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Dimenstein: como aprendi a enfrentar um câncer com apenas R$ 1

Existe uma entidade de médicos que oferecem consultas gratuitas para entidades sociais, facilitando exames

Por: Gilberto Dimenstein

Pensei várias vezes se deveria escrever este artigo, expondo minha vida íntima.

Acabei achando que valeria a pena: talvez muita gente doente e, agora, curada ou em fase de cura, siga minha dica.

Encontrei um jeito de agradecer.

Fui fazer um exame de rotina –e não saí mais do hospital por duas semanas.

Não sentia nada –absolutamente nada.

Graças ao diagnóstico precoce e à rapidez da cirurgia, agora estou curado –embora tenha que permanecer por muito tempo atento.

Impossível não pensar como sou um privilegiado: um bom plano de saúde e acesso aos melhores médicos.

Daí surgiu a melhor coisa que fiz para lidar com essa sensação de ser um privilegiado. E agradecer.

Ajudei a criar, ali mesmo no hospital, uma campanha de comunicação para que mais pessoas pudessem ter um acolhimento precoce.

E tudo por R$ 1,00. Isso mesmo, muito menos que um cafezinho.

Uma das mais criativas agências de publicidade –AMPFY– colocou suas melhores cabeças gratuitamente para entrar nesse desafio e disseminar esse projeto.

Existe uma entidade de médicos que oferecem consultas gratuitas para entidades sociais, facilitando exames.

Chama-se Horas da Vida.

Eles cuidam das crianças e jovens das entidades, além de seus familiares, numa ação preventiva e educativa.

Acompanho o magnífico efeito desse trabalho porque eles atuam na Orquestra Sinfônica Heliópolis, da qual sou presidente do conselho.

Apenas diagnosticar um problema de visão, por exemplo, já faz toda a diferença para quem tem de ler a pauta musical.

Daí surgiu esse projeto, em que se pode doar R$ 1 real para ampliar a estrutura do Horas da Vida e ajudá-lo a atender mais entidades.

Esse foi meu jeito de agradecer a cura.

Nesses momentos é que vemos maravilhosas cenas. Um dos meus médicos –Cesar Camara– gostou tanto da ideia que decidiu bancar do próprio bolso um ano inteiro de apoio para a Orquestra Sinfônica Heliópolis.

Por: Gilberto Dimenstein

Jornalista, educador e fundador da Catraca Livre.

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