Créditos: Catraca Livre

Os voluntários fazem atendimento na calçada

Todos os meses, professor e alunos de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi deixam a sala de aula para montar um consultório a céu aberto em plena região central de São Paulo. Os pacientes são pessoas em situação de rua, que logo se aglomeram nas calçadas.

O Catraca Livre acompanhou um dia de atendimento e, em cinco horas, cerca de mil pessoas em situação de rua passaram por triagem e 150, por consulta. O projeto é realizado pela ONG Médicos de Rua, uma ideia que nasceu da iniciativa do neurologista e professor universitário Mário Vicente Magalhães.

MÉDICOS DE RUA

Conheça o projeto que monta um consultório a céu aberto em plena região central de São Paulo. Saiba mais: http://bit.ly/2Dlkk6I #Destradicional

Posted by Catraca Livre on Monday, March 12, 2018

“Eu vinha dar aula na universidade e, no caminho, via muitos moradores de rua. Aí, eu juntei a experiência de ações desse tipo que eu vi nos EUA, mais a necessidade dos alunos em realizar ações sociais e montei um quebra-cabeça. Foi então, que comecei a criar o projeto”, conta o professor.

“No começo, só vinha ele e eu. Até que chegamos a 75 pessoas”, lembra uma das voluntárias, a aluna Mayara Robles. Na rua, alunos e professor conseguem tratar infecções, dermatites, dermatoses, diagnosticar hipertensão, diabetes e medicar.

Os casos mais sérios, que não são possíveis resolver no local, são encaminhados para hospitais próximos e para o centro de saúde da Anhembi, onde os alunos fazem internato.

O projeto formiguinha que nasceu em 2016 hoje já conta com a ajuda de outros professores e médicos, além do suporte da Pastoral de Rua. O trabalho também serve como modelo para outras iniciativas parecidas. “Muitos colegas Brasil afora vêm até aqui participar, ver como funciona para levar para as cidades deles”, conta Mário.

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Mutirão do "Médicos de Rua" acontece mensalmente em São Paulo

Para Carolini Santana, do 5º ano de Medicina, o projeto é mais que doação de tempo. “Cada dia que eu venho aqui, eu aprendo muito mais. Medicina não é só medicar e pronto, não é aquela coisa robótica. Muitas vezes, eles só querem um abraço, conversar com a gente”.

E é justamente humanizar a geração de novos médicos a ideia mais defendida pelo professor. “Por conta do tecnicismo e cientificismo excessivo, o aluno de Medicina tinha perdido a coisa de olhar com olhos de compaixão. E eu percebo que os alunos daqui saem com uma visão técnica melhor, uma visão mais humana e acolhedora também e com uma consciência social, uma consciência de que nós podemos transformar o nosso país”, acredita.

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