Mãe luta por lei de 1ºs socorros após filho morrer engasgado

Por: Catraca Livre

Quem tem criança em casa sabe a facilidade com que uma criança pode se engastar. Ter noções de primeiros socorros pode ser determinante para salvar uma vida. E foi pensando nisso que Alessandra Begalli Zamora e Andrea Zamora Bettiati decidiram lutar por uma lei que obrigue, principalmente escolas e creches, a capacitarem todos os funcionários quanto aos princípios básicos para salvar uma vida.

O motivo pela mobilização é dolorido: Lucas Begalli, 10 anos, filho e afilhado de ambas, respectivamente, morreu por asfixia mecânica durante uma excursão escolar.

Segundo reportagem de Daniela Carasco, para o portal UOL, tudo aconteceu em 27 de setembro de 2017. O menino, estudante de uma escola particular de Campinas, interior de São Paulo, participava de um passeio com a instituição. Na hora do lanche, engasgou com um pedaço da salsicha, servida em um cachorro-quente.

Sem ninguém que soubesse realizar a manobra Heimlich, popularmente conhecida como manobra do desengasgo, fez com que o menino apresentasse sinais de morte cerebral já na chegada do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), minutos depois. Dois dias após o ocorrido, ele não resistiu e morreu no hospital. O inquérito policial corre em segredo de Justiça.

É fundamental a importância desse cartaz afixado em TODOS os lugares públicos! Leia, se informe, VOCÊ pode salvar uma vida! Se ninguém fiscaliza, o fiscal é VOCÊ! #vailucas #dolutoaluta#reanimerio

Posted by Vai Lucas on Wednesday, October 18, 2017

De acordo com o último levantamento do Ministério da Saúde, com base em 2015, 810 crianças com até 14 anos morreram, só naquele ano, vítimas de sufocamento. Desse total, 611 tinham menos de um ano de idade.

Em outubro, Andrea resolveu criar a página “Vai Lucas” no Facebook. A intenção primeira era  conscientizar outras famílias sobre o risco de situações como essa e a importância dos primeiros socorros.

“Uma criança de 11 anos, se instruída corretamente, tem condições de ser um socorrista no dia a dia. Primeiros socorros são o suporte básico da vida, não envolvem nem dar pontos nem sangue. Não precisa ser alguém da área de saúde para reproduzi-los”, disse Andrea á reportagem.

Rapidamente o assunto criou repercussão. Em menos de 48 horas, a página ganhou 5.000 seguidores. Hoje, já são mais de 126 mil. “Tem desde gente prestando condolências até famílias que perderam filhos da mesma maneira”, explica Andrea. “As mensagens chegam aos montes, diariamente”.

Alessandra, mãe de Lucas, ainda não se sente pronta para falar. Ele era seu filho único. Mas Andreia conta que a página conseguiu levantá-la. “Minha irmã tem recebido muitas mensagens de apoio, que acabam lhe dando força”, conta Andrea. “O Lucas sempre foi uma criança maravilhosa. E a maneira de ele permanecer vivo entre a gente é conscientizando outras pessoas”.

Depois do nascimento da página, veio a vontade de transformar a história em algo maior. Então surgiu a ideia da “Lei Lucas”. As irmãs, porém, fazem questão de não se associarem a nenhum partido.

“Nossa bandeira é a da conscientização. O objetivo é tornar obrigatória a capacitação de funcionários de escolas e creches para que consigam executar os primeiros socorros em situações de emergência”, disse a madrinha.

No começo deste ano, começaram a colher depoimentos de pessoas que são á favor para que mais gente compreenda a importância da ação. Um dos depoimentos é da recreadora e pedagoga Maibi Mascarenhas. E ela disse que “já perdeu as contas de quantas crianças teve que salvar” e recomendou que “todos que lidam com pessoas saibam sobre primeiros socorros”.

Também há criticas. Professores têm se queixado da proposta. “Eles dizem que já ganham pouco e, agora, vão ter de assumir a responsabilidade de enfermeiros e médicos”.  Mas não é isso que elas propõem.  Dizem que o foco são os cuidados básicos.

O projeto já foi apresentado e protocolado em cem municípios do Estado de São Paulo, desde novembro. A expectativa é que a lei comece a ser aplicada em diferentes cidades, depois cresça para o âmbito federal.  Segundo Andrea, o deputado federal Ricardo Izar Junior (PP) se comprometeu a apresentar o projeto em Brasília, em fevereiro”.


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