Dimenstein: Bolsonaro lança Fake News contra Miriam Leitão, do Globo

Presidente disse que a colunista do O Globo mente sobre ter sido torturada na ditadura

O presidente Jair Bolsonaro produziu Fake News contra a jornalista Miriam Leitão, de O Globo, ao conversar nesta sexta-feira, 19, com correspondentes estrangeiros no Palácio do Planalto.

Disse que Miriam fez parte da luta armada contra a ditadura militar e estava em direção à guerrilha do Araguaia quando foi presa, na década de 1970.

Chamou a jornalista de mentirosa por afirmar que sofreu abusos e foi torturada na prisão.

Crédito: Marcos Corrêa/PRPresidente Jair Bolsonaro durante café da manhã com jornalistas estrangeiros no Palácio do Planalto

“Ela estava indo para a guerrilha do Araguaia quando foi presa em Vitória. E depois (Míriam) conta um drama todo, mentiroso, que teria sido torturada , sofreu abuso etc. Mentira. Mentira”, disse Bolsonaro aos jornalistas estrangeiros.

O Globo mostra a verdade.

Em 1972, Míriam Leitão era, aos 19 anos, estudante universitária e militante do PCdoB, atuando no Espírito Santo.

De acordo com o jornal O Globo, as atividades de Míriam Leitão consistiam em reuniões, distribuição de panfletos e pichação de muros com palavras de ordem contra a ditadura militar instalada no país em 1964, após golpe de Estado. Durante sua militância, ela não integrou nem cogitou integrar a guerrilha do Araguaia.

“Não estava indo para a guerrilha do Araguaia. Nunca fiz qualquer ação armada”, afirma a colunista do O Globo.

A reportagem diz ainda que Míriam Leitão foi presa em 3 de dezembro de 1972 quando ia para a praia com o então companheiro e levada para o 38º Batalhão de Infantaria do Exército, instalado no Forte de Piratininga, em Vila Velha, cidade vizinha a Vitória. Lá, grávida, foi torturada por diversos métodos e ficou encarcerada por três meses.