Quanto mais tecnologia usam os pais, mais birras fazem os filhos

Por: Renata Penzani

Chiliques ininterruptos, acessos de teimosia, ataques de choro. Quem tem filhos pequenos sabe bem o que é passar por isso em casa ou – o que é pior – em público. As temidas “birras” quase sempre indicam algum ruído na comunicação com a criança, e é preciso estar atento ao que elas indicam sobre os vínculos entre pais/cuidadores e filhos. Nesta matéria, explicamos aprofundadamente alguns caminhos possíveis para desviar das birras com a chama Disciplina Positiva, abordagem interpessoal que investe na empatia e na solução de conflitos a partir da comunicação não violenta.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, trouxe mais um indício sobre as birras que reforça o fato de que investir nos vínculos afetivos e nas abordagens de comunicação é fundamental para minimizar a agressividade das crianças.

No estudo, que analisou o comportamento e a rotina de 170 pais e mães de diferentes classes sociais, foi detectado que, quanto maior a frequência de uso de aparelhos eletrônicos – celular, tablet, computador, TV e outros – maior a ocorrência de maus comportamentos dos filhos.

A pesquisa mostrou que os adultos que tinham mais dificuldade de passar longos períodos sem checar os aparelhos eram justamente os que tinham mais problemas de relacionamento com os filhos.

E o motivo é muito claro: a criança não assistida e que não é percebida em suas necessidades afetivas e práticas migra sua atenção para os eletrônicos, movida por um instinto simples de comunicação.

Por outro lado, apesar de ser simples detectar onde está o problema, como resolvê-lo, se a maioria das famílias precisa dedicar muito tempo de sua rotina ao trabalho e às obrigações incontornáveis – incluindo o próprio cuidado diário dos filhos?

Birra e tecnologia: quando dedicamos muito tempo aos eletrônicos, negligenciamos as relações humanas.

Uma recomendação possível é organizar as prioridades. A jornalista Patricia Camargo, do nosso parceiro Tempojunto, alerta que é mais uma questão de gerenciar o tempo do que tê-lo em excesso, e chama a atenção para a importância de reservar um tempo para a brincadeira no dia a dia:

“Nós adultos damos um jeito na agenda quando percebemos a importância de aprender outro idioma, e marcamos aulas. Nós arrumamos espaço nos horários para incluir um exercício no dia, quando tomamos consciência da importância de cuidar do corpo. Encontramos tempo de pesquisar preços, seja física ou virtualmente, quando percebemos a importância de economizar para nossas finanças pessoais. Ou seja, sabemos ser flexíveis e organizar nossa agenda, conforme as prioridades. Filhos, quando chegam, se tornam de um jeito ou de outro nossa prioridade. Quando a importância do brincar estiver interiorizado nos pais, haverá tempo e agenda para ela”, defende.

Assim, mesmo que os pais não tenham muito tempo disponível para dedicar exclusivamente aos filhos, é possível organizar pequenos momentos de presença e afetividade que farão toda a diferença no desenvolvimento dos pequenos e no modo como reagem a estímulos externos.

*Com informações de Revista Crescer

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