilidade social em hospitais públicos e ambientes adversos.

Com sede em São Paulo e unidades em Recife e Rio de Janeiro, a associação conta hoje com 64 colaboradores, entre artistas e equipe técnica, e já realizou mais de um milhão de visitas a crianças hospitalizadas, seus acompanhantes e profissionais de saúde.

O Doutores da Alegria tem sede em São Paulo e unidades em Recife e Rio de Janeiro
  • 7) Suzana Machado Padua – IPÊ (SP)

Referência nos temas de conservação e restauração do meio ambiente, a carioca Suzana Machado Padua é designer de formação e apegada à natureza desde a infância.

Há alguns anos, seu marido Claudio Padua decidiu largar o mundo empresarial para voltar à universidade e estudar biologia. Aos poucos, ela se contagiou pela paixão de proteger a natureza e passou a trabalhar com educação ambiental, época em que a família foi morar no extremo oeste do estado de São Paulo, na região conhecida como Pontal do Paranapanema.

O que começou com um hobby acabou se tornando um propósito que guiou a vida do casal. Com toda a dedicação, o resultado não poderia ser diferente: Suzana terminou o mestrado e doutorado na área ambiental, desenvolveu diversas pesquisas e hoje ministra aulas no IPÊ – Institutos de Pesquisa Ecológicas, projeto criado por ela e o companheiro.

Fundado em 1992, o IPÊ é considerado uma das maiores ONGs ambientais do Brasil. O Instituto conta com mais de 80 profissionais trabalhando em mais de 30 projetos por ano, em locais como Nazaré Paulista (SP), onde está sediado, Pontal do Paranapanema (SP), Baixo Rio Negro (AM), Pantanal (MS) e Cerrado (MS).

Em 1994, a partir de um diagnóstico de câncer infantil, uma família de Natal, no Rio Grande do Norte, começou uma história de luta e superação. Os pais de Fernando Campos apostaram no tratamento e viajaram com o garoto para Filadélfia, no estado da Pensilvânia (EUA), onde recebeu o apoio da primeira Casa Ronald McDonalds.

Foi a partir deste drama pessoal e da ajuda recebida que surgiu a ideia de fundar na cidade uma instituição semelhante a que foram acolhidos, onde crianças de baixa renda são atendidas com esperança de dias melhores.

No dia 11 de julho de 1995, o pai de Fernando, o empresário Rilder Flávio de Paiva Campos, criou a Casa Durval Paiva de Apoio à Criança com Câncer. O espaço físico foi doado pelo avô materno do garoto.

Desde então, a ONG tem realizado um trabalho psicossocial voltado a doenças oncológicas e hematológicas. A casa surgiu como instrumento que supre a deficiência do Estado, promovendo qualidade de vida e inclusão social por meio dos demais projetos realizados com os pacientes da instituição.

O trabalho de Eliana Sousa Silva tem relação direta com sua origem. Nascida na região do Cariri, na Paraíba, ela e a família foram expulsas do sertão pela seca de 1969. Com apenas sete anos, se mudou com os pais e os cinco irmãos para uma casa na Nova Holanda, na Maré (RJ).

Seu pai sempre deu importância aos estudos e, com tamanho rigor, todos os filhos fizeram curso superior, sendo que quatro concluíram o doutorado. Eliana virou professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Após participar de uma pesquisa com agentes comunitários na Maré, ela entrou em contato com uma realidade que sempre esteve ao seu lado: a falta de saneamento básico, a violência e outros problemas diários. Tal experiência na região foi o pontapé inicial para Eliana fundar, ao lado de outros moradores, a Redes de Desenvolvimento da Maré, em que atua como diretora.

A organização da sociedade civil foi criada em 1997 com uma proposta de promover a construção de uma rede de desenvolvimento territorial por meio de projetos que articulem diferentes atores sociais comprometidos com a transformação da Maré; produzam conhecimentos e ações relativas aos espaços populares; interfiram na lógica de organização da cidade e combatam a violência.

A estratégia de atuação da ONG contempla o desenvolvimento de programas distribuídos em cinco eixos: arte e cultura, comunicação, desenvolvimento territorial, educação e segurança pública.

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