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Com professores refugiados, curso promove troca de experiências culturais e ensina idiomas

Perseguido político e pela violência no Congo, Alphonse Nyembo deixou o país de origem há três anos e dará aulas de inglês durante o projeto

Por: Redação

Há três anos, Alphonse deixou o Congo para recomeçar a vida nas ruas de São Paulo. Aqui, o jovem formado em Letras, à custa da própria sorte, decidiu voltar à sala de aula para estudar Engenharia e, com isso, ter mais oportunidades na difícil busca por emprego.

Recentemente, também terminou um curso de mecatrônica, que o capacitou a trabalhar em uma assistência técnica de aparelhos eletrônicos. Na atribulada rotina, ainda é professor de inglês e francês. Alphonse será um dos participantes do projeto Abraço Cultural, que permite a troca de experiências, valorização, além de proporcionar renda para profissionais em situação de refúgio no Brasil.

Crédito: Ilana Goldsmid
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Crédito: Ilana Goldsmid
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O filho do rei

Com 29 anos, Alphonse tem apenas uma certeza em sua vida: são tempos para recomeçar. Filho de uma família de nove irmãos, nasceu na região do Lago Kivu, fronteira entre Ruanda e Uganda, marcada por muitos conflitos motivados pela extração de pedras preciosas. A guerra levou todos para Lubumbashi, uma das maiores cidades do país, próxima a Zâmbia, em busca de paz. Em vão, a perseguição política aos estudantes e falta de perspectivas fizeram com que o jovem deixasse a família Nyembo em busca de novos rumos. Por ironia do acaso, Nyembo, em congolês, significa “filho do rei”. Longe dos pais, Alphonse desembarcou no Brasil.

O príncipe

Desde que chegou à capital paulista, Alphonse mata a saudade de tudo que deixou por meio do Facebook, onde consegue falar com a família. Também ouve músicas típicas de seu país e, quando sobra tempo, prepara receitas trazidas da cozinha congolesa. Junto com duas irmãs, um primo e uma sobrinha de dois anos, eles se dividem entre tarefas domésticas e empregos que ajudam a pagar as contas do mês.

Questionado sobre o impacto cultural que sofreu ao chegar à capital paulista, ele ressalta as dificuldades vividas no começo “É sempre difícil passar por esse tipo de mudança, adaptação com a cultura do lugar, a comida, o relacionamento com as pessoas, mas aos poucos tudo vai se tornando normal”.

Para Alphonse, uma dos aspectos mais impressionantes foi o ritmo de trabalho da cidade que nunca dorme. “A vida aqui é mais difícil, de certa forma, porque é preciso trabalhar muito para sobreviver”. A irmã mais nova de Alphonse estudou costura no Congo, mas aqui cuida integralmente da filha e da casa. Já a mais velha trabalha como operadora de máquinas enquanto o primo estuda automação e trabalha como garçom.

Conheça o projeto Abraço Cultural

Desenhado pela plataforma social Atados em parceria com o Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado Brasil, o projeto tem como missão proporcionar a vivência de aspectos sociais, por meio do intercâmbio cultural proporcionado pelas aulas.

Para a edição de estreia do projeto, os professores das primeiras turmas são originários de países como Congo, Haiti, Nigéria e Síria e lecionarão francês, inglês, espanhol e árabe.

O curso será dividido em aulas formais – em sala de aula – dois dias por semana e aulas experienciais, um dia por semana. As aulas experienciais envolverão o contato direto com a cultura do país de origem do professor e nelas serão propostos temas e vivências relacionadas à culinária, dança, música, literatura, cinema, curiosidades, política e história.

As inscrições acontecem de 19 de maio a 30 de junho pelo site do projeto.

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