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HQ retrata a vida de quatro mulheres que abortaram no Brasil

A reportagem em quadrinhos mostra histórias e dados sobre a realidade do aborto no país

Por: Heloisa Aun

“Todo mundo conhece pelo menos uma mulher que abortou”. Esta é a frase que abre a reportagem em quadrinhos “Quatro Marias“, feita pelas jornalistas Helô D’Angelo e Joyce Gomes como trabalho de conclusão de curso da Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo (SP).

A HQ conta a história de mulheres anônimas, de classes sociais, idades e contextos diferentes que decidiram interromper a gravidez. Os relatos e os dados sobre a realidade do aborto no Brasil são retratados por meio de quatro histórias em quadrinhos independentes e que se completam.

A ideia para desenvolver a reportagem surgiu no ano passado depois de uma série de manifestações contra um projeto de lei que restringia ainda mais o acesso das mulheres ao aborto legal, à pílula do dia seguinte e ao cuidado de saúde após um estupro.

 

“[O aborto] é um assunto muito importante – mas, por ser tabu, ninguém fala dele ou, quando fala, é com medo e estigmatizando a mulher que abortou”, explica Helô D’Angelo.

Já a escolha do formato, em HQ, se deu por alguns motivos simples. De acordo com a jornalista, o primeiro deles foi para proteger a identidade da fonte e, ao mesmo tempo, mostrar um “rosto”, o que ajuda a aproximar os leitores do tema. A segunda razão é o didatismo das histórias em quadrinhos.

Durante o desenvolvimento do projeto, as autoras concluíram que é possível, facilmente, cruzar na rua com alguma mulher que abortou. “Essas mulheres podem ser parte da sua família, do seu círculo de amizades ou conviver com você no trabalho”, ressalta Joyce Gomes.

Crédito: Heloisa 

A partir do contato com várias mulheres, elas conheceram as histórias que seriam retratadas na plataforma. No entanto, por ser um tema bastante delicado e com uma carga emocional grande, a cautela e a confiança foram pontos muito importantes no processo do trabalho.

“Acreditamos que informar profundamente o tema, não só em uma questão social, mas de saúde pública, seria nosso ponto principal. Em Quatro Marias, além de trazer essa discussão tão importante, nosso intuito foi desmistificar o procedimento [do aborto] e abrir a mente das pessoas através da mente das nossas próprias personagens”, finaliza Gomes.

Confira a reportagem em quadrinhos neste link.

Veja um trecho da história de Maria Julieta:

 
 
 
 

Aborto no Brasil

De acordo com o artigo 124 do Código Penal Brasileiro, o aborto é considerado um crime contra a vida. A pena prevista é de um a três anos caso o procedimento tenha sido provocado pela gestante ou com seu consentimento e de três a dez anos caso seja induzido por terceiros sem o consentimento da gestante.

O aborto só não é penalizado em três situações: em caso de estupro, risco de morte para a mãe ou se o feto for diagnosticado com anencefalia, uma doença causada pela má formação do cérebro do feto na gestação.

Segundo a Pesquisa Nacional do Aborto, desenvolvida pela Anis – Instituto de Bioética, as mulheres que abortam são em geral casadas, já têm filhos e declaram seguir uma fé cristã. Além disso, uma em cada cinco mulheres até os 40 anos já abortou no Brasil.

Além disso, uma reportagem da Agência Pública mostrou que, a cada dois dias, uma mulher morre vítima de aborto inseguro no país. São 1 milhão de abortos clandestinos e 250 mil internações por complicações todos os anos.

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