A Era de Ouro da MPB em um clique

Acervo musical do Instituto Moreira Salles resgata obras raras e desconhecidas da primeira metade do século 20

Por: Catraca Livre
divulgação
Acervo completo da obra de Pixinguinha disponível para audição no IMS

Em tempos de jabá, músicas comerciais de baixa qualidade e programações radiofônicas aquém da rica herança musical que caracteriza nossa cultura popular, iniciativas de resgate, preservação e difusão de acervos musicais com o cancioneiro brasileiro da primeira metade do século 20, era de ouro do rádio nacional, devem ser louvadas.

Atendendo a este propósito, o Instituto Moreira Salles disponibiliza para audição em seu site cerca de 28 mil fonogramas digitalizados. Tal riqueza é constituída pelo acervo de José Ramos Tinhorão e Humberto Franceschi (dois dos maiores pesquisadores de música popular brasileira), além de coleções completas das obras de Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, entre outras preciosidades.

Oportunidade única para conhecer a obra de nomes como Wilson Batista, Geraldo Pereira, Ismael Silva, além de pioneiros como Xisto Bahia, Baiano, Patápio Silva e Ernesto Nazareth, ícones da música popular urbana do início do século XX, época das primeiras gravações mecânicas realizadas pela Casa Edson.

O pesquisador, historiador e fotógrafo Humberto Franceschi é o maior colecionador de música gravada nas primeiras décadas do século passado. Autor de publicações sobre a Casa Edson, os processos mecânicos de gravações e o bairro do Estácio de Sá, berço do samba carioca, doou cerca de 12 mil fonogramas ao Instituto.

Sua intenção era disponibilizar as músicas “para que o público fizesse o que bem entendesse. Baixar, copiar, distribuir livremente”. Impedimentos legais impossibilitaram seu anseio. O site disponibiliza as músicas para audição, mas não para download. O pesquisador que desejar gravar as músicas tem que pagar por elas, fato que desagrada Franceschi.

Para ele, uma única palavra define sua atuação de levar as músicas para um público de diferentes gerações: resgate. “É preciso resgatar para que as pessoas, ouvindo estas gravações, mudem a cabeça e possam produzir novas composições com referências boas”, afirma.

Aos interessados em conhecer um pouco mais sobre a Era de Ouro da MPB a visita ao site do IMS é obrigatória. O Catraca Livre preparou uma seleção de músicas que integram este rico acervo.