ONG mobiliza voluntários para ajudar na limpeza de praias no NE

As manchas de óleo já atingem mais de 200 praias da região; veja como atuar na mobilização do Atados

Por: Redação
voluntários retiram óleo de praia
Crédito: Guardiões do Litoral / InstagramMoradores e voluntários estão colocando a mão na massa para retirar o óleo que atinge a costa brasileira

Em meio ao avanço do óleo no litoral do Nordeste, o Atados — a maior rede de voluntariado do país — criou uma plataforma que une voluntários, parceiros, ONGs e movimentos das regiões afetadas para atuar na limpeza das praias e com os danos ambientais causados pelas manchas.

Os primeiros registros de manchas de óleo encontradas no litoral brasileiro foram em 30 de agosto de 2019, nas cidades de Conde e Pitimbu, no Paraíba. Desde então, a origem do óleo permanece desconhecida e poucas decisões foram tomadas pelo governo federal. A substância, extremamente tóxica para saúde, está destruindo a fauna e flora do litoral nordestino, além de comprometer a economia local, que provém do turismo e da pesca artesanal.

Embora a contenção do avanço do óleo seja um papel do poder público, nos últimos dias moradores e voluntários  estão colocando a mão na massa para retirar o petróleo cru que atinge a costa brasileira. Pensando nisso, a ONG abriu uma convocatória para reunir pessoas que também querem participar da limpeza nas praias impactadas.

Para contribuir, basta acessar e se inscrever na plataforma #ÓleoNoNordeste. Inicialmente, a página está com 200 vagas de voluntariado em cada uma das seguintes localidades: nos estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe e na região metropolitana de Salvador, Bahia. A ideia é expandir para que mais estados e cidades sejam alcançados.

Além disso, o Atados também está buscando parcerias com outras ONGs, movimentos sociais e empresas para atuar nas regiões afetadas. Para mais detalhes, entre em contato com: contato@atados.com.br. Até o momento, a ONG trabalha em parceria com líderes locais, pessoas físicas e algumas instituições, como Guardiões do Litoral, Movimento Praia Limpa, Salve Maracaípe e Engajamundo.

Segundo a organização, os voluntários que se inscreverem vão ajudar nos mutirões de limpeza e no apoio na logística (transporte, lanches, hidratação). Os locais são definidos diariamente de acordo com a situação das praias. O Atados vai monitorar os parceiros para informá-los dos mutirões, pontos de recolha e principais necessidades.

“No momento em que um desastre como este acontece, e com a falta de apoio do setor público, vemos a atuação de diversos grupos de voluntários de forma descentralizada. A intenção é disponibilizar a nossa tecnologia, expertise e rede para viabilizar a atuação junto às comunidades mais afetadas”, afirma Daniel Morais, fundador do Atados.

Praia dos Carneiros, em Pernambuco
Crédito: Clemente Coelho Jr/Instituto Bioma BrasilPraia dos Carneiros, em Pernambuco, que foi atingida pelo óleo

Veja abaixo as dicas de segurança do Atados para os voluntários: 

O material encontrados nas praias é extremamente tóxico, portanto é imprescindível o uso de materiais de segurança:

  • 1. Botas de borracha (PVC);
  • 2. Luvas PVC;
  • 3. Óculos ampla visão;
  • 4. Máscara semifacial para vapores orgânicos com filtro 6006;
  • 5. Calças e blusas de manga;
  • 6. Protetor solar;
  • 7. Boné;
  • 8. Água para se hidratar.

IMPORTANTE: a ONG está mobilizando sua rede para conseguir material de segurança para os voluntários. No momento, a responsabilidade de verificar com os líderes comunitários e providenciar os materiais de segurança é de cada participante.

O Atados se responsabiliza por conectar as pessoas aos movimentos locais e dar todo o suporte neste contato. O andamento das ações será alinhado nos grupos e, infelizmente, no momento, a rede não conseguirá estar em campo acompanhando os voluntários.

Confira o manifesto da ação:

“Embora a contenção do avanço do óleo no litoral nordestino seja um papel do Poder Público, nós acreditamos que o voluntariado tem um valioso poder de mobilização e transformação sócio-ambiental.

Os primeiros registros de manchas de óleo encontradas no litoral brasileiro foram em 30 de agosto de 2019. A lentidão, ineficácia e negligência do Governo Federal e Ministério do Meio Ambiente em tomar medidas e traçar uma estratégia de prevenção está prejudicando milhares de famílias que dependem do mar – seja para pesca ou turismo – como renda.

O que vemos hoje são moradores e voluntários de outras regiões botando a mão na massa para proteger o nosso meio ambiente. Por isso, o Atados está mobilizando parceiros, ONGs, movimentos e voluntários das regiões afetadas para atuar na limpeza das praias e com os danos causados pelas manchas de óleo.”

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