Para Moro, mensagens vazadas são ‘balão vazio cheio de nada’

Em audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ministro Sérgio Moro responde a perguntas de deputados sobre suposta interferência na Lava Jato

Por: Redação Comunicar erro

Na audiência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que acontece nesta terça-feira, 2, na Câmara dos Deputados, em Brasília, o ministro Sérgio Moro deu início à sessão negando as acusações de manipular o trabalho do Ministério Público Federal durante as investigações da Operação Lava Jato.

Em sua fala, Moro advogou em causa própria alegando que, à época, o Ministério Público recorreu 44 de 45 ações penais. Fato, que, segundo ele, sugere independência em sua relação com os procuradores da Lava Jato.

Ressaltou ainda que ele e o procurador Deltan Dallagnol foram alvos de um grupo criminoso, detentor de recursos para tal ação, cujo objetivo é invalidar condenações passadas e barrar novas ações da Lava Jato.

Voltou a atacar parte da imprensa, ao repetir, como aconteceu no Senado, que o caso foi tratado com sensacionalismo por alguns veículos da mídia, citando o editorial publicado pela Folha de São Paulo – a quem atribuiu o papel de crítica ao governo.

Comissão de Constituição e Justiça
Audiência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, em Brasília, presidida por Felipe Francischini (PSL-PR)

Frisou que não reconhece a autenticidade das conversas. Apesar disso, considera que há mensagens que possa ter mandado – embora devido ao tempo e por não ter mais domínio das conversas, enfatiza a possibilidade de adulteração total ou parcial do conteúdo.

Disse ainda sobre a possibilidade do vazamento estar ligado “a criminosos que receiam que as investigações possam chegar até eles e usam esse expediente para impedir” o avanço da operação.

Moro na CCJ
Moro ressaltou Lava Jato foi uma das maiores operações do mundo no combate à corrupção

Primeira deputada a interpelar o ministro, Marcivania (PCdoB-AP) ressaltou que à casa não interessa a forma como as mensagens foram obtidas e, sim, se os fatos narrados são verdadeiros – que, se confirmados, feriram a ética da magistratura. Diante disso, não pode prender corruptos sem considerar atos de corrupção de sua parte.

O deputado petista Helder Salomão (PT-ES) ressaltou que Moro, inicialmente, não negou a veracidade das conversas, assumindo postura contrária ao conteúdo das mensagens dias depois de sua divulgação. E o questionou sobre a mudança de comportamento.

Em seguida, enfatizou o recente episódio associado a militantes do MBL – atribuindo o fato do juiz minimizar a autenticidade das mensagens: “O senhor disse que não reconhece a autenticidade das mensagens, então por que pediu desculpas ao MBL?”.

Mdbista sai em defesa de Moro

Para equilibrar o debate, Darcísio Perondi (MDB-RS) criticou os vazamentos criminosos e saiu em defesa de Sérgio Moro. “Atos ilícitos de hackers que invadem as conversas privadas de autoridades públicas e passam a divulgar isso de modo criminoso, sem compromisso com a autenticidade dos diálogos, com edição das supostas falas, colocando em risco a integridade moral das autoridades”.

Em seguida, ressaltou a idoneidade do ex-juiz federal. “Tenho certeza de que o ministro Moro terá a oportunidade de demonstrar a lisura de seu comportamento”, afiançou.

Para Márcio Jerry, do PCdoB-MA, “Houve atuação parcial do sr., que não obedeceu o devido processo penal”. DIsse também: “Não se deve combater um crime eventualmente praticado, com outro crime. Parece que quem mais prejudicou a Lava Jato foi sua atuação açodada e ilegal”.

Deputado insinua crime de Moro e gera bate-boca na sessão

Em sua fala, o deputado Rogério Corrêa (PT-MG) insinuou que Moro cometeu de crimes. Em resposta à acusação, integrantes da base gritaram pedindo respeito ao ministro. Francischini, que preside a CCJ, disse que se seguir assim encerraria a sessão.

De volta à sua participação, Corrêa sugere CPI para que o celular de Dallagnol seja investigado e, a partir disso, se faça uma perícia para validar ou não o teor das mensagens.

A petista Erika Kokay, em sua fala, condenou a atuação do atual ministro e, mais uma vez, deu inicio a um tumulto generalizado na audiêmncia.”Isso é rasgar a toga, desmoralizar a Lava Jato e o combate à corrupção. Reiterar crime cometido na operação do Banestado, que impediu condenações devido a vícios e ilegalidades”.

O presidente da CCJ, Felipe Franceschini, precisou interceder. Se controlem! Parece a escolinha do Professor Raimundo isso aqui”.

Em resposta, Moro, rebateu a Lava Jato foi uma das maiores operações do mundo no combate à corrupção. Tentando se desvincular às acusações partidárias, lembrou que, após acordo com Odebrecht, praticamente todos os partidos foram investigados.

Moro lembra foto ao lado de Aécio

Em um aparente ato de defesa, Moro falou sobre uma foto que tirou ao lado de um deputado hoje investigado pela Lava Jato. Questionado sobre o nome do parlamentar, o ministro respondeu que não entraria em detalhes. A foto, em questão, se trata de Aécio Neves (PSDB-MG).

Moro cita juristas americanos em sua defesa

A exemplo do que fez no Senado, o ex-juiz recorreu a vários juristas que, segundo ele, viram as mensagens e não consideraram qualquer irregularidade. Destacou também a opinião de Matthew Stephenson, especialista de Harvard em combate à corrupção, que escreveu o artigo “O Incrível escândalo que encolheu?”.

Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição, questionou se o atual ministro sugeriu a algum advogado uma testemunha ou, ainda, a troca de algum advogado que julgasse mais preparado.

Questionou ainda se – nas mensagens vazadas – contém algo que ele negue peremptoriamente, algo que nunca disse.

Moro repetiu frisou a ilegalidade da ação: “Mensagens obtidas por hackers criminosos para invadir aparelhos de agentes da lei que estão atuando em processos anticorrupção. A divulgação dessas mensagens sem verificação de autenticidade, a recusa em apresentar essas mensagens a autoridade independente”.

Moro deixa sessão em meio a confusão

Sergio Moro teve de deixar o plenário da CCJ após uma confusão entre os deputados iniciada pelo deputado Glauber Braga (PSOL), que o chamou de “ladrão” em comparação a um juiz de futebol.

Glauber Braga fez uma comparação da atuação do ministro na Lava Jato com a de um juiz de futebol que “rouba” para algum dos times.

“O senhor vai estar nos livros de história como um juiz que se corrompeu, como um juiz ladrão. A população brasileira não vai aceitar como fato consumado um juiz ladrão e corrompido que ganhou recompensa para fazer com que a democracia brasileira fosse atingida”, disse o parlamentar .

Após a afirmação de braga o clima esquentou na sessão. Deputados se levantaram e começou o bate boca entre governistas e oposição. Um dos mais exaltados, o Delegado Éder Mauro (PSD-PA) partiu para cima de Braga, mas foi separado pelo petista Paulo Teixeira (SP).

A mesa da presidência da audiência foi cercada por alguns deputados que exigiam o encerramento da sessão.

Com a confusão a sessão foi temporariamente interrompida, mas governistas pediram o retorno da audiência. Ela foi retomada, mas logo depois foi oficialmente encerrada poque o ministro Sérgio Moro deixou a sessão  da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aos gritos de “juiz ladrão”.

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