‘Chiclete’ de 5.700 anos revela DNA completo de mulher pré-histórica e surpreende cientistas com informações sobre cor dos olhos, cabelo e até a última refeição

Fragmento de piche de bétula mastigado preservou DNA, microrganismos e vestígios da alimentação de uma jovem que viveu há cerca de 5.700 anos.

Um chiclete de 5.700 anos, feito de piche de bétula, permitiu que pesquisadores reconstruíssem o DNA completo de uma jovem da Idade da Pedra, revelando detalhes inéditos sobre sua aparência, alimentação e saúde.

A análise genética mostrou que a jovem possuía pele escura, cabelos escuros e olhos azuis
A análise genética mostrou que a jovem possuía pele escura, cabelos escuros e olhos azuis - Imagem gerada por IA

Como um chiclete de 5.700 anos preservou tantas informações?

O objeto analisado não era um chiclete moderno, mas um pedaço de piche de bétula, substância usada há milhares de anos para produzir ferramentas e que também era mastigada por pessoas da época.

Graças às propriedades naturais do material, a saliva ficou preservada durante milênios. Isso permitiu aos cientistas recuperar um genoma humano completo, algo extremamente raro sem a necessidade de encontrar ossos.

O que o DNA revelou sobre a mulher pré-histórica?

A análise genética mostrou que a jovem possuía pele escura, cabelos escuros e olhos azuis, uma combinação considerada comum entre alguns grupos de caçadores-coletores do norte da Europa naquele período.

Os pesquisadores também identificaram sua ancestralidade e confirmaram que ela viveu antes da expansão da agricultura na região, oferecendo novas pistas sobre a população que ocupava o território há cerca de 5.700 anos.

Qual o impacto dessa descoberta?

Normalmente, estudos genéticos dependem da recuperação de esqueletos ou dentes em bom estado de conservação. Nesse caso, um simples pedaço de piche substituiu esse papel e abriu novas possibilidades para a arqueologia.

Os especialistas acreditam que materiais semelhantes encontrados em outros sítios arqueológicos poderão revelar informações valiosas sobre povos antigos, mesmo em locais onde não existam restos humanos preservados.

Um chiclete de 5.700 anos, feito de piche de bétula, permitiu que pesquisadores reconstruíssem o DNA completo de uma jovem da Idade da Pedra
Um chiclete de 5.700 anos, feito de piche de bétula, permitiu que pesquisadores reconstruíssem o DNA completo de uma jovem da Idade da Pedra - Imagem gerada por IA

Quais descobertas surpreenderam os pesquisadores?

Além da aparência física, o material mastigado preservou diversas informações sobre o cotidiano da jovem. Os resultados ajudaram a reconstruir aspectos importantes de sua vida e de sua saúde.

Entre os principais achados, destacam-se:

  • DNA humano completo preservado no piche de bétula.
  • Indícios de que a última refeição incluía pato e avelãs.
  • Presença do vírus Epstein-Barr, ainda comum atualmente.
  • Bactérias naturais da boca que ajudaram a estudar sua saúde bucal.
  • Novas pistas sobre os hábitos de populações da Idade da Pedra.

Como o chiclete pode mudar futuras pesquisas arqueológicas?

A descoberta demonstra que pequenos objetos aparentemente comuns podem guardar uma enorme quantidade de dados biológicos durante milhares de anos, ampliando as formas de estudar sociedades antigas.

Com técnicas modernas de sequenciamento genético, pesquisadores esperam utilizar materiais semelhantes para compreender melhor a evolução humana, doenças antigas, alimentação e migrações de diferentes populações pré-históricas.

O que esse estudo ensina sobre a vida na Idade da Pedra?

O caso mostra como avanços científicos conseguem transformar um objeto cotidiano em uma verdadeira cápsula do tempo. Informações invisíveis a olho nu ajudam a reconstruir histórias perdidas durante milênios.

Mais do que revelar a identidade de uma única pessoa, o estudo amplia o conhecimento sobre a Idade da Pedra e mostra que novas descobertas ainda podem surgir a partir de vestígios considerados simples.