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Fernanda Montenegro diz que governo Bolsonaro é pior do que a ditadura militar

Aos 92 anos de idade, atriz falou sobre se tornar uma imortal na Academia Brasileira de Letras (ABL) e fez críticas ao atual governo

Por: Redação

Neste domingo (7), Fernanda Montenegro – nova imortal da Academia Brasileira de Letras – concedeu entrevista ao Fantástico. Aos 92 anos, a atriz é a nona mulher a ostentar o título de imortal desde a criação da entidade em 1897.

Fernanda Montenegro em entrevista ao Fantástico

Em conversa com a jornalista Sônia Bridi, Fernandona falou dos planos para o novo cargo – já que sua presença tende a popularizar a Academia tornando a entidade mais próxima dos cidadãos comuns – e criticou o atual governo.

A repórter destacou trecho de carta enviada pela atriz ao então presidente José Sarney, o primeiro civil a ocupar o Palácio do Planalto após o fim da ditadura militar, quando ela recusou convite para ser ministra da Cultura.

“Pobre do País cujo governo despreza, hostiliza e fere seus artistas. Esse Brasil acabou”, leu a jornalista. “Não acabou”, corrigiu Fernanda. “Nós estamos numa hora trágica. É um momento tão pesado, sabe? Mas vai acabar. Uma hora acaba”, afirmou.

Quando questionada se seria possível traçar um paralelo entre a hostilidade contra a cultura no atual governo e a repressão aos artistas durante a ditadura militar, ela respondeu:

“É pior porque (agora) veio pelo voto. Há uma organização política tradicional que opta por essa calamidade, essa tragédia. Acho que em todo governo de força, a primeira coisa é estrangular a cultura das artes porque é onde o país existe com uma assinatura e com um futuro”.

Há uma organização política, tradicional, que opta por essa calamidade, essa tragédia. Acho que em todo governo de força, a primeira coisa é estrangular a cultura das artes”,

Para Fernanda, que até hoje foi a única artista brasileira a ser indicada ao Oscar, somente o tempo será capaz de fornecer uma saída. De acordo com ela, o Brasil já comprovou que não pode ter reeleição presidencial, pois isso exige ‘compra, venda e aluguel’ do poder político.

Fernanda ainda revelou sentir um desassossego e ter uma visão trágica do momento atual do País. “Às vezes eu tenho a impressão que temos um País lá em Brasília que coloniza o Brasil aqui embaixo”, disse.

Apesar da realidade do Brasil, ela disse que é preciso ‘acordar e cantar’ e finalizou com uma frase do célebre Nelson Rodrigues: “Aprendi a ser o máximo possível de mim mesmo”.

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