Twitter é acusado de racismo ao priorizar fotos de pessoas brancas

Internautas alegam que além de fotografias, conteúdo de pessoas brancas também são colocados em prioridade

Por: Redação
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Começou no último sábado, 19, uma movimentação de usuários da plataforma do Twitter que acusa a empresa de praticar racismo ao priorizar fotografias com rostos de pessoas brancas a de pessoas negras.

Twitter está sendo acusado de priorizar pessoas brancas
Crédito: Reprodução/TwitterTwitter está sendo acusado de priorizar pessoas brancas

Tudo começou através de um experimento no qual coloca-se uma imagem de uma pessoa branca em uma ponta e de uma pessoa negra na outra, no meio fica um vão inteiramente branco, e quando essa imagem fica em tamanho pequeno por causa do espaço, o algoritmo dá prioridade para a pessoa branca ficar em destaque.

A experiência foi testada por diversos usuários, sendo que na maior parte das vezes o fato foi consumado. Para se ter ideia, veja alguns exemplos. Para entender essa grande problemática, basta clicar nas imagens dos tuítes abaixo.

O que é algoritmo?

Só para se ter ideia do que está acontecendo, o algoritmo é um conjunto das regras e procedimentos lógicos perfeitamente definidos que levam à solução de um problema em um número finito de etapas.

Tá, não entendeu ainda? Então, basicamente ele é o mecanismo que reúne tudo o que você gosta, avalia tudo pesquisa, ele está ligado a captura de dados.

É uma eterna combinação dos dados que resultam num produto final: a entrega do “conteúdo” que é mais próximo da realidade dos internautas. Vale ressaltar que é um processo feito com base em informações individualizadas. Nem tudo que aparece para um pessoa, vai aparecer para outra e vice-versa.

Mas, então quer dizer que se o Twitter dá prioridade em destacar pessoas brancas, quer dizer que as pessoas só pesquisam e tem referência de pessoas brancas? Bom, sim e não.

Sim, porque os bancos de imagens, os sistemas de reconhecimento facial e tudo que envolve essa área é infestada de gente branca, logo, a grande parte dos conteúdos que vai ser priorizado são de pessoas brancas. E sim, isso é racismo.

É só no Twitter?

Pelo jeito, não. O sistema todo que engloba as redes sociais pode estar priorizando pessoas brancas nos conteúdos mostrados para os usuários.

A influenciadora digital, Winnie Bueno, afirmou que o Twitter prioriza não apenas imagem, como conteúdo em geral.

Jeovane Vicente, criador de conteúdo, deu um relato que está produzindo desde 2016, mas mesmo assim ele continua com público restrito. Ele ainda acusa o YouTube de priorizar conteúdo de pessoas brancas em detrimento de pessoas negras.

A empreendedora e youtuber, Jacy July, alertou: “Quem vocês acham que desenvolvem os algoritmos das redes?

Hicaro Texeira, jornalista, afirmou que não é apenas no Twitter que o fato acontece.

Contraponto

Apesar de toda movimentação criada por conta desse experimento feito pelos usuários, internautas começaram a ver que em alguns casos o Twitter coloca a pessoa negra em destaque em comparação a pessoa branca. Veja alguns exemplos abaixo.

Posicionamento do Twitter

Em posicionamento oficial, o Twitter disse que fizemos uma série de testes antes de lançar o modelo e não foram encontramos evidências de preconceito racial ou de gênero. “Está claro que temos mais análises a fazer. Continuaremos compartilhando nossos aprendizados e medidas, e abriremos o código para que outros possam revisá-lo”, disse o Twitter em nota.

Como denunciar racismo?

Racismo é crime previsto pela Lei 7.716/89 e deve sempre ser denunciado, mas muitas vezes não sabemos o que fazer diante de uma situação como essa, nem como denunciar.

Isso dá a entender que a legislação define como crime a discriminação pela raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, prevendo punição de 1 a 5 anos de prisão e multa aos infratores.

A denúncia pode ser feita tanto pela internet, quanto em delegacias comuns e nas que prestam serviços direcionados a crimes raciais, como as Delegacias de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que funcionam em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Saiba mais.

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