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Autor lança livro escrito no celular em viagens de trem em SP

Jessé Andarilho, do Rio de Janeiro, lança obras no Lá na Laje, Clube do Livro sem Livros, no Sesc Pompeia

No próximo dia 16 de maio às 19h30 o Sesc Pompeia realiza a terceira mesa projeto  “Lá na laje: clube do livro sem livro” e recebe como convidados o escritor Jessé Andarilho, do Rio de Janeiro e a poeta Jô Freitas, baiana que vive em São Paulo. A mediação é da jornalista Jéssica Balbino, que dividiu a curadoria com as programadoras da unidade.

Sob o tema “Narrativas literárias: preciso mesmo de livro impresso?”, os convidados vão contar como a tecnologia os auxilia nos processos de produção de literária, já que inúmeras histórias que antes circulavam apenas em torno de suas próprias tribos, hoje têm a chance de ganhar o mundo por meio da internet com vídeos, intervenções, entre outras ações.

O clube do livro, em formato diferenciado, funciona também como um convite ao público para conhecer a literatura contemporânea, que nem sempre está nos livros, mas acontece, como o próprio clube já trouxe, nos muros das cidades, nos guardanapos, nas cicatrizes, etc.

Para Jéssica Balbino, que fez a curadoria do projeto em parceria com as programadoras da unidade, esta é a chance de dessacralizar a literatura. “O clube é também um desafio, queremos apresentar novas formas de fazer literatura e que nem sempre estão restritas aos livros impressos, aos autores confinados nas suas torres. Queremos experimentar a literatura viva, pulsante, que ocorre nas ruas da cidade, nos muros, nos trens, nas travessias”, disse.

Jô Freitas é uma das convidadas do clube, por causa do projeto “Mulheres em Travessia”

Conheça as convidadas da terceira edição 

Jô Freitas

Baiana que vive em São Paulo, Jô Freitas é autora do projeto Mulheres em Travessia, em que capta narrativas e histórias de vida de mulheres que deixaram os lugares onde nasceram, os lares e migraram para outros pontos. O projeto já ouviu pessoas nas periferias de São Paulo e em uma vila de pescadores em Pucusana, transformando tais narrativas em um documentário em vídeo e também em uma intervenção com as próprias autoras, com graffitagem em muros de ambos locais.

Jessé Andarilho

Jessé Andarilho foi criado na favela de Antares, no Rio de Janeiro. Filho de vendedores ambulantes, trabalhou com diversas atividades na sua comunidade, até ler seu primeiro livro, aos 24 anos, e, a partir desse momento, ter sua vida transformada pelas palavras. No trajeto que fazia da sua casa, na zona oeste do Rio, para o seu trabalho, na região do Centro, dentro do trem, usou o bloco de notas do celular para contar histórias. Publicou a obra Fiel, mas para além disso, criou a marca Marginow, com vídeos de poetas de diferentes estados brasileiros, de até um minuto, para difundir a poesia através das redes sociais, em curtas pílulas de protagonismo periférico. Jessé realiza também ‘ataques poéticos’ no transporte público, em reuniões e diferentes ambientes do Rio de Janeiro, acompanhado de outros poetas, por acreditar que a poesia, a literatura e a arte mudam o mundo: e não precisam estar somente nos livros – mas também neles.
Jéssica Balbino

É jornalista, pesquisadora, mestre em comunicação pela Unicamp e dirigiu o documentário ‘Pelas Margens: vozes femininas na literatura periférica’. É editora do blog Margens e autora dos livros “Traficando Conhecimento” e “Hip-Hop: A Cultura Marginal”. 

Outros encontros

O clube Lá na Laje vai acontecer ainda em junho e o tema será “Entrelinhas: no tecido, nos muros e na música, uma literatura viva”, com a artista Karen Dolorez e o grupo de rap Santa Mala, da Bolívia.

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