SP tem 22 moradores de rua mortos por covid-19, diz prefeitura

Veja uma lista de projetos que ajudam pessoas em situação de rua na cidade

Por: Heloisa Aun

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, em uma declaração completamente sem embasamento, afirmou que poucos moradores de rua foram contaminados pelo novo coronavírus no Brasil porque “ninguém pega na mão deles”. Ao contrário do que a responsável pela pasta disse, embora os números não tenham sido divulgados a nível nacional, apenas na cidade de São Paulo já são 22 pessoas em situação de rua mortas pela covid-19, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

De acordo com o censo da prefeitura, a capital tem cerca de 24 mil moradores de rua. Atualmente, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) dispõe de 89 serviços de acolhimento para essa população, com mais de 17,2 mil vagas. Diante da pandemia, a gestão instalou pias comunitárias em locais no centro da cidade e criou oito novos abrigos em caráter emergencial, o que totalizou 536 vagas. Um deles é destinado para quem está com suspeita da doença.

moradores de rua em São Paulo
Crédito: Jorge Araujo/Fotos PúblicasCenso 2019 mostra mais de 24 mil pessoas em situação de rua na cidade de SP

“A doença é para todos, a prevenção não”, disse o padre Julio Lancellotti a respeito do impacto da covid-19 aos moradores de rua. Em outras palavras, a pandemia se dá de forma ainda mais cruel a eles por causa da questão da fome e da higiene.

O acesso das pessoas em situação de rua ao auxílio emergencial de R$ 600 tem inúmeras dificuldades, como a falta de um celular ou documentos. Além disso, os abrigos oferecidos não têm condições necessárias para o isolamento social, o que as coloca ainda mais em risco.

Por causa de esses e outros fatores, coletivos e ONGs se uniram e criaram o movimento Na Rua Somos Um com o objetivo de pressionar a Prefeitura de São Paulo para aumentar a rede e as ações de acolhida de moradores de rua neste período. Uma das conquistas foi a aprovação de um projeto de lei que permite o uso de hotéis a esse grupo em situação de extrema vulnerabilidade.

Hotéis para acolhimento

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), sancionou no dia 1° de maio um projeto de lei que permite o uso de hotéis a moradores de rua, profissionais da saúde e mulheres vítimas de violência doméstica.

A proposta compõe um projeto de lei, de autoria coletiva dos vereadores, aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo. A Lei 17.340/2020 determina novas medidas de proteção da saúde pública e de assistência social.

No caso dos moradores de rua, a decisão da prefeitura da capital paulista veio após pressão dos movimentos sociais e de uma ação do MTST no Ministério Público.

Apesar da aprovação do projeto e do investimento financeiro, via emenda parlamentar, os possíveis beneficiados estão parados no credenciamento aguardando a gestão colocar a ação em prática, o que deveria ocorrer o mais rápido possível considerando o cenário da pandemia.

Plano para Baixas Temperaturas

A Prefeitura de São Paulo, por meio da SMADS, ainda informou que o “Plano de Contingência para Situações de Baixas Temperaturas – 2020” foi publicado no Diário Oficial da Cidade e valerá no período de 6 de maio a 20 de setembro de 2020, quando a temperatura for igual ou inferior 13°C.

“Neste período, os trabalhos são intensificados na rede de abordagem e atendimento à população em situação de rua. As equipes de orientadores socioeducativos oferecem encaminhamentos e acolhimentos à rede socioassistencial”, diz a secretaria em nota.

Como ajudar moradores de rua em SP

Caso você encontre um morador de rua precisando de ajuda, ligue para o 156 e comunique a Coordenadoria de Atendimento Permanente e de Emergência (Cape), da Prefeitura. O serviço funciona 24 horas por dia.

A solicitação de abordagem pode ser anônima, mas é importante ter as seguintes informações para facilitar a identificação: o endereço da via em que a pessoa em situação de rua está (o número pode ser aproximado); pontos de referência; características físicas e detalhes das vestimentas da pessoa a ser abordada.

Veja abaixo ONGs e projetos que atuam com moradores de rua em São Paulo e faça a sua colaboração com roupas, cobertores e itens de higiene:

SP Invisível

O SP Invisível – movimento de conscientização e humanização por meio das histórias dos invisíveis da cidade de São Paulo – lançou a campanha de financiamento coletivo #SPSemFrio para distribuir kits com roupas e itens de higiene a pessoas em situação de rua.

Saiba mais aqui.

ARCAH

Em meio à pandemia do coronavírus, a ARCAH está arrecadando recursos para a compra de itens como sabonetes, álcool gel e máscaras para a população em situação de rua que vive nos centros de acolhida de São Paulo.

A ação busca contribuir com os cuidados de higiene de quem vive uma realidade na qual o isolamento social não é uma opção.

Para doar, é preciso realizar um depósito ou transferência bancária para as contas abaixo. Após a transação, envie o comprovante para financeiro@arcah.org para que a ONG envie o seu recibo de doação.

Confira mais detalhes neste link.

Banco Itaú ⠀
Ag 0641⠀
C/C 11206-5⠀
CNPJ 19.903.978/0001-91⠀

Banco Santander⠀
Ag 3409 ⠀
C/C 13008331-7⠀
CNPJ 19.903.978/0001-91

Anjos da Noite

A ONG Anjos da Noite realiza um trabalho social em São Paulo desde 22 de agosto de 1989. Composta por pessoas de todas as idades, a instituição entrega alimentos, roupas, agasalhos, calçados, cobertores e, principalmente, amor aos moradores de rua.

Entre em contato pelo site ou e-mail: anjos@anjosdanoite.org.br.

Exército de Salvação

Além das ações recorrentes, o Exército de Salvação está promovendo uma nova campanha de arrecadação para ajudar moradores de rua durante a pandemia.

O Projeto 3 Corações atende regularmente a população de rua e famílias da comunidade local no centro de São Paulo oferecendo programações de educação, capacitação, assistência social, refeição, acompanhamento profissional, cursos de autossustento, entre outras atividades.

Agora, a iniciativa tem feito distribuições de cestas básicas para famílias já cadastradas e pessoas autônomas da região, que se encontram em extrema necessidade pela impossibilidade de atuar no comércio. Foram distribuídas 300 cestas, recebidas do Banco de Alimentos, e cerca de 100 máscaras descartáveis.

As doações de roupas, móveis e outros itens continuam e a instituição as retira em domicílio com agendamento prévio. Para colaborar, ligue 4003-2299 ou acesse o site.

Padre Julio Lancellotti

O padre Julio Lancellotti promove um trabalho diário de acolhimento e apoio a moradores de rua. A paróquia dele, a Igreja São Miguel Arcanjo, na rua Taquari 1100, no Brás, centro da cidade, está recebendo doações, mantimentos, máscaras e álcool em gel para distribuição.

As doações podem ser enviadas para esta conta.

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Por: Heloisa Aun

Repórter de Cidadania na Catraca Livre. ("nossas costas / contam histórias / que a lombada / de nenhum livro / pode carregar" - Rupi Kaur)