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EBC proíbe termo ‘fuzilamento’ em morte de músico por militares

Sob Bolsonaro, reportagens têm sofrido censura no uso de uma série de palavras

Por: Redação
fachada da EBC e Evaldo dos Santos Rosa, músico morto por militares no Rio
Crédito: Reprodução / EBC / FacebookEvaldo dos Santos Rosa teve o carro fuzilado por militares com mais de 80 tiros no domingo

De acordo com o jornalista Guilherme Amado, da revista Época, a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) proibiu os funcionários de usarem o termo “fuzilamento” em pautas sobre o assassinato do músico Evaldo dos Santos Rosa, que teve o carro fuzilado por militares com mais de 80 tiros no domingo, 7, Rio de Janeiro.

Em uma mensagem interna da empresa, na quarta-feira, 10, um repórter da rádio da EBC questiona a chefia por ter tido a palavra “fuzilamento” retirada de seu texto, que abordava a morte do músico. O chefe respondeu a pergunta afirmando que o termo não é o utilizado “oficialmente” e, por isso, seria retirado da matéria.

Em anonimato, outros funcionários contaram que também receberam ordens para não afirmarem nas reportagens que Evaldo foi fuzilado. A palavra não foi usada em nenhum conteúdo a respeito do crime. No lugar disso, há menções como “o Exército disparou contra um carro de passeio” e “o carro em que estava foi atingido”.

Confira a coluna na íntegra.

Mais censura

Desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu a Presidência, a EBC tem se referido à Ditadura Militar como “regime militar” e “período militar”. Não há o uso dos termos “Ditadura Militar” ou “golpe”.

À revista Época, funcionários da empresa pública de comunicação – responsável pela Agência Brasil, TV Brasil e Rádio Naciona – relatam que tiveram textos modificados antes de serem publicados.

“Meu chefe falou: ‘Temos que dar o texto que a diretoria de Jornalismo aprovou'”, afirma uma servidora de uma TV da empresa sobre uma reportagem em que Bolsonaro comentava a ordem de comemorar o aniversário do golpe de 1964. No texto, foi usado o termo “regime militar”.

Sob anonimato, “repórteres que cobriram manifestações contra o aniversário do golpe também afirmam que tiveram o material modificado pela chefia da empresa, o que é incomum”.

Desde a polêmica sobre a ordem de Bolsonaro para os quartéis comemorarem o 31 de março de 1964, a Agência Brasil, segundo a Época, não usou nenhuma vez “ditadura” ou “golpe” no texto direto dos repórteres, isto é, fora de fala de terceiros.

Nesta quarta-feira, 10, Bolsonaro nomeou o coronel do Exército Roni Baksys Pinto para de cargo de diretor-geral da EBC.

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