Frota diz que não vai se desculpar por ironizar Pernambuco
Ex-ator pornô gerou polêmica ao responder comentário de internauta
O deputado eleito (PSL -SP ) e ex-ator pornô Alexandre Frota afirmou que não vai se desculpar por ironizar a origem de um seguidor que comentou uma publicação sua em uma rede social. Na publicação, o seguidor o chamava de ” ator pornô que não paga pensão”. O deputado se limitou a responder com a frase “Só podia ser de Pernambuco”.
De acordo com a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, o ex-ator não reconhece o erro. “Não errei, ao contrário. Deixo aqui minha declaração de amor a Pernambuco”, disse ele à jornalista.
O deputado eleito também justificou a resposta dizendo que existe um grupo de pernambucanos que o ataca com frequência e que o comentário teria se destinado a eles.
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Após o episódio, o também deputado eleito Túlio Gadelha (PDT-PE) entrou com uma ação na Justiça contra Frota alegando xenofobia. Frota por sua vez também ironizou a atitude de Gadelha e questionou: “Você sabe o que é xenofobia? (…) “Xenofobia é aversão a quem é de fora [do Brasil]. E os amados pernambucanos são brasileiros”, publicou Frota.

Gadelha afirma que xenofobia também pode ser uma aversão étnica e cultural. que Frota “precisa ter maturidade. Ele não fala só por ele, mas pelas pessoas que votaram nele”. O futuro parlamentar diz que, por isso, pediu explicações à Justiça.
Em resposta ao comentário infeliz de Alexandre Frota, o poeta Fabrício Carpinejar publicou em seu perfil no Facebook um texto com o título: SÓ PODIA SER MESMO DE PERNAMBUCO.
Só podia ser de Pernambuco a poesia geométrica de João Cabral, o teatro da vida real, a morte e vida severina.
Só podia ser de Pernambuco o frevo, o maracatu, o Galo da Madrugada, a alegria ecumênica.
Só podia ser de Pernambuco os bonecos de Olinda, o olhar oceânico do alto das igrejas e dos muros brancos.
Só podia ser de Pernambuco a literatura de cordel, o raciocínio rápido do repente, a magia dos violeiros.
Só podia ser de Pernambuco Manuel Bandeira e a Estrela da Manhã.
Só podia ser de Pernambuco Nelson Rodrigues e o seu carinho pelos vira-latas mancos.
Só podia ser de Pernambuco a infância misteriosa de Clarice Lispector, a descoberta da leitura.
Só podia ser de Pernambuco Chico Science e o movimento manguebeat.
Só podia ser de Pernambuco a cerâmica de Francisco Brennand e seus 1001 dias iluminados de esculturas e azulejos.
Só podia ser de Pernambuco o modernismo de Cícero Dias, que já dizia em sua pintura: “Eu vi o mundo… ele começava no Recife”.
Só podia ser de Pernambuco a pedagogia de Paulo Freire (do oprimido, da libertação, do compromisso, da autonomia e da solidariedade).
Só podia ser de Pernambuco o cinema inovador de Kleber Mendonça Filho (“O Som ao Redor” e “Aquarius”) e de Cláudio Assis (“Amarelo Manga” e “Febre do Rato”).
Só podia ser de Pernambuco a irreverência contagiante de Chacrinha.
Só podia ser de Pernambuco a sociologia de Gilberto Freyre, profeta do multiculturalismo.
Só podia ser de Pernambuco Vavá, o peito de aço, bicampeão mundial de futebol.
Só podia ser de Pernambuco Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.
Só podia ser de Pernambuco o abolicionista Joaquim Nabuco.
Tem razão. Só podia ser mesmo de Pernambuco.