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Moradores da periferia de SP recebem aula de educação financeira

Startup de educação ensinou conceitos de fontes de renda, gastos fixos e variáveis em curso gratuito no Capão Redondo

Por: Tamiris Gomes

educação financeira está cada vez mais presente na vida do brasileiros. O cenário de 2019, ano em que foi aprovada a Reforma da Previdência (entenda aqui as novas regras de aposentadoria), por exemplo, em alguma medida contribuiu para que pensássemos a longo prazo. Para uma solidez no futuro, sem dívidas na carteira, é necessário entender e planejar os gastos pessoais a partir de agora.

Mas será que todos têm acesso a esse conhecimento sobre o que fazer com seu próprio dinheiro? A Catraca Livre esteve presente em uma aula gratuita de educação financeira no Capão Redondo, sudoeste de São Paulo, onde os moradores da região aprenderam conceitos de fontes de renda, gastos fixos e variáveis.

O workshop foi feito por professores da IDEA9, uma startup de educação que faz parte do C6 Bank. A ação aconteceu na primeira semana de dezembro na Casa José Coltro e envolveu cerca de 40 alunos (de 15 a 59 anos) do curso de empreendedorismo do CEDESP (Centro de Desenvolvimento Social e Produtivo).

Casa José Coltro
Crédito: Tamiris/Catraca LivreFachada da instituição localizada no Capão Redondo

Uma aula de educação financeira na periferia

Durante o encontro, os professores  inventaram um jogo de tabuleiro para que os jogadores pudessem assimilar os conceitos financeiros e aprender a montar um orçamento (onde era necessário preencher detalhadamente cada gasto que uma família comum tem).

Durante o jogo, os participantes imaginaram perfis de famílias fictícias e escolheram fichas que representam as atividades de ganhos e despesas (por exemplo, dar aulas, dirigir para aplicativos de transporte, comprar um celular novo, etc). Os alunos, então, foram incentivados a analisar se faltava ou sobrava dinheiro para a família criada e quais as consequências nesses casos.

Neste contexto, eles escolheram o que fazer para normalizar a situação: pegar um empréstimo para quitar as despesas? Poupar o dinheiro que sobrou? Conseguir outra fonte de renda?

Segundo Veronica Odani, professora e co-head de educação no C6 Bank, o conhecimento já está dentro dos alunos, a partir disso “a gente traz ferramentas para conscientização e apropriação”. “O importante é saber como fazer sobrar dinheiro“, enfatizou, como uma das principais estratégias da aula.

Outro ponto importante é colocar tudo na ponta do lápis. O controle sobre suas finanças e visão planificada ajudam na hora de entender o custo de vida, onde é preciso economizar, o que é prioridade ou não.

“Não temos apenas as despesas mensais, mas despesas de emergências“, disse Veronica. Por isso se recomenda ter uma reserva para esses gastos que aparecem de surpresa (o reparo do carro, uma obra eventual, remédios para um diagnóstico inesperado, etc).

Dinheiro na conta corrente é vendaval

Dinheiro na mão é vendaval, e na conta corrente também. “Se você deixar o dinheiro parado na conta corrente você vai usar”, alertou a professora. A dica é deixar essa grana indisponível, colocar na poupança, em uma conta separada, o que seja.

Crédito: Tamiris Gomes/Catraca LivreAula de educação financeira com a IDEA9

A estudante de moda Ingrid Herget, de 21 anos, que tem o sonho de abrir sua própria marca, saiu da aula com mil ideias do que fazer com o dinheiro que sobra. “A gente sai gastando muito. Se tivéssemos essa noção de gastar menos e sobrar… Minha mãe sempre foi muito gastona, ela sempre se endivida. Então esse sempre foi o cenário da minha família. Quando aprendi que é essencial ganhar dinheiro e fazer sobrar, me dei conta: algo estava errado”, analisa.

O aprendizado também fez com que a estudante Juliana Del Gaudio, 21 anos, refletisse sobre seus gastos e planos para o futuro. “A gastadeira no caso sou eu (risos). Nunca consegui guardar e anotar o quanto gasto. Também pretendo fazer faculdade, então desde agora preciso organizar o quanto precisarei ter”, comentou.

A proposta de atuação social da startup é justamente incentivar a educação financeira e tecnológica. Por isso a ideia é seguir estimulando o debate sobre esses temas em 2020, em diferentes bairros periféricos de São Paulo, para melhorar a relação de jovens e adultos com suas finanças.

Educação financeira
Crédito: Tamiris |Gomes/Catraca LivreAprendendo e comparando custo e receita

Estamos empreendendo e investindo mais

Quando se é empreendedor, a atenção com o controle do dinheiro é redobrada. E o número de empreendedores só cresce. Segundo uma pesquisa da GEM (Global Entrepreneurship Monitor), o Brasil chegou a 38% na TTE (Taxa de Empreendedorismo Total), ou seja, são mais de 52 milhões de brasileiros que possuem um negócio próprio.

O número de investidores ativos na Bolsa, para ter uma ideia, aumentou 95% em comparação com o ano passado, segundo um levantamento da B3 divulgado em novembro. Isso mostra o interesse da população em novas formas de renda e alocação de seus recursos. E para lembrar: é possível investir com pouca grana.

Livros sobre educação financeira no metrô

Aproximadamente 63,4 milhões de brasileiros estão inadimplentes, segundo a Serasa Experian. Justamente pensando no combate a este problema, o Metrô de São Paulo e ABEFIN (Associação Brasileira de Educadores Financeiros) dedicam a próxima semana à distribuição gratuita de livros sobre educação financeira aos passageiros.

Na estação Palmeiras-Barra Funda, da Linha 3-Vermelha, a ação acontece nos dias 16 e 17 de dezembro (segunda e terça), a partir das 11h. Já na Estação Ana Rosa, das Linhas 1-Azul e 2-Verde, a entrega ocorre nos dias 18 e 19 (quarta e quinta), no mesmo horário.

Ao todo, serão distribuídos 3 mil exemplares de três títulos em cada dia: “Como Identificar o Seu “Eu” Financeiro”, “Como Realizar o Sonho da Casa Própria” e “Como Garantir uma Aposentadoria Tranquila”. O intuito é mostrar aos participantes que, diferentemente do que pensa a maioria, qualquer pessoa pode e deve aprender a planejar as finanças de forma mais consciente.

O término da entrega de livros está previsto para as 16h nos quatro dias do evento. Vale lembrar que a distribuição está limitada aos volumes disponíveis, podendo ser encerrada mais cedo com o fim do estoque.

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Por: Tamiris Gomes

Jornalista e redatora, cobre assuntos de Educação na Catraca Livre.