Após 500 anos, uma pesquisa sobre DNA antigo esclarece a verdadeira causa da morte dos irmãos Medici e acaba com mistério de séculos

Pesquisa identifica malária em esqueletos de dois irmãos Medici, descarta teoria de envenenamento e revela uma cepa inédita do parasita.

Uma análise de DNA antigo revelou que dois integrantes da poderosa família Medici morreram de malária, encerrando um mistério que atravessou cinco séculos e trazendo novas pistas sobre a evolução da doença na Europa.

Durante séculos, a morte de dois membros da influente família Medici alimentou rumores de um possível envenenamento por arsênico.
Durante séculos, a morte de dois membros da influente família Medici alimentou rumores de um possível envenenamento por arsênico. - Imagem gerada por IA

Como o estudo encerra teoria de envenenamento dos irmãos Medici?

Durante séculos, a morte de dois membros da influente família Medici alimentou rumores de um possível envenenamento por arsênico. A hipótese surgiu após uma sequência de mortes envolvendo parentes próximos no século XVI.

Agora, pesquisadores comprovaram por meio da análise de DNA antigo que o Cardeal Giovanni de’ Medici e o Grão-Duque Francesco I morreram em consequência da malária, descartando a antiga teoria de assassinato.

Quais descobertas surpreenderam os pesquisadores?

Além de solucionar o mistério histórico, a investigação revelou informações inéditas sobre a doença. Entre os principais achados estão:

  • Francesco I apresentava infecção simultânea por Plasmodium falciparum e Plasmodium malariae.
  • Giovanni de’ Medici carregava uma cepa desconhecida de P. falciparum.
  • A variante encontrada possuía duas mutações nunca registradas anteriormente.
  • As descobertas ajudam a reconstruir a evolução da malária na Europa.

Segundo os autores, essas informações oferecem uma oportunidade rara para compreender como o parasita sofreu adaptações ao longo dos séculos e como diferentes cepas circularam no continente europeu.

Como os cientistas chegaram à conclusão?

O grupo internacional analisou fragmentos de ossos dos dois irmãos em busca de vestígios do Plasmodium falciparum, parasita responsável pela forma mais grave da malária.

Os resultados confirmaram a presença do parasita nos dois esqueletos, reforçando registros médicos da época que descreviam episódios de febre terçã, sintoma clássico da doença transmitida por mosquitos.

Pesquisadora analisando amostra de DNA antigo
Pesquisadora analisando amostra de DNA antigo - Imagem gerada por IA

Por que a malária era comum na Toscana?

Embora a teoria do envenenamento tenha ganhado força ao longo do tempo, historiadores já apontavam que os Medici frequentavam propriedades localizadas em áreas pantanosas da Toscana, onde a malária permaneceu presente até o século XX.

Os documentos da corte também relatam que os irmãos receberam tratamentos como sangrias, prática médica bastante utilizada naquele período para combater febres intensas.

A descoberta pode ajudar pesquisas atuais sobre a malária?

Os pesquisadores destacam que o estudo vai além da história. O DNA preservado em restos humanos antigos permite acompanhar a evolução genética dos parasitas responsáveis pela doença.

Novas análises poderão esclarecer como essas cepas se relacionam com variantes modernas. Além de resolver um mistério de 500 anos, a pesquisa abre caminhos para ampliar o conhecimento científico sobre uma das doenças infecciosas mais importantes da história.

Quem foi a poderosa família Medici?

A família Medici construiu um dos maiores bancos da Europa durante o século XV e utilizou sua fortuna para financiar importantes artistas da Renascença, tornando-se uma das dinastias mais influentes do continente.

Ao longo dos séculos, os Medici governaram a Toscana, tiveram quatro papas, duas rainhas da França e diversos governantes. A nova descoberta acrescenta um capítulo importante à história de uma das famílias mais poderosas da Europa.