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Árvore de Estimação

Por: Keila Baraçal

Você  conhece amigos que têm animais de estimação. E também deve conhecer pessoas que cuidam com carinho de plantas no jardim da própria casa. Mas já ouviu falar de alguém que faz isso com uma árvore pública? Pois bem, este é o caso do designer gráfico Hugo Leonardo Peroni, que desde 2009 cuida de uma localizada no bairro da Saúde, em São Paulo.

Hugo Peroni
Cuidador faz pessoalmente fotos da árvore que cuida

Há cerca de cinco anos, ele começou a trabalhar em casa e, nos momentos de pausa, decidiu pegar sua câmera e fazer fotos da janela para espairecer. Dentre os objetos retratados estava uma tipuana, cuja copa ficava bem na altura da janela de seu apartamento. Desde então, ele cultiva o hábito de fotografar a árvore, em imagens que registram o desenvolvimento da planta, além de servirem para fiscalizar se ela vem sendo bem cuidada.

“Segundo o dono de um estabelecimento comercial que conheci, ela tem cerca de 20 anos e foi plantada aqui cinco anos depois da construção do prédio onde moro. Dizem que suas raízes podem provocar problemas estruturais no prédio, já que quase abaixo dela fica a garagem. Espero que não. Nesta árvore ninguém encosta a mão. Se for preciso, que derrubem o prédio”, brinca Peroni.

O designer, que dedica alguns minutos do seu dia para fotografar e cuidar da árvore, diz que sua iniciativa tem feito com que algumas pessoas despertem um pouco de sua sensibilidade em relação à natureza mesmo em meio ao mar de concreto de São Paulo.

“A região aqui é cheia de moradias verticais, o que torna a árvore para os moradores apenas um ponto verde lá embaixo. Depois que comecei a fotografá-la, e esta atitude foi reportada, as pessoas da região passaram a admirá-la, a se sentir orgulhosas por morarem próximo dela. Alguns vizinhos já disseram que vivem no bairro da árvore mais querida de São Paulo”, comenta Peroni.

Segundo ele, pequenas atitudes como esta podem ter um grande poder transformador na cidade. “Em meio ao caos, um pequeno detalhe pode amenizar bastante as dores da truculência do dia-a-dia. Se a pessoa está disposta a aproveitar pequenas coisas que podem tornar seu dia mais agradável, como observar uma árvore, ler, apreciar um músico de rua, cumprimentar desconhecidos, então sim, uma atitude singular pode tornar São Paulo um lugar muito melhor”, completa Peroni.

 

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