Carlos Bolsonaro defende arma para mulher espancada no Rio

OPINIÃO: e o vereador só pode ter sido ingênuo ou mau-caráter ao ter feito tal afirmação em público

Por: Maurício Costa Comunicar erro
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Crédito: reproduçãoCarlos Bolsonaro defende posse de arma para mulher espancada no Rio de Janeiro

Após a repercussão do caso de Elaine Perez Caparroz, mulher que foi espancada no Rio de Janeiro depois de dormir com Vinícius Batista Serra, um homem que acabara de conhecer em aplicativo de paquera, o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) decidiu se manifestar pelo Twitter.

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Crédito: reprodução/Instagram/@CarlosBolsonaroCarlos Bolsonaro afirma que se mulher espancada no Rio tivesse uma arma em mãos, nada disso teria acontecido

O filho caçula do presidente Jair Bolsonaro (PSL) defendeu que se a vítima tivesse à sua disposição uma arma de fogo legal, a situação poderia ter sido resolvida ali mesmo. “A defesa pessoal dentro de sua casa têm (sic) que ser prioridade urgente dentro do Congresso Nacional”, emendou o vereador.

Ao fazer tal afirmação, Carlos Bolsonaro se mostra ou ingênuo ou mau-caráter, e vou explicar direitinho o porquê:

  • Ingênuo 

Carlos seria muito ingênuo se ele realmente acreditasse que a posse de uma arma de fogo teria evitado o espancamento de Elaine ou ainda evitado que a mulher sofresse sequelas eternas deixadas pelo criminoso. Isso porque, antes de afirmarmos qualquer coisa, temos que buscar pela informação dos fatos.

E os fatos, segundo Elaine, é que ela estava dormindo quando foi acordada, repentinamente, pelo agressor. “Ele falou então: ‘deita no meu ombro para a gente dormir abraçadinho, pra dormir juntinho. Aí eu falei: ‘tá bom’. Eu acordei com ele me esmurrando a cara”.

Você realmente acredita que depois de ter sido espancada, e ficado com o rosto desfigurado, a vítima ainda teria qualquer chance de movimento para pegar uma arma e disparar no criminoso? Seria mais provável que, ao se deparar com a arma, o agressor tivesse mais força e agilidade para tirar de sua mão e acabar com a vida de Elaine.

De acordo com números da OMS (Organização Mundial de Saúde), em 2016, 40% das mortes de mulheres em casa foram com armas de fogo no Brasil, e especialistas acreditam que a liberação de armamentos pode aumentar a vulnerabilidade em casos de violência doméstica

  • Mau-caráter

A principal proposta de governo de Jair Bolsonaro, aquela que realmente o fez chegar à presidência, é a liberação da posse de arma. Carlos pode ter se utilizado da notícia de Elaine para dar sustentação ao projeto, mesmo sem ler como se deu o espancamento, o que provaria o mau-caratismo do vereador.

Além disso, o que resolveria ela matar o criminoso ao final de seu espancamento? Se assim se procedesse, se por milagres divinos ela conseguisse se levantar da cama, pegar a arma, e atirar no sujeito, ela carregaria consigo o peso de uma morte, além das cicatrizes do machismo. E, por mais suja, machista e criminosa seja uma pessoa, matá-la pode ser um fardo eterno para quem aperta o gatilho.

Vinícius já está preso, enquadrado pelo crime de feminicídio, e não ameaça mais perigo à vítima.

MACHISMO

Agora, senhor vereador, vamos falar do que realmente poderia ter evitado o espancamento de Elaine? Quem sabe se a sociedade começasse a ensinar seus filhos que o homem não tem nenhum poder sobre a mulher? Que a mulher é livre para fazer o que bem entender? Que o homem não tem direito a tocar em nenhuma parte do corpo da mulher sem seu consentimento? Que, durante o Carnaval, não é legal passar a mão na bunda da mina e ir se vangloriar para os amigos? Que num relacionamento afetivo-sexual, independentemente do tempo em que se estão juntos, a mulher não é subordinada ao homem?

Se fôssemos bem-sucedidos nessas questões (e em tantas outras que englobam a questão do machismo), talvez nem precisássemos de uma lei específica sobre feminicídio…

Por: Maurício Costa

Coordenador de Tempo Real. Libriano com traços piscianos. Amante da praia e do concreto. Rolês no centro de São Paulo são os meus preferidos.

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