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Petição que pede impugnação de deputada tem 400 mil apoiadores

O abaixo-assinado foi criado após Ana Caroline Campagnolo estimular perseguição a "professores doutrinadores"

Por: Redação | Comunicar erro
A deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PSL)
Crédito: Divulgação/Congresso Nacional e Reprodução/FacebookA deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PSL) foi eleita em Santa Catarina

Uma petição online que pede a impugnação da deputada estadual Ana Carolina Campagnolo (PSL), eleita em Santa Catarina, foi criada na segunda-feira, 29, e já passou dos 400 mil pessoas. O abaixo-assinado surgiu após a parlamentar pedir que estudantes gravassem “professores doutrinadores” em sala de aula.

Segundo a petição, a deputada atacou a liberdade de expressão de professores.

“Nós entendemos que a referida Ana Caroline está incitando ódio ao afirmar inverdades, provocando um ambiente escolar insalubre, visto que nas atribuições em sala de aula, os professores sobretudo os da área de Humanas (alvo das críticas da referida) não fazem doutrinação ao ensinarem seus conteúdos, mas os apresentam e promovem debates com a total lisura respeitando o livre pensamento dos alunos e da comunidade educacional em geral”, diz a descrição.

O abaixo assinado acusa Campagnolo de autoritarismo e pede que educadores, alunos e pais lutem por democracia na educação. “Nos ajude a denunciar a tentativa de cerceamento que os professores já estão sofrendo por uma candidata que mesmo sem ter assumido está se valendo de autoritarismo para promover suas ideias de forma leviana e antidemocrática!.”

Leia abaixo o manifesto dos professores:

“A liberdade de expressão dos professores em sala de aula foi explicitamente atacada na noite de 28/10/2018. Logo após o anúncio da vitória de Jair Bolsonaro, Ana Caroline Campagnolo, eleita Deputada Estadual por Santa Catarina para a legislatura de 2019, conhecida por sua defesa do Projeto Escola Sem Partido, divulgou em sua redes sociais uma mensagem em tom ameaçador convocando os estudantes em sala a filmarem seus professores a partir de segunda, dia 29/10/2018, alegando que estes, inconformados com vitória de Jair Bolsonaro farão das salas palco cativo).

Nós, professores, entendemos que a referida Ana Caroline está incitando ódio ao afirmar inverdades, provocando um ambiente escolar insalubre, visto que nas atribuições em sala de aula, os professores sobretudo os da área de Humanas (alvo das críticas da referida) não fazem doutrinação ao ensinarem seus conteúdos, mas os apresentam e promovem debates com a total lisura respeitando o livre pensamento dos alunos e da comunidade educacional em geral.

Diante do ocorrido pedimos que você, professor, estudante, pais que se prezam por uma Educação livre e democrática compartilhe e nos ajude a denunciar a tentativa de cerceamento que os professores já estão sofrendo por uma candidata que mesmo sem ter assumido está se valendo de autoritarismo para promover suas ideias de forma leviana e antidemocrática!

Por uma Educação Livre!”

Entenda o caso

Após a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República, a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PSL) abriu um canal de denúncias para fiscalizar “professores doutrinadores” em sala de aula a partir desta segunda-feira, 29.

Na imagem divulgada por Campagnolo em uma rede social, ela pede que vídeos e informações sejam enviados para seu celular com o nome do docente, da escola e da cidade. “Garantimos o anonimato dos denunciantes”, ressalta a montagem.

A deputada afirma que “amanhã é o dia em que os professores e doutrinadores estarão inconformados e revoltados”. “Muitos deles não conterão sua ira e farão da sala de aula um auditório cativo para suas queixas político partidárias em virtude da vitória de Bolsonaro. Filme ou grave todas as manifestações político-partidárias ou ideológica”, diz.

Segundo a legenda do post, “professores éticos e competentes não precisam se preocupar”. Nos comentários, ela ainda sugeriu que os estudantes “deixem o celular em casa e levem gravador e filmadora mesmo”, em resposta a uma pessoa que questionou se celulares não seriam proibidos em sala de aula. Em outra, ela reforçou que “é só se comportar direitinho que não precisa ter medo”.

Campagnolo explicou que as imagens enviadas não serão divulgadas, e sim usadas para uma “investigação” e para que sejam verificadas as “medidas cabíveis em cada caso”.

A aliada de Bolsonaro processou a professora Marlene de Fáveri, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e sua ex-orientadora no mestrado, em 2016, por “perseguição ideológica”. O caso foi julgado improcedente em setembro deste ano pelo 1º Juizado Especial Cível de Chapecó (SC), mas ela recorreu.

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